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VOXPOP – Crise Aérea

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Créditos: souravmishra

Não há dúvidas que um dos setores mais afetados, e prejudicados, pela pandemia mundial da Covid-19 foi o aéreo. De um dia para o outro, países fecharam as fronteiras, impuseram diversas restrições às viagens e ao movimento de pessoas, em uma tentativa de barrar a propagação do vírus. De repente ir de um país à outro deixou de ser ato comum, e tornou-se difícil ou impossível, além da quarentena para os que chegam de viagem ser uma realidade em diversos deles. Diante desses factos, milhões de passageiros cancelaram as viagens, e outros tantos que intencionavam em viajar, desistiram ou alteraram os planos por tempo indeterminado.

A situação da pandemia se arrasta por meses e não há previsão de quando as viagens poderão ser retomadas. Dessa forma, os problemas, e os prejuízos financeiros para as companhias aéreas, só se multiplicam, e ganharam proporções históricas. Portugal é um dos países em que as companhias de aviação enfrentam sérios problemas. Vamos aos factos que se apresentam. A Azores Airlines, uma empresa aérea da Região Autónoma dos Açores, suspendeu diversas rotas em que operava; a TAP está a passar por uma reestruturação, já tendo recebido milhões de euros do Governo; e a venda da Air Transat para a Air Canada é uma realidade, devendo ser concluída em 2021. Diante desse cenário, nessa edição estivemos à conversa com integrantes da comunidade luso-canadiana, para saber o que pensam sobre esses movimentos de mercado, e se temem que essas mudanças possam dificultar a ida a Portugal.

  • Rosa Amorim, antropóloga, 48 anos

1- Com a crise das companhias aéreas os consumidores têm cada vez menos opções. Tem sentido isso?

Sim, não há oferta nem competição, então estamos sujeitos ao que nos oferecem.

2- Considera que a qualidade do serviço pode ser afetada? Voos com mais escalas ou mais

tempo de espera para os passageiros e preços cada vez mais elevados?

Com certeza. Terão que juntar voos para fazer escalas em outros países e com isso as esperas serão muito mais longas e o atendimento não há de ser o melhor, já que terão que prestar contas a muito mais pessoas.

3- As companhias mais ligadas à comunidade portuguesa – TAP e Azores Airlines (SATA) – estão a passar por processos de reestruturação. Fala-se muito na diminuição de voos e

destinos. Receia que passe a haver menos voos diretos para Portugal Continental ou

para os Açores?

Sim. A disponibilidade será reduzida e o passageiro vai pagar por tudo isso, e um preço muito maior, e não haverá alternativa, terá que pagar o que lhe pedirem. 

4- Em relação ao Governo português, acha que deveria prestar maior ajuda financeira a

essas empresas, visto que prestam um serviço para a comunidade local e à diáspora

portuguesa?

O Governo português deveria ajudar, mas se não tem verba para tal, não tem como fazê-lo.


  • Clauzer Dziedziensky, 52 anos, empresário

1- Com a crise das companhias aéreas os consumidores têm cada vez menos opções. Tem sentido isso? 

Claro, com as diminuição da oferta de voos as opções diminuem também. 

2 – Considera que a qualidade do serviço pode ser afetada? Voos com mais escalas ou mais tempo de espera para os passageiros e preços cada vez mais elevados?

Claro que sim, a tendência é piorar!

3 – As companhias mais ligadas à comunidade portuguesa – TAP e Azores Airlines (SATA) – estão a passar por processos de reestruturação. Fala-se muito na diminuição de voos e destinos. Receia que passe a haver menos voos diretos para Portugal Continental ou para os Açores?

Sim, certamente. 

4 – Em relação, ao Governo português, acha que deveria prestar maior ajuda financeira a essas empresas, visto que prestam um serviço para a comunidade local e à diáspora portuguesa?

Não, o Governo deve investir seus impostos em necessidades mais urgentes em tempos de crise.


  • Lucas de Oliveira, 33 anos, administrador

1- Com a crise das companhias aéreas os consumidores têm cada vez menos opções. Tem

sentido isso?

Sim, estamos com poucas opções e cada vez me preocupo mais.

2- Considera que a qualidade do serviço pode ser afetada? Voos com mais escalas ou mais

tempo de espera para os passageiros e preços cada vez mais elevados?

Considero, pois menos opções acabam nos deixando reféns das companhias de aviação. 

3- As companhias mais ligadas à comunidade portuguesa – TAP e Azores Airlines (SATA) – estão a passar por processos de reestruturação. Fala-se muito na diminuição de voos e

destinos. Receia que passe a haver menos voos diretos para Portugal Continental ou

para os Açores?

Receio que sim, infelizmente deve diminuir a quantidade de voos e frequência, dificultando mais para nós, os clientes.

4- Em relação, ao Governo português, achas que deveria prestar maior ajuda financeira a

essas empresas, visto que prestam um serviço para a comunidade local e à diáspora

portuguesa?

De facto, acredito que devem ajudar as empresas, mas de maneira limitada, pois as mesmas quando podem lucrar sobre os consumidores assim o fazem sem nenhum problema.


  • Felipe Ferreira, 37 anos, Engenheiro

1- Com a crise das companhias aéreas os consumidores têm cada vez menos opções. Tem

sentido isso?

Sim. À medida que a oferta diminui, as pessoas que precisam do serviço, se veem obrigadas a aceitar, e comprar, aquilo que lhe oferecem.

2- Considera que a qualidade do serviço pode ser afetada? Voos com mais escalas ou mais

tempo de espera para os passageiros e preços cada vez mais elevados?

Sem dúvida, a qualidade do serviço está sendo impactada diretamente. 

3- As companhias mais ligadas à comunidade portuguesa – TAP e Azores Airlines (SATA) – estão a passar por processos de reestruturação. Fala-se muito na diminuição de voos e

destinos. Receia que passe a haver menos voos diretos para Portugal Continental ou

para os Açores?

A tendência será essa. Menos voos, mais escalas, o que fará com que muitos, em especial os mais velhos, pensem duas vezes antes de viajar e enfrentar longas horas de espera. 

4- Em relação, ao Governo português, achas que deveria prestar maior ajuda financeira a

essas empresas, visto que prestam um serviço para a comunidade local e à diáspora

portuguesa?

Financeiramente o setor aéreo em qualquer parte do mundo está em crise e logicamente a ajuda dos governos será necessária, mas ainda sem garantias de que o serviço e a disponibilidade serão as mesmas. Por ser uma pandemia, é uma crise que transcende os aspectos financeiros. 


  • Régis Andrade, 39 anos, IT

1 – Com a crise das companhias aéreas os consumidores têm cada vez menos opções. Tem sentido isso? 

Infelizmente muita coisa vai mudar com essa pandemia. Os preços irão subir eu acredito e talvez a qualidade dos serviços possa ser prejudicada. Vamos ver o que vai acontecer depois da imunização com a vacina da covid-19, talvez voltem a ter procura e as coisas comecem a melhorar. Eu tenho esperança que até meio do ano que vem isso vai mudar para melhor.

2 – Considera que a qualidade do serviço pode ser afetada? Voos com mais escalas ou mais tempo de espera para os passageiros e preços cada vez mais elevados?

Não sei bem ao certo, mas para mim a qualidade pode ser afetada com o acúmulo de passageiros e sem aeronaves à disposição, isso sim pode tornar-se um caos. Quando se tem escalas em voos, a espera sempre acontece, os prejudicados são as pessoas com mais idade. Imagina os açorianos que vivem em outro país como os que estão cá? A pensar neste sentido será dramático.

3- As companhias mais ligadas à comunidade portuguesa – TAP e Azores Airlines (SATA) – estão a passar por processos de reestruturação. Fala-se muito na diminuição de voos e destinos. Receia que passe a haver menos voos diretos para Portugal Continental ou para os Açores?

Sim receio que isso pode acontecer e a malta com mais idade será a mais prejudicada. Já temos opções com escalas e neste caso os bilhetes são mais baratos, nunca entendi isso, mas isso tem acontecido.

4- Em relação, ao Governo português, acha que deveria prestar maior ajuda financeira a essas empresas, visto que prestam um serviço para a comunidade local e à diáspora portuguesa?

O Governo precisa investir na infraestrutura dos aeroportos do continente e das ilhas e posteriormente uma ajuda financeira às empresas da aviação.


  • Juliana Pedrosa, 33 anos, administradora

1- Com a crise das companhias aéreas os consumidores têm cada vez menos opções. Tem sentido isso? 

Neste momento é difícil dizer com certeza o que o futuro trará em relação à aviação. Claro que neste momento existem menos voos, menos viajantes e menos turismo, por essa razão é normal que as companhias aéreas se  estruturem para  responder a capacidade, que acredito nesta altura seja mínima. 

2-Considera que a qualidade do serviço pode ser afetada? Voos com mais escalas ou mais tempo de espera para os passageiros e preços cada vez mais elevados?

Acredito que chegará a uma altura em que tudo irá regressar ao normal, e quando essa altura chegar, os voos vão ter que acompanhar a demanda. Milhões de pessoas estão ansiosas por férias, para ver familiares, e mais cedo ou mais tarde as companhias aéreas vão ter que acompanhar o ritmo da população.

3- As companhias mais ligadas à comunidade portuguesa – TAP e Azores Airlines (SATA) – estão a passar por processos de reestruturação. Fala-se muito na diminuição de voos e destinos. Receia que passe a haver menos voos diretos para Portugal Continental ou para os Açores?

Quem conhece as companhias aéreas ligadas à comunidade portuguesa, neste caso TAP e Azores Airlines, sabe que esta não é a primeira vez que estão a passar por uma restruturação. A Azores Airline mudou recentemente de nome , mesmo por causa dessa restruturação. A TAP continua a ser injetada com fundos públicos já que é uma empresa estatal… É uma situação que sempre esteve em destaque em Portugal. Não acredito que os voos para Portugal diminuam quando esta situação estabilizar. Portugal é um ponto de entrada na Europa e um marco turístico reconhecido mundialmente.

4 – Em relação, ao Governo português, achas que deveria prestar maior ajuda financeira a essas empresas, visto que prestam um serviço para a comunidade local e à diáspora portuguesa?

O Governo português tem vários problemas, mas não deve nem pode continuar a injetar fundos na TAP com o dinheiro dos contribuintes. Existem áreas que necessitam mais de fundos públicos, como o Sistema Nacional de Saúde que, como em muitos países, esta a rebentar pelas costuras. Estas companhias não prestam um serviço  à comunidade portuguesa, vendem um serviço. Não apenas aos portugueses ou à diáspora, mas a todos os que desejam visitar Portugal.

Lizandra Ongaratto/MS

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