Luís Barreira

Semana de cimeiras e um quiproquó “à portuguesa”!…

milenio stadium - onu cimeira portuguesa

 

 

Esta semana foi recheada de cimeiras internacionais (G7, BCE, NATO e Oceanos), tendo terminado com uma “bronca política” caseira que, em termos mediáticos nacionais, quase fez esquecer os resultados das importantes reuniões mundiais. Em síntese:

A Cimeira do G7, que reuniu nos Alpes alemães os líderes das maiores economias mundiais (Alemanha, França, Itália, Canadá, Reino Unido, EUA e União Europeia), tendo como pano de fundo o conflito na Ucrânia, voltaram a endurecer as sanções à Rússia, impondo: a proibição de importações do seu ouro; discutindo uma proposta francesa de estabelecimento de um preço máximo para o petróleo russo; coordenando a sua atitude em relação aos mercados de energia e, entre outros temas de interesse mútuo, disponibilizaram 568 mil milhões de euros para o desenvolvimento de infraestruturas em países em desenvolvimento, entre os quais a Ucrânia, utilizando muitos dos bens embargados à Rússia. Uma Cimeira para afinar estratégias entre amigos!

-O Fórum do BCE (Banco Central Europeu), que reuniu em Sintra os representantes dos bancos centrais europeus, debruçou-se sobretudo sobre as alterações da política monetária europeia, ocasionadas por uma crescente inflação na Europa (que em Portugal já atingiu 9%) e que inevitavelmente dará origem a uma subida das taxas de juros, com repercussões nas dívidas soberanas dos Estados e das famílias. Os custos da energia, sinalizados como o fator que mais tem contribuído para o crescimento da inflação, não vão permitir ao BCE manter o controlo das taxas de juro negativas sobre os empréstimos concedidos, pelo que se avizinham tempos difíceis para os mercados nacionais.

-A Cimeira da NATO, que decorreu em Madrid sob o signo da guerra na Ucrânia e a nova estratégia a adotar pela Aliança Atlântica, juntou aos 30 países da Aliança (onde Portugal é membro fundador), os países do Pacífico inquietos com a China (Japão, Austrália, Nova Zelândia e Coreia do Sul). A Rússia passou a inimigo iminente e foi adotada uma estratégia cautelosa para as relações com a China. Num momento anterior foi ainda conseguido um acordo entre a Turquia, a Suécia e a Finlândia, que permite a estes dois últimos países virem a integrar a NATO (se Erdogan não se arrepender…)
Como resultado genérico desta Cimeira foi decidido continuar a apoiar a Ucrânia com o envio de material bélico necessário, aumentar de 40 mil para 300 mil o número de tropas em prontidão, nomeadamente nos três países bálticos (Estónia, Letónia e Lituânia). Lituânia, onde Portugal mantém 146 fuzileiros, além de 220 atiradores na Polónia e na Roménia.

-Com este “esticar de corda” por parte da NATO, enquanto forma de dissuadir a Rússia de evoluir para novas conquistas imperialistas e a meteo a proporcionar uma debandada nacional para as praias e um mergulho nas “límpidas” águas oceânicas portuguesas, Lisboa recebeu a 2° Conferência dos Oceanos. Cerca de 7 mil participantes de mais de 140 países, analisaram a péssima gestão que tem sido feita dos oceanos, por parte de quem tem poderes para corrigir o desinteresse pela vida marítima, penalizar fortemente quem faz do mar um caixote de lixo, necessidade de preservar as espécies e assumir que o mar é indispensável à vida na terra. Tal como noutras iniciativas ecológicas, resultam muitas cartas de intenções e muito poucas ações! Esperemos que desta vez, os líderes presentes nesta Conferência realizada à beira-mar, se sintam sugestionados a um comportamento mais responsável e que as novas gerações se empenhem na procura de soluções que salvem a vida dos nossos oceanos.

-Ainda a digerir todas as informações ocasionadas por este périplo de conferências, entre as quais a “salada russa” que foi o prato principal do G7, BCE e NATO, eis que um acontecimento doméstico prendeu a atenção quase exclusiva de todos os noticiários portugueses. O ministro português das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos (PNS), tido como um dos candidatos à liderança do PS, veio na passada quarta-feira (29) anunciar nas televisões nacionais que tinha, finalmente e após quatro décadas de espera, encontrado a solução para o novo aeroporto de Lisboa! Através de um despacho publicado em Diário da República, o governante definiu, desdobrando-se em explicações nas várias entrevistas às televisões, que se iria concluir de imediato um conjunto de obras no aeroporto do Montijo, para assegurar provisoriamente o excesso de aviões em Lisboa, enquanto se iniciariam as obras do novo aeroporto em Alcochete prevendo-se, posteriormente, encerrar o de Lisboa.

Face ao inesperado da notícia e perante a multiplicidade de questões envolvidas: falta de estudos estratégicos e de impacto ambiental; custos elevadíssimos e dificuldades de implantação nos terrenos do Montijo e tantos outros aspetos relacionados com o polémico tema, PNS foi interrogado sobre: se tinha informado o Presidente da República, ao que respondeu laconicamente que não tinha que o fazer; considerando a dimensão estrutural desta decisão, se não pensava obter um consenso com o líder do maior partido (PSD), que seria empossado no fim de semana próximo, respondeu que esse partido se tinha demitido da questão!…

E, enquanto um chorrilho de críticas de ambientalistas, de engenheiros civis e dos partidos da oposição, percorria as televisões, alguém se lembrou de perguntar ao primeiro-ministro, António Costa (que se encontrava em Madrid na Cimeira da NATO), se conhecia o referido despacho do seu ministro, ao que este respondeu: não!…
No dia seguinte, já em Lisboa, António Costa mandou revogar o malfadado despacho (desautorizando assim o ministro), convocou-o para uma reunião à porta fechada; dirigiu um eventual pedido desculpas ao PR pela indelicadeza do ministro e voltou a frisar que, nesta matéria, nada está decidido, que existem várias opções e que tentar-se-á chegar a um consenso com o líder do PSD, porque um novo aeroporto não é de nenhum partido, mas sim do país.

O jovem ministro Pedro Nuno Santos foi então às televisões pedir desculpa pelo sucedido, afirmar que não se demite nem foi demitido e que é muito amigo do primeiro-ministro desde há muitos anos, tendo-o até muito auxiliado a conseguir realizar a antiga “geringonça”!??

No final desta rábula de contornos imprecisos, resultado: amigos (??) como dantes!

Luis Barreira/MS

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