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Um longo caminho

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Um recente estudo da EY prevê que o setor do turismo apenas regressará aos níveis pré-pandemia depois de 2023: uma perspetiva pouco animadora se pensarmos na importância que esta área tem na maioria – senão totalidade – dos países. Os apoios públicos continuarão, portanto, a ser necessários já que, e segundo este mesmo estudo, “o setor do turismo será talvez aquele em que a recuperação será mais lenta. A existência de medidas de apoio ao setor será fundamental para assegurar a existência de capacidade no pós-pandemia e o reforço da competitividade do setor”.

A Portuguese Green Walks é uma agência de turismo criada com base numa vasta rede de relações pessoais e de um profundo conhecimento do território do norte de Portugal. Aqui são privilegiadas as atividades ao ar livre, os passeios culturais, a gastronomia e a degustação de vinhos – programas que cada vez mais fazem parte das preferências dos turistas.

Nesta edição do jornal Milénio Stadium tivemos a oportunidade de conversar com Paulo Lopes, fundador e CEO da Portugal Green Walks, e saber a sua opinião acerca do presente e futuro da área, tendo em conta que neste momento o caminho até à normalidade ainda parece ser bastante longo, ainda que já se consiga ver a luz ao fundo do túnel.

Milénio Stadium: A pandemia afetou de uma forma tremenda diversas áreas – uma delas foi o turismo, uma área que sabemos ser essencial para a economia portuguesa e para a sociedade contemporânea como um todo. Hoje, mais de dois anos depois do início da mesma, em que ponto podemos dizer que está esta área?
Paulo Lopes: Sim, efetivamente a área do turismo foi seguramente uma das mais duramente afetadas. Graças à grande resiliência demonstrada e ao facto da pandemia estar substancialmente controlada, os sinais que o mercado começa a dar são positivos e o turismo começa lentamente a recuperar. Se nada de grave acontecer a minha previsão é a de que o verão deste ano já venha a ter números bastante interessantes.

MS: Quais os principais desafios encontrados nesta retoma da (possível) normalidade?
PL: Eu diria:
a) o retomar da confiança por parte dos turistas em viajar;
b) as empresas conseguirem recrutar novamente os colaboradores que necessitam para as suas atividades.
c) estratégias para que a atividade turística possa ser mais sustentável.

MS: Sabemos que cada vez mais as agências de turismo necessitam de oferecer experiências inovadoras e, nos dias de hoje, seguras, sobretudo. Em que pontos é que a Portugal Green Walks se destaca das restantes?
PL: A Portugal Green Walks oferece programas de Walking & Cycling, num regime autoguiado (preferencialmente), em territórios de baixa densidade do Norte de Portugal.
Na realidade atual, um largo segmento da população escolhe umas férias ativas em contacto com a natureza; querem desligar da correria do dia a dia e não terem preocupações de horários; querem uma experiência imersiva e autêntica sobre a cultura, tradições e gastronomia local e em territórios longe do turismo de massas.
Tudo isto são atrativos bastante adequados aos dias de hoje e nos quais a Portugal Green Walks se destaca pelo elevado nível de serviço prestado aos seus clientes.

MS: Que tipo de turismo é que as pessoas procuram atualmente? Quais os aspetos mais valorizados e, por outro lado, quais os receios (se é que ainda os há…)?
PL: Para uma franja significativa da população que faz turismo e viaja, estes dois anos fizeram repensar a forma de passar férias:
A noção da minha qualidade do tempo: a necessidade de fazer umas férias calmas, tranquilas e de equilibrar a mente e o corpo. Estamos a falar de férias ativas em contacto com a natureza, retiros de meditação e programas de promoção da saúde.
A noção do impacto do turismo nos destinos: a escolha por transportes mais sustentáveis, experiências com preocupações ambientais e em locais menos massificados
O meu enriquecimento pessoal através da interação com as populações locais: a experiência de viver como um local e se possível deixar o seu contributo
Eu diria que os receios têm a ver com um esquecimento generalizado do que foram estes dois anos de pandemia e toda a tomada de consciência do que de errado andávamos a fazer a nós próprios, à sociedade e ao planeta, e voltarmos aos mesmos comportamentos pré-pandemia.

MS: A “pausa” imposta pela pandemia foi também uma oportunidade para repensar o setor?
PL: Sim, com certeza. O crescimento era exponencial, todos nós vivíamos numa espiral de trabalho onde não havia tempo para parar, reformular processos e formas de trabalhar. As ineficiências eram compensadas pelo volume dos negócios…
Foi uma oportunidade única para redefinir estratégias, alinhar o rumo das empresas, perceber que havia outros caminhos, colocar a sustentabilidade na ordem do dia e com isso foram criados também novos tipos de negócio.

MS: Aproximam-se épocas de férias, como a Páscoa e, mais tarde, o verão, por exemplo. Que ofertas existem para os turistas?
PL: Em Portugal, como sabe, a oferta é muito variada, mas eu diria que o turista, quer nacional quer estrangeiro, está a descobrir o interior de Portugal. A necessidade de encontrar destinos mais tranquilos colocou nos radares aldeias com menos visibilidade turística mas que proporcionam uma excelente qualidade de vida aos visitantes e estão dotadas de excelentes infraestruturas hoteleiras e outro tipo de serviços.

MS: Finalmente, o que esperam que aconteça durante este ano? Tendo em conta que algumas medidas mais restritivas já começam a ser aliviadas, esperam um maior volume de procura em relação a 2020 e 2021? Que outras expectativas têm?
PL: A Portugal Green Walks trabalha sobretudo com mercados estrangeiros, pelo que o alívio das medidas restritivas, no que à mobilidade aérea diz respeito, são um fator decisivo para o crescimento do nosso negócio.
Praticamente todas as reservas de 2020 foram canceladas ou remarcadas para 2021. Em 2021 conseguimos trabalhar numa janela de tempo entre julho e outubro com a operação em bom ritmo mas ainda assim com um saldo negativo face aos encargos da empresa. Para 2022 as perspetivas atuais, tendo em conta o número de reservas já efetuadas, indicam que iremos ter um excelente ano turístico. Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Dinamarca e Holanda são de momento os nossos melhores mercados. Espera-se que o Canadá (um dos nossos grandes mercados em 2019) comece a dar sinais de vitalidade, agora que o Governo português levantou as restrições, e que os australianos também possam em breve deliciar-se com a hospitalidade portuguesa e provar um Porto na sua terra de origem.

Inês Barbosa/MS

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