Portugal

Aveiro precisa de 1500 trabalhadores no imediato e não arranja

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Aveiro, 17/06/2022 – Empresas da região de Aveiro estão com dificuldades em recrutar trabalhadores.
Alexandre Ré, administrador da empresa Primus Vitória.
(Maria João Gala/Global Imagens)

 

A Região de Aveiro precisa, no imediato, de 1500 trabalhadores, mas não os arranja. A estimativa foi divulgada, recentemente, por Ribau Esteves, presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA). E o autarca diz que os números apresentados são “uma estimativa por baixo”.

Na hotelaria e restauração, na área das TICE (tecnologias de informação, comunicação e eletrónica), na indústria, nas instituições particulares de solidariedade social (IPSS) e na construção civil é onde é mais difícil recrutar trabalhadores. Os empregadores confirmam o problema, que, para alguns, não é novo.

“A região precisa de cerca de 1500 trabalhadores e nem 150 arranja”, afiança Ribau Esteves, também presidente da Câmara de Aveiro. “O problema do recrutamento acontece em diversas áreas. As próprias câmaras municipais têm-no. Encontrar calceteiros, jardineiros e assistentes operacionais, no geral, é muito difícil. Tal como engenheiros informáticos ou civis”, constata o autarca. Até porque, refere, “países como a Alemanha ou os Estados Unidos têm estado a recrutar altos quadros em Portugal”. “A pandemia veio estimular isso, com o crescimento do teletrabalho”, frisa Ribau Esteves.

Segundo o edil aveirense, “o setor social” é outra das áreas afetadas. Paulo Gravato, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vagos e representante das IPSS junto da CIRA, confirma. “É muito difícil encontrar quem queira trabalhar aos fins de semana e feriados, o que é necessário quando falamos de estruturas residenciais para pessoas e idosas e de centros de acolhimento temporários de crianças e jovens”, explica.

A indústria é outro dos setores afetados pela dificuldade de recrutamento. Mais ainda quando se fala de trabalho especializado. “Temos esse problema há 10 ou 20 anos, desde que fecharam as escolas industriais”. A maior parte dos nossos homens têm já acima de 50 anos. Não são empregos que se possa meter alguém sem qualquer experiência a fazer”, refere Maris Dias, sócio-gerente da Serimm – Montagens e Manutenções Industriais, empresa que tem 75% do trabalho em França e em Espanha.

Contratar imigrantes

Maris Dias diz que conhece empresários que têm solucionado o problema a “recrutar trabalhadores de fora, de países asiáticos, por exemplo”. O que, no seu caso, “não é viável, devido à especificidade do trabalho”. Mas também as IPSS têm apostado no recrutamento de trabalhadores oriundos de outros países, como do Brasil ou da Venezuela.

A Primus Vitória, empresa de Aveiro de revestimentos e pavimentos cerâmicos, garante que está “em recrutamento permanente” e enfrenta dificuldades para encontrar funcionários. Mas o absentismo e as desistências inesperadas de trabalhadores obrigaram a que, há cerca de um ano, a empresa adotasse uma nova política: trabalhar sempre com 15% mais de trabalhadores do que aqueles de que realmente necessita. Tudo para que nunca falte mão de obra para cumprir os compromissos assumidos.

“Tal como acontece a todos os meus colegas industriais, há bastante tempo, temos dificuldade em encontrar gente que queira trabalhar”, assume Alexandre Ré, administrador da Primus Vitória. Mas o problema, assegura, “não é só esse”. “Existe um fenómeno recente que não consigo compreender. As pessoas estão empregadas e, de repente, deixam de aparecer para vir trabalhar. E nunca mais dizem nada”, explica o empresário, que garante que essa é uma realidade que acontece “quase todas as semanas”.

Para fazer face ao problema, a Primus Vitória – que diz pagar “acima do salário mínimo” e que tem 140 trabalhadores – começou a recrutar mais gente do que necessita. “Funciona quase como um banco de suplentes”, explica Alexandre Ré. Por outro lado, para recrutar trabalhadores, “bate a todas as portas, nomeadamente a agências de trabalho temporário”.

“Muita gente, depois, é contratada por nós. Mas percebemos que era mais fácil ir por esse caminho”, assegura. A contratação de imigrantes que procuram emprego diretamente na empresa também já é uma realidade.

Ribau Esteves defende que “o aumento do rendimento do trabalho, em Portugal, é fundamental”. Mas alega que tal não é possível “se não houver aumento da produtividade”, na qual o país ainda tem “baixos níveis”.

Trabalho e não trabalho

Para o presidente da CIRA, “é necessário aumentar a distância entre o rendimento mínimo do trabalho e o máximo do não trabalho”. E dá o exemplo de quem prefere “ganhar 450 euros numa formação e complementar com trabalho não declarado”.

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