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“A pandemia fez apreciar mais o que é importante – a família” – Fernanda Silva

FernandaSilva - natal - milenio stadium

 

Tinha 18 anos – quase a fazer 19 – quando chegou ao Canadá. Há 51 anos. O marido de Fernanda Silva já a esperava para começarem juntos uma vida nova num país distante, mas que representava esperança no futuro. Fernanda nunca tinha trabalhado fora de casa, era a menina da família e até sair da sua terra ocupava os dias a aprender, com a sua mãe, a cuidar da casa e da família. Quando chegou ao Canadá não tinha mais ninguém para além do marido. Moravam num terceiro andar, com um quarto, pequeno, mas aconchegante. Foi ali que vida do jovem casal recomeçou.

A chegada a Toronto aconteceu no princípio de novembro. Do avião, Fernanda viu uma cidade iluminada pelo sol, mas percebeu rapidamente, quando chegou à rua, que o sol não conseguia aquecer os dias frios que já se faziam sentir. Fernanda Silva recorda ainda o impacto de ver uma cidade grande, onde se andava nos street cars e bus e falava uma língua que ela ainda não sabia falar. Depois a sua timidez também não ajudava a uma integração mais fácil. Quando saía à rua e via letreiros nas lojas a dizer que falavam português, queria logo entrar para falar com alguém (para além do marido) na sua língua natal.

O Natal chegou e Fernanda recorda: “comprámos uma árvore de Natal daquelas artificiais e pusemo-la num canto da sala, porque não tínhamos muito lugar, não é? Depois enfeitámos a árvore, até que chegou aquela altura de comprarmos uma lembrança. Naquela altura coisas simples como uma caixa de chocolates ou coisas assim, para lembrar aquela tradição de lá. Parece-me que o meu marido, não me lembro já muito bem, mas parece que ele que me ofereceu um urso de peluche. Não foi nada de especial, mas estávamos juntos e estávamos ok. E era o principal.”

 

FernandaSilva - natal - milenio stadium
Créditos: Fernanda Silva

 

De então para cá muita coisa mudou e o Natal passou a ser diferente – com os filhos e agora os netos -, mas na essência para Fernanda continua tudo igual: “na minha família, sim, porque nós juntamo-nos na consoada, no Natal e quer dizer, estamos em família. Claro que temos agora netos e as crianças não gostam de esperar para abrir as prendas e eles abrem as suas na sua casa, não é? Mas enquanto estão ali, abrem as nossas ofertas. Continuo a fazer a árvore e eu faço sempre o presépio, porque era uma coisa que fazia na minha terra. Portanto, é uma coisa que mantemos. Na comida a tradição é sempre o bacalhau, as coisas doces, tem sempre essas coisas. Há que manter sempre a tradição.”

No entanto, Fernanda Silva, como mulher atenta ao que a rodeia, acha que hoje o Natal vai ser encarado de maneira diferente por muita gente: “acho que este ano vai ser diferente, porque com esta coisa da pandemia houve muitas famílias sem se poderem juntar. Sei que este ano, pelo menos as pessoas com quem eu falo mesmo que não sejam portuguesas, todos estão contentes por se juntarem em família. Este ano acho que é diferente, que vai ser mais a família e amigos do que antes, penso eu. Acho que esta coisa da pandemia fez apreciar mais o que é mais importante na vida. A família, a amizade e não tanto as outras coisas, não é? A saúde, muito em especial a saúde”.

Madalena Balça/MS

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