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2020. Um ano para (não) esquecer!

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DR.

 

Para mim e para a imensa maioria de todos aqueles que habitam este planeta chamado Terra, não há memória de um ano tão mau, tão ruim, como aquele que agora finda. As razões são sobejamente conhecidas e relembrá-las é um exercício doloroso que nos transporta para as dúvidas e preocupações sobre os anos vindouros e o desejado fim desta pandemia que agora nos afeta e que tantos prejuízos tem causado em vidas humanas e nas economias dos países, tornando milhões de pobres ainda mais pobres.

Mas a destruição causada por esse terrível vírus que provoca a Covid-19 não nos pode fazer esquecer as dezenas, senão centenas, de conflitos armados que durante o ano 2020 se prolongaram e recrudesceram um pouco por toda a parte, ceifando vidas humanas e fomentando a desgraça entre as famílias mais desprotegidas do planeta, perante a indiferença das sociedades mais poderosas, ocupadas com as estratégias de poder regional e mundial ou pela salvaguarda ou conquista dos seus particulares interesses económicos. A este propósito e por ser uma região bem conhecida de muitos portugueses que por lá passaram, saliento a guerra movida pelos sanguinários fundamentalistas islâmicos da Al-Qaeda, na zona de Cabo Delgado em Moçambique, rica em gás natural e local de um megaprojeto a ser desenvolvido por uma grande empresa petrolífera, que já causou mais de duas mil mortes e cerca de 600.000 deslocados sem quaisquer condições de sobrevivência.

Assim, no caso anterior e em muitos outros, o mundo em 2020 elegeu-se pela continuidade de muita violência em todas as áreas suscetíveis de pertencer militarmente à cobiça e ambição das mais variadas forças estrangeiras, divorciadas dos interesses das populações locais, as quais vieram multiplicar o drama dos refugiados que assolam às margens da Europa, procurando um refúgio contra a guerra e a fome que os assolam e que neste continente acabam por encontrar apenas uma tenda e alguns víveres de subsistência que os mantêm vivos e desesperados.

Por todo este conjunto de razões, o ano que agora finda não deixa saudades! Mas será que o Novo Ano é mais promissor?

Em Portugal e porventura em muitos outros países, os efeitos desta peste viral colocaram a nu toda uma série de carências e negligências, nomeadamente nas estruturas sanitárias capazes de atender às necessidades das nossas populações envelhecidas e de uma sociedade com muitas dificuldades em se rejuvenescer. Partindo do pressuposto de que as novas vacinas que estão a ser administradas aos cidadãos conseguirão criar um grau de imunidade eficaz, face às atuais vagas de Covid-19 e suas congéneres ameaçadoras, será que aprendemos o suficiente para dotar os nossos cuidados hospitalares dos equipamentos humanos e materiais capazes de nos defender de eventuais circunstâncias futuras que possam surgir?

Bem sei que é preciso muito dinheiro para superar as nossas atuais fragilidades económicas, dilatadas pela falta de produção de 2020 e pelas ajudas sucessivas do Estado aos setores económicos nacionais em grandes dificuldades de sobrevivência, aumentando assim o peso da dívida portuguesa. Também sei que o fim esperado desta “guerra” contra a epidemia não estará para breve e continuará, durante longos meses, a afetar o erário público, dificultando as ajudas às empresas e aos empregados e conduzindo a um aumento de falências e desempregados. E as inevitáveis contestações!

Sei por fim que, um país como Portugal, muito dependente do setor terciário e das situações em que se encontram outros países, nomeadamente no setor turístico, terá de ter uma situação estável do ponto de vista sanitário, capaz de captar a confiança externa e interna dos consumidores, para conseguir atingir a estabilidade anterior ao vírus. E isso vai demorar o seu tempo.

Eventualmente, os milhares de milhões que iremos receber da UE, destinados a financiar projetos capazes de “endireitar” as nossas contas e modernizar a nossa economia, entre a análise do que se propõe fazer, o financiamento e a execução desses projectos, decorre um vasto período que, inevitavelmente, entrará no segundo semestre de 2021, logo, não é para “amanhã”. E espero que não seja para “depois”, por falta de controlo dos investimentos!…

Para manter a eterna esperança num melhor Ano Novo, não podemos iludir a realidade do que somos e do mundo que nos rodeia, pelo que, sem querer ser muito pessimista, 2021 prolongará a agonia de muitas empresas nacionais e dos seus trabalhadores, será um ano em que nos reinventamos para assegurar a continuidade e ele sim, um ano esperançado em dias melhores. E isto, se não for provocada mais uma crise política que nos adie essa esperança. 

Esperemos que as variantes da atual Covid-19 sejam, de facto, combatidas pelas atuais vacinas porque, se for o caso de ter de se produzir outras, serão (pelo menos…) mais seis meses de adiamento!

Porque tudo isto é uma situação nova, que veio ao encontro de velhos problemas, tenho uma certa desconfiança quando, para “adoçar a pílula” e antes da resolução de uma parte substancial dos problemas, se começa a afirmar “que já se vê uma luz ao fundo do túnel”. É que… essa luz pode ser a do farol de um comboio de outros problemas que venha na nossa direção!…

De qualquer forma, desejo-vos a todos e aos vossos familiares e amigos um Bom Ano cheio daquilo que têm de obrigatoriamente de preservar: a saúde!

Luís Barreira/MS

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