Temas de Capa

O futuro vai ser sorridente sempre e enquanto houver sócios

Até onde e até quando vai ser possível sobreviver?

Qualquer clube ou associação consegue sobreviver sempre que consiga equilibrar as contas com o número de sócios pagantes, esperando as festas que habitualmente se faziam e que se transformavam em verdadeiras enchentes. A pouco e pouco tudo isto vai terminar. Um dia um cronista num jornal luso perguntava o seguinte: qual o futuro do associativismo português? Eu hoje coloco a mesma pergunta, especialmente no tempo que estamos a passar e em que uma grande percentagem de pessoas começou a habituar-se ao novo tipo de vida. No início da chegada da imigração as pessoas com as saudades juntavam-se aos grupos – falava-se dos produtos, da vida deixada para trás, dos familiares etc., havia uma preocupação em se unirem em grupos para passar o tempo. Os jovens corriam todos os domingos para a missa à procura de alguém para se fazer amigos, até para se arranjar namorado/a. Alguém, aos poucos, percebeu que as saudades eram tantas, que começou a importar caixas de produtos portugueses, dos mesmos que se ia falando nas esquinas com saudades. Produtos esses que, no espaço de horas, desapareciam. Em pouco tempo começou-se a fundar clubes, as pessoas iam chegando e com tantas saudades formavam um grupo que, em pouco tempo, se transformava em clube. Ali se faziam grandes casamentos. Era tudo fácil, não havia telemóveis, não havia espaços para entretenimento, fazia-se de tudo para passar o tempo próximo uns dos outros, mas faziam com orgulho, com gosto pelas suas terras. Procuravam sabedoria para poderem transmitir aos que começavam a nascer por estes lados. Tudo era feito sem interesses e de forma simples e com muito amor pela terra.

O futuro vai ser sorridente sempre-canada-mileniostadium
Créditos: DR.

Os tempos foram passando e as coisas começaram a evoluir, a geração que veio a seguir, os que chegaram na adolescência e os que já nasceram cá, evoluíram muito, os luso-canadianos estudaram, muitos formaram-se em áreas destacáveis e, rapidamente, se conseguiram integrar na sociedade canadiana. Hoje graças a esses podemo-nos orgulhar de ter portugueses na área da advocacia, políticos, médicos, engenheiros, grandes empresários, que deram a conhecer o nome de Portugal por estas terras. Nós portugueses devemos de nos sentir orgulhosos dos que enveredaram pela formação, não desfazendo todos em geral, porque nem todos podem ser médicos, advogados etc. 

Por estas e outras razões que já escrevi sobre o mesmo assunto numa crónica de opinião, é que atualmente e com a vinda da pandemia para o nosso meio, tudo vai ser muito difícil, espero estar enganado, mas a geração que frequentava as associações comunitárias com gosto e procurava ajudar sem interesses nenhuns, não vai ter a mesma força nem disponibilidade que tinha e, mesmo os jovens que até ainda frequentavam porque os pais faziam questão de os ver envolvidos, esses também não vão ter a mesma garra. Esta interrupção veio trazer formas de pensar diferentes e de ver as coisas. A juventude, mais do que ninguém, tem outros objetivos na manga e não é passar um fim de semana em volta de pouco. Fundaram-se clubes muito do mesmo, nada foi pensado a pensar no futuro, foi sim a pensar cada um em ser representante de algo. Até se tornaram líderes de clubes e associações sem ter nada a ver com a região dos mesmos, era mesmo “eu quero ser”, agora vêm as consequências. E ninguém vai dar o braço a torcer, isto é, admitir que há dificuldades graves para a continuação de tantos clubes e só se vão prejudicar ainda mais uns aos outros. Espero estar enganado, mas na abertura vai ser tudo um mar de rosas, mas a pouco e pouco vai-se notar um decréscimo na adesão, o que é normal pelas razões que mencionei em cima.

Está na hora de dar as mãos e unirem-se e tornar a comunidade mais forte e trabalhar para aquilo que há muito se tem vindo a falar, a Casa de Portugal. A nossa comunidade ainda vai tendo alguns recém-chegados que procuram os clubes para matar saudades, mas mesmo esses estão a ficar cansados e muitos estão a fazer as malas e a regressar ao outro lado. Outra das razões que vai prejudicar muito o associativismo é o custo de vida que tem vindo a aumentar – uma coisa louca -, e os ordenados não acompanham as despesas, por essa razão muita juventude que cá chegou nos últimos 10 anos está a regressar porque não aguenta. Até desses se vai notar a falta em certos clubes.

Caros leitores e especialmente classe ligada ao associativismo, vamos lá simplificar as coisas e dar as mãos à palmatória – somos guerreiros e sempre soubemos defender Portugal pelo melhor. Porque não agora? A união faz a força.

Bom fim de semana.

Augusto Bandeira/MS

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