Temas de Capa

Investir na prevenção e na segurança é a chave!

O Dia Nacional de Luto ocorre no dia 28 de abril em honra de todos aqueles que perderam a vida, foram feridos, sofreram ou sofrem de doença profissional. Este dia foi instaurado a nível nacional, através de legislação aprovada pelo parlamento, a 1 de fevereiro de 1991.

Todos os anos, neste dia especial para os envolvidos, o WSIB e MOL comunicam os seus números referentes às fatalidades e acidentes na província do Ontário. Em 2017 os números já conhecidos voltam a ser alarmantes. Morreram 227 pessoas na província, vítimas de um acidente ou doença provocada no trabalho. Estes números estão incluídos no total geral de acidentes registados, que totalizaram 44,660. Estes trabalhadores viram a sua vida profissional e familiar completamente alteradas e, em muitos casos, com uma lesão permanente. Este número reflete, sensivelmente, 19 fatalidades a cada mês que passa. São 19 trabalhadores que saem de manhã para trabalhar e não voltam ao fim do dia para os seus entes queridos.

Ainda assim, estes números não são 100% reais, pois temos que adicionar os acidentes que nem chegaram a tornar-se oficiais e há que ter em conta aqueles que sofrem de doenças prolongadas/terminais que foram causadas nos locais de trabalho e que não são contabilizados, uma vez que se desconhece a causa/efeito. O que nos levaria a números ainda mais elevados.

Para todos envolvidos na segurança no trabalho (direta ou indiretamente) muito mudou nos últimos 10 anos. Legislação nova, requerimentos, cursos/treinos novos que são para trabalhadores e para os empregadores. Tudo isto com o objetivo de combater e reduzir estes números. Contudo, a economia da província continua a crescer exponencialmente em todas as áreas, tornando-a uma das mais robustas do nosso país. É devido a todo este crescimento que o nosso mercado de trabalho não consegue dar resposta a todas as necessidades o que, a meu ver, é onde se nota a maior lacuna a nível de segurança.

A multiplicação de empresas que nascem apenas com o intuito do lucro fácil, da resposta a necessidades de curto prazo e em conjunção com uma legislação muitas vezes permeável, que não obriga a vários requisitos desde que se empregue menos de cinco trabalhadores. Esta é a mistura explosiva que nos tem trazido, em grande parte, a estes números elevados.

Uma empresa quando é fundada ou entra em atividade deveria ser obrigada a submeter às autoridades competentes um plano de trabalho e um plano de segurança para os seus trabalhadores, sendo forçados a providenciar a formação e treino necessário para a atividade a desempenhar.

São muitos os casos conhecidos de trabalhadores que, com ou sem documentação e por variadas razões, entram no mercado de trabalho munidos de certificações e cartões de segurança falsos, vendidos por indivíduos sem escrúpulos em busca de dinheiro fácil e que colocam a vida dessas pessoas em jogo, pois vão desempenhar funções e usar equipamento de segurança que nunca viram. Qualquer trabalhador tem o direito de ser devidamente informado e receber o treino apropriado antes de iniciar o seu trabalho – como é obrigatório segundo a legislação em vigor, aliás.

Todas estas evoluções, toda esta prosperidade e riqueza na província faz de nós um exemplo a nível nacional, mas estamos a pagar um preço muito alto! Será que vale a pena? Será que a morte de um pai, um filho, um irmão no local de trabalho tem um preço? Será que a mágoa, a tristeza e o desespero de um familiar ou ente querido tem preço? Penso que não. Será que todos nós diretamente envolvidos na promoção e implementação da segurança no trabalho – desde representantes de segurança, empregadores, gerentes e sindicatos – estamos a fazer o suficiente? Penso que não.

Está comprovado que cerca de 50% dos acidentes nos locais de trabalho são completamente evitáveis e/ou poderiam ter sido prevenidos.

Geralmente o que falha é o planeamento do trabalho, o planeamento da segurança a adotar e o equipamento de proteção pessoal a utilizar. Tudo isto, principalmente, devido à falta de formação dos envolvidos.

Contudo, há uma luz ao fundo do túnel. MOL e WSIB têm, nos últimos anos, implementado medidas e normas e, através da diversa comunicação social, têm trazido informação bastante útil para todos, no sentido de criar um local de trabalho mais seguro.

Em relação às empresas que laboram na província, também estas têm mostrado uma mudança de atitude notória. A palavra produção já consegue viver com a palavra segurança, e a palavra lucro consegue viver com a palavra bem-estar. Está mais que provado que um trabalhador seguro no seu posto de trabalho é um indivíduo mais produtivo e descansado. Também se percebe que um trabalhador com treino e conhecimento, relativamente às normas de trabalho seguro e respetivos requerimentos de segurança tem, nada mais, nada menos, que oito vezes menos probabilidades de ter um acidente!

Investir na formação profissional e de segurança no trabalhador é, a meu ver, a chave para a diminuição destes números de vítimas, pelo menos na área de construção, que é onde eu estou diretamente envolvido e é onde o acidente, geralmente, atinge proporções mais graves ou até fatais. Daí a necessidade de uma vigilância mais apertada quer por parte das entidades competentes, quer por parte das próprias companhias, dando formação adequada aos seus trabalhadores, mas também providenciar todo o equipamento de segurança adequado para o trabalho em mãos.

A vigilância constante das equipas de trabalho é também uma forma de educar e fazer cumprir as regras àqueles que não querem ou resistem ainda a um ambiente de trabalho seguro.

Está visto e é notório que todo este aglomerado de normas, requerimentos e ações relacionadas com segurança no trabalho tem um custo associado. No entanto, o custo calculado diz-nos que por cada $1.00 gasto em promover segurança haverá um retorno de $1.41, a longo prazo.

Na minha ótica, para qualquer companhia que tenha o retorno do seu investimento como prioridade, parece-me que investir na segurança dos seus trabalhadores traz mais retorno que uma simples aplicação na banca ou na bolsa. Mas o verdadeiro retorno na vida social de uma empresa é ter a certeza de que os seus funcionários voltam às suas casas, todos os dias, em segurança. Todos nós temos alguém à nossa espera! Estar e trabalhar num local seguro deveria ser um direito e não uma opção.

A empresa que represento já há alguns anos sempre teve uma postura proativa em relação à segurança no trabalho. Novas exigências e a necessidade de proteger os seus funcionários levou a companhia há alguns anos atrás a tomar medidas de fundo, criando um departamento de segurança, com o apoio e orientação da gerência, mantendo um papel bastante ativo na pessoa do seu presidente. Foram criadas normas e políticas mais exigentes e, fruto de um acompanhamento diário, os resultados estão à vista. Pese embora algumas resistências e hábitos antigos, os trabalhadores abraçaram esta cultura de segurança no trabalho de forma surpreendente e nos últimos cinco anos os nossos incidentes e/ou problemas relacionados com segurança no local de trabalho reduziram, aproximadamente, 70%.

Dado tudo isto, o passo natural tomado pela gerência foi a inscrição da companhia para o COR (Certificado de Reconhecimento e Acreditação de Segurança na província). Este certificado reconhece e acredita a companhia que atinge um nível de segurança de excelência num âmbito nacional.

Este é tido como um passo natural, não com o objetivo principal de poder aceder a novos mercados, mas acima de tudo manter os nossos trabalhadores e todos os relacionados num constante ambiente seguro e saudável.
Também nós trabalhadores consideramos que segurança é igual a vencimento acrescido, pois promovê-la faz com que nos sintamos mais seguros do que em qualquer outro local onde esse fator é apenas um acessório, nem sempre usado.

Para finalizar, gostaria que neste dia 28 de abril 2019 dedicássemos todos 1 minuto de silêncio e reflexão para aqueles que morreram ou foram atingidos, de qualquer forma, por um acidente de trabalho e outro minuto para tomar uma atitude positiva e segura no nosso local de trabalho. Todos juntos podemos combater estes números. Pensemos em segurança no trabalho todos os dias, não só no dia 28 de abril.

Sérgio Babel

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