Editorial

Toronto Dias soalheiros, noites escuras

Toronto – Sunny Days, dark nights-toronto-mileniostadium
Cartoon by Stella Jurgen

Toronto, a capital da província de Ontário, é uma metrópole que tem vindo a crescer, exibindo os seus arranha-céus, todos diminuídos pelo simbolismo fálico da CN Tower, que ou é a identidade deste sítio a que chamamos casa ou o dedo do meio para aqueles que, sem casa, consideram Toronto o seu lar. Com uma população de cerca de 3 milhões de pessoas, são vários os que noutras partes do mundo votam consistentemente em Toronto como sendo uma das melhores cidades para se viver. Mas será que é mesmo? E o que é que Toronto deve aos seus cidadãos como recompensa pela contribuição que fazemos para o seu bem-estar diário? A mistura de obstáculos que enfrentamos diariamente não produzem um efeito positivo nas nossas vidas. Na verdade, as interferências e obstáculos que enfrentamos para viver nesta cidade são uma lembrança constante que as pessoas não são o bem mais precioso, ao invés, o que importa são as agendas políticas dos burocratas.

Os políticos municipais poderão sugerir que, de todos os governantes, são os mais sobrecarregados, contudo, parecem esquecer-se que são também os mais privilegiados e a embriaguez de poder que muitos exercem afetam as nossas vidas diárias, o que não acontece com outros níveis de governo. Eles são o único nível de governo que põe o seu nariz nas nossas casas e ditam o quanto devemos pagar por coisas como a recolha de lixo ou excrementos que correm pelas nossas sanitas, isto sem que o cidadão comum se possa pronunciar sobre o preço a pagar.

Muitas vezes, questiono quem são estes indivíduos autocratas que podem ditar a forma como vivemos e impor regras ditatoriais e imperiosas, às quais temos de nos sujeitar. Eles já foram uma pessoa como eu e como você que entraram num castelo protegido por proclamações regulatórias que sugerem que estes dispõem do poder para controlar e promulgar regras nos artesãos mentais e construtores desta cidade. Estes governantes ditatoriais conspiram em nome da democracia para colocar barreiras em frente às leis democráticas que criam e que a maioria dos cidadãos esperam. Em troca de impostos inflacionados e outras cobranças impostas, nós recebemos ruas congestionadas, acampamentos de sem-abrigo nos parques, decisões atrasadas em projetos e cortes de fitas a cada oportunidade, enquanto se espera pela próxima eleição. E aquilo que realmente importa, como menos crimes nas nossas ruas, a ajuda à sobrevivência de pequenos negócios e a garantia de que aqueles que precisam de ajuda a têm? O monólogo de pronunciamentos que sugeriam que vivemos na melhor cidade do mundo já não são novidade. Aqueles que vivem os desafios diários de Toronto compreendem as ameaças ao nosso futuro e o desafio das forças obstrucionistas que irão contrariar todos aqueles que trabalham diariamente para tornar Toronto melhor. Os políticos já não compreendem os seus cidadãos, enquanto isso protegem-se nos seus comportamentos que demonstram elevados padrões morais.  A retidão é de todos aqueles que querem o melhor para todos e não daqueles que só o querem para eles próprios.

Se você quiser experienciar a verdadeira cidade de Toronto, caminhe pelas ruas à noite onde está a nascer um novo Toronto. O coração de uma cidade que evidencia o melhor e o pior da humanidade e estimulação espiritual, acontece na noite, durante as horas de escuridão nas ruas desta grande metrópole. Vá fazer uma caminhada e respire as vistas, os sons, os sabores e os vapores de Toronto para conhecer verdadeiramente a casa onde habita. Só assim é que poderá compreender as realidades de Toronto, tal como é durante o dia e durante a noite.

Fique bem e construa um Toronto para todos nós.

Manuel DaCosta/MS


Version in english

Toronto – Sunny Days, dark nights-toronto-mileniostadium
Cartoon by Stella Jurgen

Toronto – Sunny Days, dark nights

 

Toronto, Capital of the province of Ontario, a metropolis that has grown showing off its skyscrapers all dwarfed by the phallic symbolism of the CN Tower, which is either the identity of this place we call home or the finger that says F. U. for many who consider Toronto their home without a home. With a population of about 3 million people, many in other parts of the world consistently vote Toronto to be one of the best cities to live in. But are we? And what does Toronto owe its citizens as retribution for the contribution we make to its daily well-being? The hodgepodge of daily obstacles we face certainly does not provide a constant reminder that people are not the most precious commodity, but the political agendas of the bureaucrats are what matters.

Municipal politicians may suggest that they are the most overburdened of all governments, however, they appear to forget that they are also the most privileged and the drunkenness of power which many exercise affects our daily lives unlike other levels of government. They are the only level of governance that puts their nose in our homes and dictate how much we should pay for things such garbage or the excrement which flows down our toilets without the common citizen having a say on the costs. Often, I wonder who these autocratic individuals are that can dictate how we live and who impose imperious and dictatorial rules by which we are expected to comply with. Once they were people like you and I who entered a castle protected by regulatory proclamations that suggest they have the power to control and promulgate rules on the mental artisans and constructors of this city.

These dictatorial rulers conspire in the name of democracy to place barriers in front of the very democratic laws they create and which most citizens expect, in exchange for inflated taxes and other charges they impose, we get clogged streets, encampments of homeless in our parks, delayed decisions on projects and ribbon cuttings at every opportunity while waiting for the next election. How about what really matters such as less crime in our streets, helping small business thrive and ensuring that those most in need get help. The soliloquy of pronouncements suggesting we live in the greatest city in the world is old news. Those of us who live the daily challenges of Toronto understand the threats to our future and the defiance by the obstructionist forces which will counter all those that work each day to make Toronto better. Politicians no longer understand their citizens as they cocoon themselves into their perceived virtues. Righteousness is for all who want the best for all and not only for themselves.

If you want to experience the real Toronto, walk the streets at night where a new Toronto is born. The heart of a city which shows the best and the worst of humankind and spiritual stimulation, happens during the dark hours in the streets of this great metropolis. Go for a walk and inhale the sights, sounds, favours and fumes of Toronto to appreciate the home you live in. Only then you can appreciate the realities of Toronto as is by day and night.

Be well and build a Toronto for all of us.

Manuel DaCosta/MS

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