Portugal

Primeira dia da safra trouxe muita sardinha, mas “magra e curta”

Procura da sardinha cai a seguir aos santos populares. Fotos: Carlos Carneiro / Global Imagens

Preço não passou dos 58 cêntimos por quilo. Espera que os santos populares venham compensar os orçamentos de um 2023 mau para o setor.

“Não compensa andar ao mar!”, atira Esmeraldo Gonçalves, enquanto coloca mais um cesto de sardinha no empilhador. O “Ilídio Martins” foi para o mar à 1 hora. Chegou às 8 horas. Trouxe o máximo que podia: 200 cabazes. Mas o peixe “era miúdo” e acabou vendido para a conserva, na lota de Matosinhos, a 13 euros o cabaz (22,5 quilos). Contas feitas, não chega a 58 cêntimos o quilo. No primeiro dia da época da sardinha, houve fartura, mas de sardinha “magra e curta”. Ainda assim, há quem veja na abundância “um primeiro bom sinal” para a época, que agora começa. Este ano, há 29 560 toneladas para pescar.

“Vendemos a 13 euros o cabaz. Nesta fase inicial e para o tamanho do peixe, até não foi muito mau. É para a fábrica [de conservas]”, explicou, ao JN, Manuel António Casal. O contramestre do “S. João Batista”. Esta setxa-feira de manhã, na lota de Matosinhos, mudava o nome do barco, repetia-se o cenário. A sardinha saiu quase toda para as conserveiras.

“Não me importava de vender o ano todo para a conserva. Ao menos era garantido. O ano passado, pescávamos, chegávamos a terra e não vendíamos”, afirma Manuel António, que, com o irmão, toca o barco da família.

É que em junho, julho e agosto há os santos populares, depois o verão, o turismo e a restauração que asseguram o escoamento, mas, depois, a partir de setembro, a procura cai abruptamente. O ano passado, em dezembro, os barcos pararam sem esgotar a quota anual. O peixe era pequeno e, sem comprador, houve quem deitasse toneladas ao mar.

Procura da sardinha cai a seguir aos santos populares. Fotos: Carlos Carneiro / Global Imagens

Este ano, a quota nacional caiu para as 29 560 toneladas (foram 37 642 em 2023). Os pescadores não protestam. Querem é que os compradores apareçam e, como diz Manuel António, os contratos de abastecimento com as conserveiras seriam “muito bem-vindos”.

Em 2023, o “S. João Batista” sofreu e, no final de novembro, acabou por encostar ao cais. Os 12 tripulantes estiveram cinco meses em casa “parados e sem receber”. Agora, só regressar já é um alívio e Manuel António prefere pensar positivo: “Existe abundância de sardinha no mar e isso dá boas perspetivas”.

Biqueirão também não apareceu

“A sardinha está igual ao ano passado”, diz João Rebelo. A sina do “Ilídio Martins” e do “S. João Batista” repetiu-se no “Mar Pacífico”. João tem 44 anos de mar, 59 de vida. A sardinha “já foi chão que deu uvas” e, para a arte do cerco, a faina não tem sido fácil.

O ano passado, o “Mar Pacífico” parou em dezembro. Em Janeiro voltaram ao mar. Esperava-se que o biqueirão pudesse aparecer e compensar os maus meses de outubro e Novembro. Não aconteceu.

“Não havia nada e voltamos a parar”, explica. Cinco meses em casa e, no regresso, “meia alegria”. “É a vida”, diz, encolhendo os ombros resignado, o pescador, natural de Matosinhos. Agora, espera que o mês dos santos populares traga “sardinha maior e mais algum na carteira”.

Até lá, pelo menos sorri com o tão esperado regresso ao mar, a visão do porto cheio de barcos, o corrupio das gaivotas e o cheiro a peixe fresco. O almoço vai ser sardinha. “Já dá para matar saudades e esperar por melhores dias”.

JN/MS

Redes Sociais - Comentários

Artigos relacionados

Back to top button

 

O Facebook/Instagram bloqueou os orgão de comunicação social no Canadá.

Quer receber a edição semanal e as newsletters editoriais no seu e-mail?

 

Mais próximo. Mais dinâmico. Mais atual.
www.mileniostadium.com
O mesmo de sempre, mas melhor!

 

SUBSCREVER