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Filhos? Não, obrigado

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Ter filhos costuma ser visto por muitas pessoas como uma perpetuação da espécie, no caso com seus próprios genes, uma maneira de continuar vivendo através dos descendentes. Para alguns é o sonho de uma vida inteira, casar-se, constituir uma família e claro, filhos costumam estar nesse pacote. Na visão de algumas religiões procriar é até mesmo uma obrigação dos seres humanos.

É cada vez maior, no entanto, o número de pessoas que vai na contramão dessa ideia e decide, mesmo estando casados ou tendo um companheiro, optar por não ter filhos. As razões para tanto são variadas e a pandemia de Covid-19 que assolou o mundo, e nos tirou tantas certezas, parece ter apenas multiplicado o número de adeptos desse pensamento. Alguns pela incerteza do que o futuro reserva para a humanidade, outros por pura falta de vontade (afinal nem todos nascem com esse desejo), tem aqueles que por optam por se dedicarem à carreira profissional, e tantas outras questões, podem ser ambientais, financeiras (só quem têm filhos sabe o quanto é dispendioso), de saúde, de estilo de vida, não ter encontrado a pessoa certa…são incontáveis e muito pessoais os fatores que levam uma pessoa a decidir por esse caminho.

No caso da designer gráfica Fabiane Azevedo, de 50 anos, foi a liberdade que a fez não ter filhos. Desde muito cedo, aos 15 anos, disse já saber que ser mãe não se encaixava nos planos para seu futuro. “A obrigação, a extrema responsabilidade que ter um filho implica, a falta de liberdade de ir e vir, isso sempre foi algo que eu sabia que não era para mim. Já bastava ser responsável pela minha própria vida”, destaca.

Ao longo dos anos, e até quando esteve casada, a ideia permaneceu a mesma e inclusive deixou claro para o companheiro que essa era sua condição para seguir na relação. “Minha prioridade sempre foi investir no meu trabalho e desfrutar a vida, poder viajar, fazer decisões sem nada que me prendesse a um lugar específico”. Para nossa reportagem ela contou que nunca se arrependeu dessa decisão, que acredita foi a mais acertada para o estilo de vida que gosta de levar. Apesar disso, conta que socialmente a pressão sempre foi grande e considera que muitas pessoas ainda não entendem quem decide não ter filhos. Os questionamentos eram, e ainda são, constantes: “As pessoas sempre ficam surpresas, já me senti muito julgada por algo que na verdade é uma escolha minha, ninguém tem nada a ver com isso” e emenda “Nunca achei ou senti que era obrigada a procriar por ser mulher. O meu instinto maternal simplesmente nunca existiu”.

No universo online essa realidade já ganhou até grupos de apoio, de pessoas que compartilham a falta de desejo de serem pais, e se juntam para dividir opiniões e até compartilhar experiências e possíveis preconceitos que essa escolha ainda traz, mesmo que atualmente tenha crescido, e muito, o número de mulheres e casais que fala abertamente sobre essa opção. No sentido social, a baixa da fertilidade, em especial em países como o Canadá, que não conta com uma população numerosa dado o tamanho de seu território, sempre acaba gerando questões socioeconômicas, uma vez que, de maneira prática, é preciso ter mão de obra ativa para pagar as despesas dos mais velhos. E os números demonstram que será preciso agir nessa área.

No Canadá essa tendência já é grande e segundo a Statistics Canada as taxas de fertilidade têm diminuído constantemente desde 2009, situação que se intensificou desde o início da pandemia da COVID-19: a taxa de fertilidade no país diminuiu de 1,47 filhos por mulher em 2019 para um recorde de 1,40 filhos por mulher em 2020.

Também em 2020, o Canadá registrou o menor número de nascimentos desde 2007 e o maior decréscimo anual de nascimentos (-3,6%) desde 1997, uma tendência semelhante à de vários outros países. O Censos de 2021 mostrou que a população por aqui cresceu 5,2% de 2016 para pouco menos de 37 milhões de pessoas em 2021. E foi a imigração, e não a fertilidade, que impulsionou o crescimento da população nacional durante esse período.

Para especialistas no assunto será necessário continuar investindo em imigração, mas é preciso fazer mais, com governos e empresas estendendo a vida ativa de trabalhadores, e dando condições adequadas para que se mantenham no mercado, além de ampliar os benefícios para aqueles que ainda optam e decidem ter filhos.

Lizandra Ongaratto/MS

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