Temas de Capa

A opinião do futuro

A comunidade portuguesa na Grande Área de Toronto está repleta de clubes e associações que, quase em uníssono, se queixam da falta de participação da juventude.
Os clubes lamentam o desinteresse dos jovens pela cultura portuguesa. Os jovens denunciam falta de modernidade e excessiva ligação a manifestações culturais doutros tempos, nas quais não se revêm.
Hoje trazemos-vos a opinião do futuro – a geração mais nova. São luso-descendentes ou portugueses que fazem do Canadá a sua casa.

Mónica Baptista, 28

Portuguesa a residir em Toronto

1 – Costumas frequentar algum clube ou associação luso-canadiana?

Não. Apenas se for convidada por alguém que faça parte das associações e clubes para uma festa.

 

2 – Porquê?

Não me identifico com o tipo de atividades/eventos.

 

3 – O que achas que deveria ser feito para os jovens se interessarem e participarem mais nas atividades dos clubes?

Primeiro deviam atualizar o repertório musical…

Segundo, na minha opinião, as festas são muito redutoras. É sempre a mesma coisa: jantar e baile em salões completamente parados no tempo que parecem museus e nada apelativos.

Talvez fosse importante modernizar os espaços, os conceitos… Até os jantares são sempre a mesma coisa: frango/bife com batatas e VEGETAIS. Sopa, sobremesa, café. E onde está a gastronomia portuguesa nisso? Não sei!

Era interessante optarem por concertos, em pé ou sentados, mas com animação – sem ser patrocinado por concertinas. Nada contra, muito a favor aliás, mas em demasia cansa!

Trazer artistas que agradem a graúdos, mas também a miúdos.

 

4 – Não sendo através dos clubes, de que modo tomas contacto com a cultura portuguesa?

Com pessoas! A maioria das minhas novas amizades, são pessoas portuguesas, ou que falam português, que fui conhecendo através de contactos profissionais ou por amizades em comum.

 

5 – Achas importante não perder a ligação à cultura portuguesa?

Extremamente importante! É o nosso ADN e o que nos distingue neste país tão multicultural. Somos uma comunidade com uma expressiva representatividade na comunidade canadiana e reconhecida por valores e características como o brio profissional, foco e empreendedorismo. Acho que algo muito característico do Português é ter um enorme orgulho de mostrar a sua origem e integrar-se relativamente fácil noutras comunidades.

 

 

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Tiago Baeta, 24

Luso-canadiano

 

1 – Costumas frequentar algum clube ou associação luso-canadiana?

Não.

2 – Porquê?

Não me atrai.

3 – O que achas que deveria ser feito para os jovens se interessarem e participarem mais nas atividades dos clubes?

Acho que se fizessem festas dedicadas a pessoas mais jovens, sem os mais velhos por perto, algo mesmo específico para jovens, fazia com que participássemos. A música que se ouve nessas associações e clubes não é, de todo, a música que nós queremos ouvir. Estamos todos fartos de música pimba. Talvez se essas associações tivessem jovens na direção e lhes permitissem mudar as coisas seria mais fácil – jovens atraem jovens.

 

4 – Não sendo através dos clubes, de que modo tomas contacto com a cultura portuguesa?

Vejo noticias portuguesas em casa, com os meus pais. Têm sempre a televisão num canal português de notícias.

 

5 – Achas importante não perder a ligação à cultura portuguesa?

Sinceramente não acho que seja por ir a um clube que me faz mais português. Há uns anos atras sim, entendo que as pessoas usam essas associações para se manterem ligados às suas raízes e conhecer pessoas. Agora não. Alem disso, honestamente não estou preocupado em manter essa ligação, se tiver amigos e pessoas portuguesas, ótimo, caso contrário, o Canadá é tão multicultural que não sinto essa necessidade de me manter “ligado” a uma só cultura.

 

 

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Jennifer DaCruz, 24

Luso-canadiana

1 – Costumas frequentar algum clube ou associação luso-canadiana?

Não.

2 – Porquê?

Eu ia quando frequentava a escola portuguesa, mas depois quando saí deixei também de ir a esses clubes. Não me despertava interesse. Não me sinto integrada em nenhum dos clubes, parece que não pertenço ali.

3 – O que achas que deveria ser feito para os jovens se interessarem e participarem mais nas atividades dos clubes?

Acho que deviam separar-se um bocado do género de coisas que têm feito – antiquadas. Se formos a uma associação dessas, o que se passa é: comida, dança, música muito antiga, nada de novo. A verdade é que se as festas fossem dedicadas mais à população jovem, a música seria completamente diferente, comidas diferentes, etc. As festas portuguesas aqui são sempre do mesmo género. Nós, a geração mais nova, gostamos de coisas diferentes! Se fosse diferente, talvez nos atraísse mais. E mesmo em relação à música, nós gostamos de variedade! Não tem que ser obrigatoriamente música portuguesa!

4 – Não sendo através dos clubes, de que modo tomas contacto com a cultura portuguesa?

Através dos meus pais.

5 – Achas importante não perder a ligação à cultura portuguesa?

Acho que devemos manter essa ligação, claro. Quantas vezes ouvimos luso-canadianos falarem ansiosos da viagem que vão fazer até Portugal? Ficamos sempre muito contentes! Eu adoro ir a Portugal, mas não faço parte de nenhum clube português aqui, mas isso não significa que a minha ligação à cultura e ao país não exista. A verdade é que para nós Portugal não é o que os clubes daqui mostram, é bem diferente e muito mais moderno. Eu tenho contacto com muitos jovens portugueses que vivem em Portugal e a realidade deles lá não é nada do que existe aqui – a música, como falava antes, é portuguesa, mas também é espanhola, francesa, inglesa! Aqui essas associações portuguesas parece que pararam no tempo. A verdade é que essa diversidade, essa diferença, é que nos atrai – se querem jovens, têm que se focar mais nisso e perceber o que é Portugal hoje e não há anos e anos atrás.

 

 

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Adam Gomes, 21

Luso-canadiano

 

1 – Costumas frequentar algum clube ou associação luso-canadiana?

Sim, pertenço ao Centro Cultural Português de Mississauga e à Associação Portuguesa da Universidade de Toronto.

 

2 – Porquê?

Eu faço parte do Rancho do PCCM e porque gosto de estar envolvido com a nossa cultura. Em relação à Associação Portuguesa da Universidade de Toronto é pelo mesmo motivo – sou, aliás, um dos executivos deste ano do grupo. A minha intenção, tanto numa associação quanto noutra, é de ficar ligado à cultura portuguesa e às pessoas que cresceram com as mesmas raízes.

 

3 – O que achas que deveria ser feito para os jovens se interessarem e participarem mais nas atividades dos clubes?

Eu acho que os pais têm responsabilidade nessa parte – manter interesse na ligação à nossa cultura. Eu noto em alguns amigos meus, mesmo com raízes noutro país, é que não se interessam muito em manter contacto com a cultura, falar a língua, etc.

Seja o que for que os clubes façam, se as pessoas não estiverem minimamente interessadas, não adianta. No entanto também acho que seja da responsabilidade dos clubes manter as coisas atrativas para os mais jovens. Uma das coisas que eu estou a trabalhar neste momento é em tentar perceber junto dos mais novos no PCCM o que é que lhes interessa e fazer eventos de acordo com o que eles gostavam de ver ou fazer.

 

 

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Andreia Lousada, 24

Luso-canadiana

 

1 – Costumas frequentar algum clube ou associação luso-canadiana?

Sim, faço parte do Arsenal do Minho.

 

2 – Porquê?

Gosto do ambiente de lá e danço no rancho adulto. Comecei nos Poveiros com sete anos e fui gostando mais e mais do rancho e agora estou no Arsenal do Minho. Tenho agora uma filha com um ano e quero também que ela se habitue a frequentar o Arsenal para ter contacto com a sua cultura.

 

3 – O que achas que deveria ser feito para os jovens se interessarem e participarem mais nas atividades dos clubes?

Eu acho que passa por dar oportunidade aos mais jovens de estar à frente destas associações. Os clubes não querem dar as responsabilidades maiores aos mais novos, parece que têm medo. Mas ao darem esses lugares aos mais jovens, a juventude vai envolver-se mais e tomar conta dos clubes no futuro – mas para isso precisam de ser envolvidos e aprenderem.

 

 

 

Catarina Balça

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