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Vivendo ou Morrendo no Canadá

 

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Os cidadãos canadianos sempre tiveram a expectativa de acesso a cuidados de saúde conforme a sua necessidade. Tommy Douglas introduziu o primeiro programa de seguro provincial em Saskatchewan e o resto do Canadá adotou diversas variações de assistência médica gratuita. O princípio fundador do sistema de saúde canadiano era o acesso a cuidados de saúde com base na necessidade, ao invés da capacidade de pagamento. A Medicare nasceu numa província em 1947 e depois espalhou-se por todo o país através da partilha de custos a nível federal, acabando por ser padronizado na lei federal, no Canada Health Act em 1984.

O financiamento dos cuidados de saúde é da responsabilidade federal, que transfere fundos para cada uma das províncias com base na sua população. Cada província tem a jurisdição na forma de entrega desses serviços de saúde.

O sistema canadiano de cuidados de saúde tem vindo a ser a inveja do mundo, muitas vezes citado por políticos dos Estados Unidos como um modelo que deveriam adotar. Hoje, se perguntar a algum canadiano, a resposta ao seu nível de satisfação com o sistema de saúde seria no seu melhor um sentimento de frustração, com alguns a avaliar a atual situação de cuidados como uma das piores do mundo. Como é que passámos de melhores a piores? É o sistema ou a gestão dos princípios pelos quais o sistema foi fundado que deixaram de ser fazíveis? O financiamento dos cuidados médicos chegou a $6.5 mil milhões anuais e mesmo com o aumento anual do financiamento, há 700.000 cirurgias em atraso no sistema. Muitos concordam que o sistema está fragmentado e é insustentável. A pior coisa que pode acontecer a alguém é visitar um hospital onde a burocracia, antes de se ver o médico, resulta em longas horas de espera e um serviço débil. Recentemente, foi permitido que um cliente morresse enquanto esperava ser atendido no serviço de emergência do hospital.

As enfermeiras e médicos estão sobrecarregados e fazem o papel de Deus enquanto tentam perceber a quem devem dar prioridade. O tempo de espera para determinados testes de diagnóstico pode chegar aos dois anos. Que sistema saudável, não é? Existe uma crise no Canadá e os nossos políticos não a confrontam porque não têm quaisquer respostas. Ao invés, temos um primeiro-ministro que se foca na redução do carbono como meio de tornar os canadianos saudáveis. Os canadianos precisam de ajuda agora antes que o sistema, que foi criado com boas intenções, colapse.

Vivendo numa cidade como Toronto, a crise é palpável. As ruas cheias de indivíduos que parecem “zombies”, a dormir em parques e em baixo de pontes porque não existe espaço na ‘pousada’ médica. Tente arranjar um novo médico de família, impossível, porque eles não podem, nem querem, acomodar mais pacientes. As pessoas estão cansadas de estar doentes e não existe esperança no horizonte, particularmente para os desfavorecidos na nossa sociedade, cuja taxa de mortalidade está a tornar-se numa crise. O Canadá exige uma revisão completa deste tipo de sistema insustentável. Atirar dinheiro para este sistema do século XX no século XXI é uma aposta perdida, e os nossos líderes não têm respostas. Desde o esgotamento de enfermeiros e médicos, à indisponibilidade das camas para confortarem os doentes, às ineficácias administrativas e à falta de mão de obra, os recursos de cuidados de saúde não estarão disponíveis para os canadianos quando precisarem e, portanto, a sua sobrevivência está a ser posta em risco pelo nosso governo. Merecemos uma proteção melhor por parte dos nossos líderes.

Permitir o acesso a cuidados de saúde privados para aqueles que podem pagar poderá aliviar alguma da pressão, contudo o sistema de cuidados de saúde, normalmente, vive ou morre com base no que acontece nas salas de emergência. Não permita que os nossos mestres políticos lhe digam que os problemas são relacionados com a Covid. Eles já existiam antes da pandemia.

O futuro calamitoso do sistema de saúde é o principal boletim do nosso governo. O Canadá está longe de ser o melhor, por isso nem pense em ficar doente neste país. Seja o seu próprio médico se conseguir e tome conta de si.

 

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Version in english

Living or Dying in Canada

Availability of as-required healthcare has always been an expectation of every Canadian citizen. Tommy Douglas introduced the first provincial insurance program in Saskatchewan and the rest of Canada adopted various variations of free healthcare. Access to healthcare based on need rather than ability to pay was the founding principle of the Canadian healthcare system. Medicare was born in one province in 1947, it then spread across the country through Federal cost sharing and was eventually harmonized through standards in Federal law as the Canada Health Act in 1984.

The funding of healthcare is a federal responsibility and transfer of funds are made to each province based on population. Each province has jurisdiction over the delivery of health services.

The Canadian system of health care has been the envy of the world, often cited by USA politicians as the model they should adopt. Today, if you ask any Canadian, the answer to the question of satisfaction with the healthcare system would be disappointment at best, with some rating the current situation of care delivery as one of the worst in the world. How did we go from the best to the worst? Is it the system or the management of the principles by which the system was founded that are no longer feasible? Financing of healthcare has reached $ 6.5 billion yearly and even with yearly increased funding, there are 700,000 surgeries in the backlog system. Many agree that the system is broken and unsustainable as is. The worst thing that can happen to anyone is to visit a hospital where the bureaucracy before you get to see a doctor results in long hours and poor service. Recently, a patient was allowed to die while waiting to be attended in emergency area of the hospital. Nurses and doctors are overworked and play God as they attempt to figure out who should have priority. Waiting times for certain tests can be as long as 2 years. That’s a healthy system, eh? A crisis exists in Canada and our politicians are not confronting it because they don’t possess any answers. Instead, we have a Prime Minister who focuses on carbon reduction as a means of getting Canadians healthy. Canadians need help now before the system, which was created with good intentions, collapses.

Living in a city such as Toronto, the crisis is palpable. Streets filled with “zombie” like individuals, sleeping in parks and under bridges because there is no room at the medical inn. Try to get a new family doctor, impossible, because they can’t or won’t accommodate more patients. People are sick of being sick and there’s no hope in the horizon, particularly for those underprivileged in our society whose mortality rates are becoming a crisis. Canada requires a full overhaul of this unsustainable system. Throwing money at 20th century systems in the 21st century is a losing proposition, and our leaders have no answers. From burnout of nurses and doctors, unavailability of beds to comfort the sick, administrative inefficiencies and under-staffing, healthcare resources won’t be available to Canadians when needed and thus your personal survival is being placed at risk by our governments. We deserve better protection from our leaders.

Allowing private healthcare for those who can afford it may ease some of the pressures, but the healthcare system usually lives or dies by what happens at emergency rooms. Don’t allow our political masters to tell you that the problems are Covid related. They existed prior to the pandemic.

The calamitous future of the health system is the main report card for our government. Canada is far from being the best so don’t even think about getting sick in this country. Be your own doctor if you can and take care of yourself.

Manuel DaCosta/MS

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