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Os Sons do Silêncio são Celestiais

Pope-cartoon-SJ - Milenio Stadium

 

Jacinda Ardern, a primeira-ministra da Nova Zelândia, sugeriu recentemente que “Continuaremos a ser a sua única fonte de verdade… a não ser que o que oiça vindo de nós, não seja a verdade.”

Pronunciamentos políticos como esses evocam imagens de um mundo habitado por peões que seguem uma mentalidade de rebanho liderada por ideais e regulamentos comunistas. É uma forma perigosa de pensar, no entanto, está a tornar-se numa forma de vida realista à medida que emburrecemos a sociedade para criar uma nova ordem mundial. O mundo tornou-se muito barulhento com os sons daqueles que querem mudar a narrativa de uma sociedade justa e continuamente apontam o dedo para os inconformistas que querem um mundo justo e equilibrado. Enquanto se perpetua o barulho das bombas, dos fogos a arder e da morte dos inocentes, os nossos líderes políticos e religiosos continuam a pronunciar textos preparados, vocalizando palavras, nas quais não acreditam, a uma população cansada. As declarações de figuras de liderança com rostos e olhos vazios não garantem que “vamos ficar bem”.

O Papa Francisco está numa visita de seis dias ao Canadá para “curar” as feridas relacionadas com o abuso sofrido pelas populações indígenas em várias partes deste país. Do Papa ao primeiro-ministro, as desculpas são abundantes cada vez que alguém abre a boca. Não existem epítetos apologéticos suficientes no vocabulário para pedir desculpa sobre algo que aconteceu no sistema das escolas residenciais no Canadá. Dizem que cada opinião começa com uma história e a minha é que esta visita e todos os apelidos que atribuem à verdade e à reconciliação nada mais são do que uma postura política para acalmar o ativismo político e satisfazer uma necessidade inata de pedir um falso perdão aos lesados, cujo único interesse é o dinheiro. Relembre-se da quantidade de pedidos de desculpas feitos por Trudeau e as reservas indígenas continuam a não ter acesso a água potável, mas podem respirar todo o carbono que desejarem. Pensando num nível micro, as igrejas católicas e outras envolvidas no fiasco das escolas residenciais seguiam regras elaboradas pelo Governo canadiano que seguia os princípios de destruir e conquistar, historicamente adotados pelos descobridores do mundo, inclusive os portugueses, há vários séculos atrás. A colonização do Canadá e deslocamento de populações indígenas não diferem dos métodos permanentemente utilizados. Era justo? A imposição de dor e erradicação da cultura são uma subjugação de quem somos enquanto indivíduos e pessoas. Contudo, esta escravatura mental acontece todos os dias com a imigração e aqueles que são reprimidos, como acontece aos Uyghurs na China. O Papa e todos os apologistas do que aconteceu no Canadá referem-se continuamente a “verdade e reconciliação”. O problema é que não existe verdade de nenhuma das partes e a reconciliação é motivada politicamente, não é vinda do coração. Para que mudanças aconteçam, os motivos e implementação têm de ser autênticos e não motivados politicamente. O Papa é um bom homem, mas é também o representante de um conglomerado empresarial, que não tem sido transparente e tem estado continuamente a lutar contra escândalos e constrangimentos públicos. Ele não pediu desculpa pela igreja, apenas pelos membros da fé católica. Não quero que o Papa peça desculpa por mim e ele deveria parar de encorajar os princípios de autovitimização utilizados pela maioria para ganhos financeiros e políticos.

Ao longo dos últimos 100 anos, as sirenes de alarme de bombeiros ficaram seis vezes mais altas do que eram anteriormente e é assim que o mundo está a viver atualmente. É sobre aqueles que gritam mais alto sobre o nada, em vez de utilizarem o poder do silêncio e da reflexão para realmente entender o que há de errado com este mundo doente controlado por ego maníacos e aspirantes a alguma coisa. Para que “Verdade e Reconciliação” existam neste país, temos de entender o que essas palavras significam.

Papa Francisco, você é o símbolo dos dois mundos, mas, por favor, não venha para o Canadá apenas para nos dizer aquilo que você acha que queremos ouvir. Fechemos todos os olhos e encontremos paz na luz para que todos nos respeitemos uns aos outros.

 

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Version in english

The Sounds of Silence are Heavenly

Jacinda Ardern, the Prime Minister of New Zealand, suggested recently that “We will continue to be your single source of truth…unless you hear it from us, it’s not the truth”.

Political pronunciations such as these conjure up images of a world occupied by peons who follow a herd mentality led by communistic ideals and regulations. It’s a dangerous way of thinking but moreover, it’s becoming a realistic way of life as we dumb down society to create a new world order. The world has become too noisy with the sounds of those who want to change the narrative of a fair society and continually point fingers at the non-conformists who want a fair and balanced world. As the noise of bombs go on, fires burning and killing of innocents, our political and religious leaders continue to speak from prepared texts, vocalizing words they don’t believe to a tired population. The pronunciations of leadership figures with blank faces and empty eyes don’t provide reassurance that “we are going to be ok”.

Pope Francis has been on a six-day visit to Canada to “heal” the wounds pertaining to the abuse suffered by the Indigenous populations in various parts of this country. Apologies are abound every time someone opens a mouth, from the Pope to the Prime Minister. There are not enough apologetic epithets available in the vocabulary to say sorry about what happened in Canada’s residential school system. They say that every opinion starts with a story and mine is that this visit and all the monikers they attach to truth and reconciliation are nothing more than political posturing for the sake of calming political activism and satisfying an innate need to ask for fake forgiveness from the wounded whose only interest is money. Remember how many apologies Trudeau has made and indigenous reserves still do not have drinking water, but they can breathe all the carbon they want. To think at a micro level, the catholic and other churches involved in the fiasco of residential schools were following rules prepared by the Canadian government who followed the principles of destroy and conquer, historically adopted by the discoverers of the world, including the Portuguese long ago. The colonization of Canada and displacement of Indigenous populations was no different than the methods always used. Was it fair? Imposition of pain and cultural eradication is a subjugation of who we are as individuals and people. However, this mental enslavement happens every day with immigration and those who are restrained such as the Uyghurs in China. The Pope and all apologists for what happened in Canada continually refer to “Truth and Reconciliation”. The problem is that there is not truth from any of the sides and reconciliation is politically motivated without coming from the heart. For changes to happen, the motives and implementation have to be authentic and not politically motivated. The Pope is a good man but he is also the representative of a business conglomerate, which has not been transparent, and continually fighting scandals and public embarrassment. He has not apologized for the church but only for members of the catholic faith. I don’t want the Pope to apologize for me and he should stop encouraging the self-victimization principles being used by most for financial and political gain.

Over the last 100 years, the fire engine alarm sirens have gotten six time louder than they were previously and that’s how the world is living today. It’s about those who scream the loudest about nothingness instead of using the power of silence and reflection to really understand what’s wrong with this sick world controlled by egomaniacs and wannabes. For “Truth and Reconciliation” to exist in this country, we have to understand what the words mean. Pope Francis you are the symbol for the two words, but please don’t come to Canada and just tell us what you think we want to hear. Let us all close our eyes and find peace within the light so we can respect each other.

Manuel DaCosta/MS

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