Editorial

A arte de mentir

 

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Poderá a mentira ser muito mais doce do que uma verdade nua e crua? Encurralar-nos a nós próprios em situações, que apoiam mentiras, é uma opção que muitos adotaram para si próprios. Assim que a armadilha mental está montada, sair da toca do coelho é desconfortável, portanto mentir a nós próprios é a melhor opção para muitos.

Com o início do novo ano, a maioria de nós faz promessas e compromissos consigo próprio e com os que o rodeiam. É, na sua maioria, uma falsa narrativa que proporciona um consolo mental temporário, particularmente para aqueles com vidas imperfeitas, onde a maioria de nós se insere. Normalmente comprometemo-nos com coisas como perder peso, fazer exercício, uma melhor alimentação, e a escolha cuidadosa de ações que criaram um impacto negativo no passado. O problema é que estamos a atentar mudar coisas em apenas um ano, mas que demoraram vários anos até nos levarem aqui. Os milagres mentais percebidos criam resultados positivos falsos. Os mentirosos muitas vezes superestimam a sua veracidade, adicionando palavras ou frases a uma declaração que pretende torná-la mais convincente, como “para ser honesto”, “para dizer a verdade”, “acredite em mim”, “para esclarecer”, “o facto é”, isto só para citar alguns. Existe uma enorme variedade de tipos de mentiras, inclusive a negação, a omissão, a fabricação, a minimização e o exagero. Talvez você reconheça num número de mentiras comuns que as pessoas utilizam, tal como:

  • Estou bem, não se passa nada.
  • Estava preso no trânsito.
  • Estás ótimo com essa roupa.
  • Só bebi uma cerveja.
  • O meu telemóvel ficou sem bateria.
  • Nunca recebi a tua mensagem.
  • Ligo-te já de volta… em breve.

A arte de mentir pode ser aperfeiçoada ao ponto de as pessoas viverem as suas vidas inteiras como vigaristas para consigo mesmos, tal como Bernie Madoff e outros esquemas Ponzi que se tornaram parte do escalão mais alto da sociedade e ocupando posições respeitosas nas comunidades em que vivem.

Um exemplo são os escândalos políticos em Portugal, onde o governo no poder não consegue encontrar indivíduos honestos para servir como ministros. Onze saíram devido às irregularidades nas suas verdades. Um dos maiores contribuidores para a arte da mentira são os políticos. Estes homens e mulheres que são colocados em posições de poder com integridade irrepreensível mostraram ser os maiores atores do nosso tempo, superando as histórias de Hollywood. Como pode uma nação e os seus cidadãos não adotar a falsificação de informação se os líderes vivem num mundo de mensagens convenientes para conquistar um propósito, recorrendo a quais que sejam os meios necessários? O camarada Putin com as suas mentiras decidiu que tomará uma nação e mentirá aos russos sobre os propósitos enganosos que estão a ser utilizados. As suas mentiras são assistidas pela igreja, que ignora a quantidade de pessoas que vivem no processo. São estes homens de Deus que nos dizem como viver as nossas vidas?

Se examinarmos o mundo ao nosso redor, as mentiras encontram-se em cada esquina. Os meios de comunicação, com as suas interpretações tendenciosas de informações, criam ambientes que encorajam a mentira. Os pais mentem aos seus filhos; os professores mentem aos seus alunos porque não podemos lidar verdadeiramente com as pressões da sociedade. Família, amigos, colegas de trabalho e todos à sua volta, mentem e embelezam para servir os seus propósitos. Sendo assim, em quem se pode confiar, quando não podemos sequer confiar em nós próprios? Ninguém, infelizmente. Por isso, se me for mentir, diga pequenas mentiras. São melhor de serem digeridas. No entretanto, certifique-se que dá uso à sua nova adesão ao ginásio.

Felizes mentiras para todos!

Editorial in english

The art of lying

Can lying be a lot sweeter than telling the cold hard truth? Trapping ourselves in situations, which supports lies, is an option that many have adopted for themselves. Once your mind-trap is set, getting out of the rabbit hole is uncomfortable so lying to ourselves is the better option for many.

As the new year begins, most of us make promises and commitments to ourselves and those around us. It’s a yearly ritual where the expectations of the new year bring new beginnings and thus improvements to our lives. It’s mostly a false narrative which provides temporary mental solace, particularly to those with imperfect lives, which are most of us. We usually commit to changing things such as losing weight, exercise, eating better, and to choose carefully the actions that created negative implications in the past. The problem is that we are trying to change things in a year which took years to get us to where we are at. Perceived mental miracles create false positive results. Liars often overemphasize their truthfulness by adding words or phrases to a statement that are meant to make them sound more convincing, such as “to be honest”, “to tell you the truth”, “believe me”, “to be clear”, “the fact is”, just to name a few. There are a number of types of lies, including denial, omission, fabrication, minimization and exaggeration. You may recognize a number of common lies which people use such as:

  • I’m fine, nothing’s wrong.
  • I was stuck in traffic.
  • You look great in that outfit.
  • I only had one beer.
  • My phone died.
  • I had no way to contact you.
  • I never got the message.
  • I’ll call you right back…and soon.

The art of lying can be perfected to the point of people living entire lives being con artists to themselves as Bernie Madoff and other Ponzi schemers become part of the higher echelon of society holding respectful positions in communities they live in.

An example are the political scandals in Portugal where the ruling government can’t find honest individuals to serve as Ministers. 11 have left because of irregularities in their truthfulness. One of the biggest contributors to the art of lying are politicians. These men and women who are placed in positions of power with integrity beyond reproach have shown to be the biggest actors of our time, surpassing Hollywood story lines.

How can a nation and its people not adopt the falsification of information if the leaders live in a world of convenient messaging to achieve a purpose by any means necessary. Comrade Putin with his lies decided that he will take a nation and lie to Russians about the deceptive purposes being used. He’s assisted on his lies by the church not caring about how many people die in the process. These are men of God who tell us how to live our lives?

If we examine the world around us, lies are at every corner. Media with its biased interpretations of information creates environments which encourage lying. Parents lie to their children; teachers lie to students because we cannot deal truthfully with the pressures of society.

Families, friends, co-workers and those around you all lie and embellish to suit their purposes. So who can you trust, when you can’t even trust yourself? No one unfortunately. So if you are going to lie, just tell me little lies. They are better to digest. In the meantime, make sure you use your new gym membership.

Happy lying everyone!

Manuel DaCosta/MS

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