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Crédito: David Ganhão/MS

Nas últimas décadas temos assistido à “democratização” da informação. A internet, de certo modo, foi quem revolucionou esse cenário. Facilitou não só o acesso mas também a divulgação de notícias e conteúdos por qualquer pessoa. Não é preciso mais ter um espaço, o que já foi privilégio de poucos, na televisão, jornal ou rádio para manifestar a sua opinião e ideias e ser “notado” – leia-se visto, ouvido, ou lido – como acontecia antigamente. Basta ter uma conta em uma rede social, e pronto, temos o mundo ao nosso alcance. Por um lado, essa facilidade trouxe diversidade e ampliou o “poder de fala” da população em geral, mas também tornou mais fácil a divulgação e propagação de informações falsas, as chamadas “fake news”, ou a manipulação das mesmas. Nesse universo online, cada vez fica mais difícil exercer um controle sobre o que é dito, visto, e compartilhado exaustivamente.

E foi agora, neste contexto, e num momento de pandemia mundial, que se voltou a debater e a defender a importância dos meios de comunicação “oficiais”, das emissoras de televisão, rádio, jornais, grupos de comunicação licenciados e credenciados, na divulgação das notícias sobre o que acontece à nossa volta. Notícias veiculadas com credibilidade, apuramento de informações, fontes confiáveis e todos os demais elementos que formam o jornalismo sério e profissional. Mas então, surge a pergunta: até que ponto esse papel está sendo, de facto, cumprido pelos veículos de imprensa? Informar de maneira isenta e sem manipulação? E como o público consumidor observa o trabalho que vem sendo desenvolvido pelos mesmos? Essas são questões complexas e importantes que a equipa do Milénio Stadium se propôs a debater na edição dessa semana. Abaixo confira as opiniões de diferentes membros da comunidade lusófona sobre esse assunto.

 

  • Cláudio Pereira, 43 anos, empresário

Acredita que a comunicação social está a exercer a sua função de informar as pessoas de maneira responsável?

Sim e não. Acho que uma parcela dos “media” faz um bom trabalho, divulgando dados das entidades oficiais, embasados cientificamente, mas outros tantos preferem, ou têm a intenção mesmo, de apavorar as pessoas, instaurar o caos social, e noticiam muitas questões, especialmente envolvendo política e essa pandemia, da maneira que é conveniente com as crenças da empresa que trabalham.

Acha que os jornalistas, na sua maioria, divulgam as informações de uma maneira que lhes é mais conveniente?

Sim. Não tanto para eles pessoalmente, mas de acordo com os interesses da empresa que trabalham. Todos sabem que as empresas têm interesses por trás do que veiculam, e isso fica claro na linha editorial.

Qual a real influência que você acredita que os meios de comunicação social, sejam eles quais forem – TV, rádio, ou internet -, exercem na opinião das pessoas?

Acredito que exercem certa influência sim, mas não tão forte como já foi no passado. Hoje em dia todos tem amplo acesso a diferentes meios de informação, então podem escolher muito mais, e duvidar do que foi escrito, e pesquisar mais sobre o assinto, por exemplo, se for do seu interesse.

Nesse momento de pandemia global, você considera que os meios de comunicação têm mais responsabilidade acerca do conteúdo que veiculam?

Sim. Mas as pessoas também têm responsabilidade sobre o local onde vão buscar o conteúdo, a informação, em especial antes de compartilhar com amigos e familiares qualquer coisa que leem na Internet.

O jornalista tem direito a proteger a identidade da fonte, isso quer dizer, manter no anonimato a pessoa que lhe passa determinada informação. Concorda com essa regra ou isso pode ser perigoso? 

Tem sim. Mas em determinadas situações, dependendo da acusação, pelo menos na Justiça teria que revelar de onde veio aquela informação.


  • Manuela Araújo, 43 anos

Acredita que a comunicação social está a exercer a sua função de informar as pessoas de maneira responsável?

Acho que os media enfrentam um grande problema de financiamento, mas o fenómeno é mundial. O Google e o Facebook lucram com a partilha de notícias e os grupos de media não ganham um cêntimo com isso. A pandemia só acelerou aquilo que já vínhamos a assistir: a indústria está a definhar porque o bolo publicitário é cada vez menor para os media generalistas. Sem dinheiro é impossível investir na contratação e na formação de jornalistas e sem investimento não existe informação credível e rigorosa, para nem falar no jornalismo de investigação. Resta saber o que acontecerá ao mundo quando for o Google a decidir o que vamos ler…

Acha que os jornalistas, na sua maioria, divulgam as informações de uma maneira que lhes é mais conveniente?

Os jornalistas fazem o que os chefes permitem porque sabem que se não seguirem a linha editorial são despedidos. Se os media são ou não imparciais, essa é outra questão. Mas poucos media são verdadeiramente independentes nos dias que correm por isso é evidente que têm de existir interferências.

Qual a real influência que você acredita que os meios de comunicação social, sejam eles quais forem – TV, rádio, jornal, ou internet -, exercem na opinião das pessoas?

Acho que da mesma forma que a Bíblia diz que nós somos o que comemos, as nossas opiniões são construídas e moldadas com base naquilo que absorvemos à nossa volta. Os media ajudam-nos a formar opinião sobre os mais variados assuntos e são importantíssimos para que votemos de forma informada. Não basta ler as promessas de campanha de um partido, é preciso perceber o que aquele partido fez pela educação ou pela saúde pública quando esteve no poder.

Nesse momento de pandemia global, você considera que os meios de comunicação têm mais responsabilidade acerca do conteúdo que veiculam?

Os media têm responsabilidades, mas as redes sociais também têm que ter. Sempre que o Facebook partilha informações falsas deveria ser multado, tal como os media o são. Diria que em vez da pandemia foi a invasão do Capitólio em Washington DC: primeiro o Twitter e o Facebook bloquearam a conta do Presidente Donald Trump e depois a FOX passou a ter mais cuidado no tratamento da informação.

O jornalista tem direito a proteger a identidade da fonte, isso quer dizer, manter no anonimato a pessoa que lhe passa determinada informação. Concorda com essa regra ou isso pode ser perigoso dependendo da situação?

As fontes são absolutamente essenciais para a continuidade do jornalismo, sobretudo do jornalismo de qualidade. Perigoso seria acabar com este direito porque muitos dos abusos que são denunciados jamais teriam visto a luz do dia se um jornalista não pudesse proteger a identidade da sua fonte.


  • Fernanda Soares, 48 anos, comerciante

Acredita que a comunicação social está a exercer a sua função de informar as pessoas de maneira responsável?

Sim. Tenho acompanhado vários meios de comunicação tanto canadianos como de outras partes do mundo. Acho que as redes sociais dos meios de comunicação estão a nos informar de forma mais rápida também.

Acha que os jornalistas, na sua maioria, divulgam as informações de uma maneira que lhes é mais conveniente?

Neste momento acredito que os meios de comunicação estão a ter informações suficientes por todos os lados, se falta informação básica, temos uma infinidade de possibilidades de nos informarmos melhor, basta procurar online com os devidos cuidados para não cair nas “fake news”. Sempre nas buscas que faço sobre qualquer assunto, procuro mais outros dois meios de comunicação para certificar a informação.

Qual a real influência que você acredita que os meios de comunicação social, sejam eles quais forem – TV, rádio, ou internet -, exercem na opinião das pessoas?

Não posso dizer que as pessoas são influenciadas, mas acredito que de um certo modo, existem pessoas que optam por acreditar no que “aparece na sua frente”, seja através de sites ou redes sociais. Buscar informações com responsabilidades é a melhor maneira de se informar e com notícias verdadeiras.

Nesse momento de pandemia global, você considera que os meios de comunicação têm mais responsabilidade acerca do conteúdo que veiculam?

Total. O mundo está em busca de informações sobre a pandemia mais precisas a todo momento. É fato que existem “fake news”, porém a verdadeira notícia está mais em evidência por todos os lados. Neste caso basta procurar pelos sites do Governo ou de orgãos de saúde mundial.

O jornalista tem direito a proteger a identidade da fonte, isso quer dizer, manter no anonimato a pessoa que lhe passa determinada informação. Concorda com essa regra ou isso pode ser perigoso? 

Em certos casos, concordo, por exemplo a identidade de equipas de investigação.


  • Ana Paula Veríssimo, 42 anos, motorista de aplicativo

Acredita que a comunicação social está a exercer a sua função de informar as pessoas de maneira responsável?

É o que deveria acontecer. Informações imprecisas e “fake news” atrapalham muito a manutenção da credibilidade.

Acha que os jornalistas, na sua maioria, divulgam as informações de uma maneira que lhes é mais conveniente?

Acho que não, penso que a maioria dos jornalistas veicula as matérias de acordo com a linha editorial da instituição para a qual eles trabalham. 

Qual a real influência que você acredita que os meios de comunicação social, sejam eles quais forem – TV, rádio, ou internet -, exercem na opinião das pessoas?

Enorme. Principalmente se o grupo de comunicação passa a expandir-se em outros segmentos como entretenimento e esportes e em diferentes plataformas, passando a ser mais presente no dia a dia das pessoas.

Nesse momento de pandemia global, você considera que os meios de comunicação têm mais responsabilidade acerca do conteúdo que veiculam?

Naturalmente, mas sempre é interessante buscar a informação em diversas fontes. Ler jornais independentes, consultar outras fontes e, só então, formar a própria opinião.

O jornalista tem direito a proteger a identidade da fonte, isso quer dizer, manter no anonimato a pessoa que lhe passa determinada informação. Concorda com essa regra ou isso pode ser perigoso?   

Tem os dois lados da moeda. Em tese o jornalista deve manter o sigilo da fonte, o que de fato não deve ser um problema, porque caso algo saia errado a responsabilidade irá para o próprio jornalista ou grupo de comunicação que veiculou a notícia.


  • Juliana Pedrosa, 33 anos, administradora

Acredita que a comunicação social está a exercer a sua função de informar as pessoas de maneira responsável?

Acredito que hoje em dia a comunicação social é mais abrangente. Temos difusão de notícias de uma maneira diferente através também das redes sociais. Por vezes as pessoas são bombardeadas com informações, e nem sempre corretas. Não existe controlo no que é partilhado, por isso cabe a cada um avaliar e verificar a informação que está a receber e se é de uma fonte acreditada.

Acha que os jornalistas, na sua maioria, divulgam as informações de uma maneira que lhes é mais conveniente?

É uma situação que depende do que está a ser apresentado. O jornalista deve ser imparcial, mas temos visto cada vez mais “a pessoa” em vez do jornalista, devido também a situação em que nos encontramos, em que o jornalista assume uma posição mais pessoal para que os que estão a ver se identifiquem com a situação.

Qual a real influência que você acredita que os meios de comunicação social, sejam eles quais forem – TV, rádio, ou internet -, exercem na opinião das pessoas?

Existem várias pessoas que nos últimos anos tiveram acesso mais descontrolado a certas informações, que não são as mais corretas, as chamadas “fake news”. Acredito que ultimamente essas fake news têm influenciado a decisão de milhares de pessoas, o que tem levado a divisão de países, como por exemplo nos Estados Unidos.

Nesse momento de pandemia global, você considera que os meios de comunicação têm mais responsabilidade acerca do conteúdo que veiculam?

Penso que os meios de comunicação têm sempre a responsabilidade de partilhar a informação correta independentemente da época em que estejamos a viver. Precisamos de informação correta a qualquer altura.

O jornalista tem direito a proteger a identidade da fonte, isso quer dizer, manter no anonimato a pessoa que lhe passa determinada informação. Concorda com essa regra ou isso pode ser perigoso?   

Concordo que o jornalista proteja suas fontes. Ao divulgar as fontes pode colocar em perigo não apenas a vida das fontes, mas também a sua própria vida. O não revelar de fontes é um trunfo que tem em mão.

Lizandra Ongaratto/MS

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