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“Natal é família” – Iracema Rodrigues

Iracema Rodrigues - natal - milenio stadium

 

Iracema Rodrigues chegou ao Canadá em 1970. Já lá vão 52 anos. Veio de Vascões, Paredes de Coura, concelho de Arcos de Valdevez, para Toronto onde já vivia e trabalhava o marido. Quando chegou e viu a cidade ficou admirada porque pensava que “era assim uma cidade com muitos prédios. Agora tem, mas naquela altura ainda não tinha, não é? Era mais residencial, mais casas e talvez por isso não estranhei assim muito”.

Quando chegou o Natal, Iracema recorda que o passou com uns primos do marido: “fez-se a ceia, mais ou menos como em Portugal, o polvo, o bacalhau e figos, o bolo-rei foi feito em casa. E assim se fez a festa. Mas ao menos tínhamos o que era tradicional, as rabanadas, essas coisas. Apesar de longe da minha terra aquele Natal para mim foi normal. Não estranhei nada. Como estava com o meu marido, e já estava cá desde julho, passei bem o Natal. Não estranhei assim muito”.

Relativamente a esse tempo, Iracema não nota diferença na forma como vive o Natal, continua a ser passado em família e mantêm-se as tradições à mesa, embora haja mais: “o camarão, por exemplo, que dantes não havia. Quer dizer, haver, havia, nós é que não comprávamos”.

Iracema Rodrigues identifica diferenças importantes entre o Natal de hoje e o de há 50 anos – não havia tanto comércio. “Agora é o comércio, é mais essa parte material do Natal. Naquela aquela altura só se comprava um brinquedo para uma criança. Não havia presentes como agora. Era mais a família que interessava. Era mais só para a família. Não havia mais nada sem ser para a família. Estava tudo em casa, comia-se, bebia-se, jogava-se às cartas. Passávamos essa noite toda em família”.

Iracema considera que a pandemia não alterou a essência do Natal e não entende como alguém opta por aproveitar estes dias para fazer uma viagem, por exemplo – “eu nunca passei sem a minha família, por isso não sei explicar muito bem o que é passar o Natal sem os meus. Só sei que para mim tem de ser assim em família, com os filhos e os netos. Natal é família, senão não é Natal”.

Madalena Balça/MS

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