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Bares clandestinos movimentam a noite e a economia paralela em Toronto

Enquanto os bares, casas noturnas e restaurantes de Ontário amargavam meses e meses de prejuízo devido às restrições impostas pelo governo durante o auge da pandemia, que mantiveram esse tipo de estabelecimento fechados ao público por um longo período, o empresário, que tivemos a oportunidade de entrevistar, e que prefere manter o anonimato, não tem do que reclamar. Ao contrário da maioria, ele viu seu negócio multiplicar os faturamentos. Isso porque ele é proprietário e gerencia um negócio ilegal.

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Créditos: DR

Booze Can é como são chamados popularmente os bares e espaços que operam ilegalmente e vendem bebidas alcoólicas. Locais que servem de ponto de encontro para aqueles que querem estender a diversão sem se submeterem às regras de funcionamento de estabelecimentos legais. Lugares que fazem parte do cenário noturno de uma grande cidade como Toronto, e que movimentam a economia paralela e geram altos lucros. Por outro lado, o governo deixa de faturar outros milhares de dólares e os frequentadores estão sujeitos a riscos de saúde, para dizer o mínimo. 

Para conhecer um pouco mais sobre esse submundo da noite de Toronto, nossa reportagem entrevistou o proprietário de um desses estabelecimentos. O empresário, que está há dez anos no ramo e à frente desse negócio. Concordou em falar para que possamos entender como funciona o bar, um dos tantos que opera à margem da lei na cidade. 

Nos últimos dois anos o estabelecimento já mudou de endereço quatro vezes. “Cada vez que a polícia descobre nosso esquema, ou se desconfiamos que algum vizinho ou alguém denunciou nosso bar, mudamos de localização no dia seguinte. Às vezes operamos em dois lugares em simultâneo, para evitar problemas, caso um seja fechado”, explicou o proprietário. “Se a polícia aparece dizemos que é uma festa privada e pronto, somos notificados ou multados, e partimos para outro lugar. É simples”, diz ele. 

Um tipo de negócio lucrativo e que atrai a atenção de dezenas de pessoas, que dia após a dia frequentam o lugar em busca de bebidas, interação social e diversão, num ambiente onde as regras até existem, porém são bastante flexíveis.

Para a grande maioria das pessoas esse tipo de lugar pode ser desconhecido, mas para outros é parada obrigatória. Não à toa, o bar clandestino funciona os sete dias da semana, 24 horas por dia. O esquema é profissional. Ao todo são 12 funcionários trabalhando, entre eles dois seguranças que revistam os clientes, que também passam por um detector de metais antes de entrarem. Tudo isso para evitar brigas ou possíveis desordens que possam acabar em violência física. Aliado às bebidas, o consumo de canábis é permitido e apesar de não facilitar, o proprietário admite que alguns frequentadores consomem outras drogas ilícitas.

A movimentação de clientes é constante. Nos melhores dias chegam a receber 75 pessoas no espaço. Entre os frequentadores a maioria têm em média de 35 a 45 anos, mas o perfil do público é variado. “De 30 a 40% dos nossos clientes são fixos. Nossa maneira de divulgar o negócio é apenas através de redes de contatos e dá muito certo”, destaca. Os detalhes sobre o imóvel que abriga esse bar não foram divulgados, mas nosso entrevistado não se importou em falar que está localizado na Avenida Ossington com a Queen St, ponto movimentado de Toronto. Um lugar discreto, onde a entrada dos clientes não acontece pela parte da frente, e sim pelos fundos, numa rua de pouco movimento.

Se operar um negócio ilegal envolve uma série de riscos, o faturamento é proporcional ao perigo. “Num dia bom podemos lucrar até $30 mil dólares, em dinheiro, já que não aceitamos nenhum tipo de cartão de crédito ou débito. O que me mantém nesse ramo é sem dúvida o dinheiro. O lucro é muito alto”, confessa.

Se quem gerencia fala em lucros, para as autoridades o prejuízo é garantido. Como se trata de uma atividade ilegal não é possível ter números concretos de quantos lugares operam fora da lei em Toronto. Mas como o empresário diz, o bar dele é apenas um de muitos que existem por aqui.

A economia paralela, aliás, é um negócio que movimenta milhões de dólares a cada ano e está espalhada em diversos setores da economia. Para se ter uma ideia, segundo os dados da Statistics Canada, em 2018, o faturamento dessa economia informal foi de $61,2 bilhões, o que representa 2,7% do PIB total do país. Só em Ontário foram quase $23 bilhões de dólares. Dessa receita não declarada, a maior fatia, 42% vão para o pagamento de funcionários. São cerca de $26 bilhões em salários e gorjetas que não são registrados pelo governo. Entre os gastos das famílias canadianas com produtos vendidos na economia ilegal, em primeiro lugar estão as bebidas alcoólicas, seguida pelo tabaco e produtos de maconha para uso não medicinal.

Desde que esse estudo da agência canadiana começou, no início da década de 90, quatro setores eram responsáveis por mais da metade da atividade econômica informal: construção, comércio retalhista, setor de finanças, seguros, imóveis, locação e leasing, acomodação e serviços de alimentação. Vale destacar que esse levantamento foi realizado antes da pandemia, época na qual esse tipo de economia ganhou impulso por todo o país, segundo os próprios especialistas.

Entre os que fazem parte dessa economia existe a certeza de que há o interesse do público, logo, enquanto houver demanda as portas estarão abertas e as bebidas geladas, prontas para serem servidas: “Aqui todos são bem-vindos. Sempre há pessoas interessadas em se divertir e ter uma boa experiência, estamos aqui para isso”, completa o empresário. 

Lizandra Ongaratto/MS

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