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Academia Gil Vicente FC de Toronto – Mais um jovem a caminho do futebol português

A Academia Gil Vicente FC de Toronto, liderada pelo dinâmico José Carlos Silva, tem desenvolvido o seu trabalho, apesar de todas as dificuldades e condicionalismos causados pela pandemia de Covid-19. Os jovens naquela Academia trabalham, com o apoio da Direção, dos treinadores e das suas famílias, para tentarem atingir os seus maiores objetivos que, muitas vezes, são verdadeiros sonhos – ser jogador de futebol profissional e se possível em Portugal sem perder de vista o respeito pelo próximo e a humildade que o presidente/mestre Zé Carlos tanto insiste ser essencial na formação de um bom profissional.

Mais um jovem a caminho do futebol-toronto-mileniostadium
Diane Reis, Philip Reis, Manuel DaCosta e José Carlos Silva. Créditos: Luciano Paparella Jr./Camões TV

 

No Here’s The Thing desta semana Manuel DaCosta dá-nos a conhecer o trabalho desenvolvido pela academia Gilista e apresenta-nos o Philip Reis – a mais recente estrela do Gil Vicente de Toronto que, à semelhança do que já tem acontecido com outros colegas, em breve partirá para Portugal, onde vai continuar a sua formação integrando a equipa de juniores da equipa da casa mãe em Barcelos.

Manuel DaCosta: Como têm vivido estes tempos de pandemia?

José Carlos Silva: Desde que surgiu este problema a nível mundial, temos seguido à risca as orientações que vêm do Governo e dos responsáveis de saúde – parámos; começámos; parámos outra vez e já há algum tempo que temos trabalhado a nível interno. Temos estado em contacto com os pais, os atletas, tudo o que é o nosso grupo, que funciona como uma família. É uma mágoa para mim não ver o desenvolvimento da Academia, as crianças, os próprios pais… tudo isso faz falta.

MDC: Philip, porque decidiste que querias ser jogador de futebol?

Philip Reis: Sempre foi um sonho. Jogar futebol em Portugal porque é diferente – é o meu país do futebol. É o meu sonho.

MDC: És um rapaz que também é canadiano, se o Canadá te pedisse para jogares na seleção nacional tu aceitavas?

PR: Sim, se tiver essa oportunidade, aceito.

MDC: Já estiveste em Portugal umas semanas, a ver o sistema de trabalho. Integraste-te da melhor forma no Gil Vicente. Gostaste da experiência?

PR: Sim, gostei da Academia de lá, na cidade de Barcelos. Estou confortável, lá. As pessoas receberam-me bem, tudo está bem organizado. Tenho que agradecer ao Sr. Zé Carlos por esta oportunidade – por ir a Portugal e por vir aqui. Estou muito feliz.

MDC: A tua carreira é de guarda-redes, que é uma posição que não é fácil – há muita competição para o lugar, e o foco está sempre muito guarda-redes. É uma posição de muita pressão. Porque escolheste ser guarda-redes?

PR: É uma posição diferente. Gosto muito. Os outros jogadores procuram marcar golos, eu tenho que defender e evitar os golos. É diferente, mas eu gosto muito.

MDC: José Carlos é muito bom ver pessoas com sucesso e em desenvolvimento nas academias. Pessoas, como o Philip, que têm a oportunidade de ir atrás dos seus sonhos. Porque realmente a percentagem de jogadores que têm oportunidade de chegar às Ligas mais altas é baixa. O que é que um jogador tem que ter e o que é que vocês veem num jovem para puxarem por ele de modo a que tenha oportunidade em Portugal?

JCS: Uma casa constrói-se de baixo para cima. É preciso começar por dar bases, dar orientação aos miúdos sobre o que é o futebol, do que é o poder do choque, o poder de elevação, jogar em equipa e o que é ser uma pessoa dentro e fora do futebol.

MDC: E as academias funcionam por amor ao futebol ou por amor ao dinheiro?

JCS: Eu vou falar como presidente e pela família gilista que me rodeia – nós é por amor. Trabalho voluntário. A vontade de lançar um miúdo e permitir que ele tente realizar o seu sonho. É o caso do Philip. Quando ele me bateu à porta eu disse isto ao pai, à mãe e ao miúdo – “o Philip comigo e com a Academia do Gil Vicente vai a Portugal. Vai ser feito tudo para que ele se sinta à vontade e faça o que deve fazer para atrair os treinadores”.

MDC: Mas o que é que te fez fazer essa afirmação? Que qualidades viste nele?

JCS: Eu costumo dizer que “pela aragem se vê quem vem na carruagem”. Eu quando vi o Philip vi paixão, responsabilidade, empenho e uma pessoa muito concentrada naquilo que quer. Ele próprio me disse que “enquanto não conseguir os meus objetivos de chegar ao topo é estudar, comer, dormir e treinar”. Só assim é que um atleta chega à alta competição. Para além disso o Philip tem qualidade. Tem uma margem de crescimento incrível. Ele tem 17 anos, vai ser dois anos júnior, vai trabalhar com treinadores profissionais e com eles ele vai aprender. E eu digo-lhe que não pode perder a humildade, o respeito e o riso.

MDC: Philip, quando vês jogadores como o Ronaldo e outros que assinam contratos multimilionários, achas que o dinheiro está tomar conta deles, no sentido em que, por causa do dinheiro, eles estão mais preocupados com as publicidades e aparecerem nas revistas do que se dedicarem, como se deviam dedicar, ao futebol?

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Philip Reis e Manuel DaCosta Créditos: Luciano Paparella Jr./Camões TV

PR: O Cristiano Ronaldo tem dinheiro e tem a preocupação de ajudar muitas pessoas e trabalha muito. Mas há outros jogadores que quando têm algum dinheiro só querem festas. Eu o que quero é jogar futebol. Mesmo quando tiver dinheiro o trabalho vai continuar.

MDC: O José Carlos, defende muito a importância de não se abandonar a educação, a escola. Para garantir o futuro. Para ti os estudos também são importantes?

PR: Sim porque a maior parte dos jogadores não faz assim tanto dinheiro e no fim da carreira (38 anos, mais ou menos…) precisa de fazer alguma coisa. Temos que olhar para o futuro para lá do futebol.

MD: Qual é o jogador que mais admiras e que é para ti um modelo?

PR: Para mim é o Claúdio Ramos que foi jogador do Tondela e agora é do Porto. Porque mesmo ele não é o jogador mais alto, mas tem um coração para o futebol enorme. Ele é uma máquina no campo, sem ser muito alto. Ele tem a minha altura.

MDC: E os teus pais apoiam-te nesta tua decisão de seres jogador de futebol?

PR: Sim eles apoiam muito. Sem eles eu não estava a ter esta oportunidade. E eu tenho que lhes agradecer por isso.

MDC: José Carlos como vês o futuro das academias de futebol em Toronto? Depois da pandemia vão continuar a crescer?

JCS: Em primeiro lugar depende de quem está à frente da academia. A sua Direção, os seus membros. Porque isto é como uma empresa, tem que haver rigor. Não vai ser fácil porque há muita gente que perdeu os seus empregos ou está a ganhar muito menos. Há muita gente com dificuldades financeiras. Isso vai afetar um bocado o trabalho das academias. Por isso há que saber gerir para que quando surge um problema desta natureza estarmos preparados para o enfrentar.

MDC: Achas que as equipas de futebol que têm academias em Toronto deviam suportá-las financeiramente?

JCS: Eu já tive oportunidade de dizer isto na cara de um presidente de um clube – acho ridículo que nós que estamos aqui a promover o nome do clube ainda tenhamos que pagar para usar o nome e o emblema. Acho que o nosso problema aqui é a falta de união – a nível de clubes, associações ou academias. Se houvesse união nós éramos mais fortes.

MDC: E há integridade no mundo do futebol profissional?

JCS: Não. Para mim há interesse. Quando eu vejo um empresário a ganhar 60 milhões por transferência de jogadores… acho uma ofensa à pobreza.

MDC: Portugal vai começar agora o Euro 2020. Philip o que achas que a nossa seleção vai fazer neste campeonato?

PR: A equipa tem muita qualidade. Temos jogadores novos, como o Bruno Fernandes, Ruben Dias… quando eles ganharam em 2016 a equipa não era tão boa. Mas não vai ser fácil. O grupo tem a Alemanha, a França, a Hungria… não vai ser fácil. Temos que ganhar todos os jogos.

Veja a entrevista na íntegra este sábado, dia 12 de junho, na Camões TV, às 21h.

Transcrição: Catarina Balça

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