Editorial

Tu vais ter o meu bebé…

Demographics-cartoon- PORT - milenio stadium

 

Em 1974, Paul Anka compôs uma canção chamada “(Tu) vais ter o meu bebé”. Foi um enorme sucesso e nela sugeria que era uma “forma amorosa de expressar o quando me amas”. O amor parece estar a desaparecer à medida que as taxas de fertilidade continuam a decrescer anualmente. Em 1974, a taxa global de natalidade apresentava uma média de 4.0 crianças ao longo da vida de um casal.

Em 2022, essa média desceu para 2.3. Em países desenvolvidos, a média da taxa de nascimento atinge os 1.85. Até ao final do século, espera-se que cada país do mundo possa vir a ter populações inferiores em quantidade (não reduzidas) com 23 nações, incluindo Portugal e Espanha, que terão as suas populações reduzidas para metade até 2100. Os países vão envelhecer drasticamente tendo tantas pessoas a chegar aos 80 anos de idade como aquelas que estão a nascer. Até ao final do século, o planeta verá a sua população diminuir dos atuais 9.7 mil milhões para 8.8 mil milhões.

Porque é que as taxas de natalidade estão a cair e quais serão as suas consequências? As taxas de natalidade em queda não se devem à diminuição das relações sexuais ou a uma contagem menor de esperma, deve-se principalmente a existirem mais mulheres a perseguir elevados níveis de educação e focadas na sua carreira, além de existir um maior acesso a contraceção, resultando em menos nascimentos. Claro que os homens não têm nada a dizer sobre isto já que ainda não encontraram uma forma de ter um bebé. Até 2100, a Índia será o país mais populoso somando 2 mil milhões de cidadãos, empurrando a China para o segundo lugar devido às medidas restritivas anteriormente implementadas pela China sob o número de filhos permitidos por família.
Apesar de alguns considerarem a redução da população como uma coisa positiva, o problema é que 183 países de 195 terão uma taxa de natalidade inferior ao nível de substituição e o número de crianças com menos de 5 anos cairá de 700 milhões em 2022 para 401 milhões em 2100, enquanto o número de pessoas com mais de 80 anos sube de 145 milhões para 866 milhões em 2100. Pense nas consequências e na mudança social que isto criará e na reorganização das sociedades. Para aqueles que hoje têm crianças pequenas, como será o mundo? Quem pagará impostos num mundo maioritariamente envelhecido? Quem paga pelo sistema de saúde? Quem tomará conta dos idosos? Será que seremos capazes de nos reformar ou teremos de manter os nossos empregos até à invalidez?

Muitos países reconhecem as implicações das taxas de natalidade baixas e estão a implementar programas que incentivem os casais a terem mais filhos, tal como melhores licenças de maternidade e paternidade, creches gratuitas, incentivos financeiros e direitos extras, contudo, são necessárias pessoas para trabalhar nestes programas e atualmente não existem trabalhadores e espaços suficientes. De onde virão os trabalhadores do futuro para sustentar as exigências laborais onde o crescimento da população depende da imigração em países como o Canadá? O conceito que considera que os países se irão popular através de medidas de imigração deve ser ponderado cuidadosamente, sendo que mudanças sociais repentinas podem trazer resultados caóticos devido a uma integração cultural fraca. HG Wells disse “Todos nós temos a nossa máquina do tempo, não é? Aqueles que nos levam ao passado são as memórias… e aqueles que nos levam adiante são sonhos.” As memórias de Portugal, são as mulheres nos anos de 1950, anos 60 e 70, a terem uma catrefada de crianças que não conseguiam alimentar para sustentar as necessidades laborais em casa para que fosse possível sobreviver.

Hoje, o sonho de ter filhos é desafiado pelos sacrifícios que a parentalidade acarreta. Os filhos podem trazer felicidade a uma família, mas muitos nascem de pessoas que não deveriam trazer filhos ao mundo. Um questionário feito em Portugal a 6,100 millennials sugeriu que 49% quer ter filhos nos próximos três anos. Tenho a sensação de que, em vez disso, vão optar por um cão, já que hoje nas nossas ruas vemos que os carrinhos de bebé foram substituídos por trelas de cães. As Nações Unidas sugerem que as pessoas estão a morrer mais jovens, temos menos educação e que o nosso rendimento está a cair pela primeira vez em 30 anos. Talvez este seja o grande equalizador onde as pessoas mais idosas morrerão mais depressa, as pessoas com baixos níveis de educação fazem mais filhos e as mortes medicamente assistidas economizem milhões em gastos de saúde, como sugere uma nova pesquisa da Associação Médica Canadiana.

Vamos popular o mundo pelas razões certas ou a sobrevivência não será garantida.

“As regras são para a orientação do homem e para a obediência dos tolos.” – Douglas Bader

Manuel DaCosta/MS

 


Editorial in english

 

Demographics-cartoon- ENG - milenio stadium

You Are Having My Baby…

In 1974, Paul Anka penned a song called “(You’re) having my baby”. It was a huge hit and in it he suggested that it was a “lovely way of saying how much you love me.” Love appears to be disappearing as the fertility rates keep decreasing each year. In 1974, the global fertility rate was an average of 4.0 children per couple in their lifetime.
In 2022 the average has fallen to 2.3. In developed countries the birth rates average 1.85. It is expected that every country in the world could have shrinking (not shrinkage) populations by the end of the century with 23 nations, including Portugal and Spain, having their populations halved by 2100. Countries will age dramatically with as many people turning 80 as there are being born. By the end of the century, the planet will shrink in population from the current 9.7 billion to 8.8 billion.

Why are fertility rates falling and what will be the consequences? Falling fertility rates are not because people are having less sex or lower sperm counts, but primarily driven by more women in education and work plus greater access to contraception, resulting in fewer children being born. Men of course have nothing to say about this as they haven’t figured out a way to have a baby. India will be the most populous country at 2 billion by 2100 with China falling to second place because of previous restrictive measures implemented by China on the number of children allowed per family.

Although many see the reduction in population as a good thing, the issue is that 183 out of 195 countries will have a fertility rate below the replacement level and the number of children under five will fall from 700 million in 2022 to 401 million in 2100 when the number of over 80-year-olds will soar from 145 million to 866 million in 2100. Think about the consequences and the social change this will create and the reorganization of societies. For those with young children today, what will the world be like? Who pays taxes in a massively aged world? Who pays for healthcare? Who will look after the elderly? Will we still be able to retire from work or will we have to keep a job until we become disabled?

Many countries are recognizing the implications of low childbirth rates and are implementing programs to incentivize couples to have more children such as better maternity and paternity leave, free childcare, financial incentives and extra employment rights, however, you need people to staff these programs and currently workers and spaces do not exist in sufficient numbers. Where will the workers of the future come from to sustain the requirements of labour where population growth will have to be through immigration in countries such as Canada? The concept that countries will populate by immigration measures should be considered carefully as sudden societal changes will bring about chaotic results due to poor cultural integration. HG Wells said “We all have our time machine, don’t we? Those that take us back are memories…and those that carry us forward are dreams.” The memories in Portugal are of women in the 1950s, 60’s and 70’s having bundles of children they could not feed to sustain labouring requirements at home in order to survive. Today the dreams of having children are also tempered by the sacrifices that parenting brings. Children can bring happiness to a family, but many are born to people who should not bring them into the world. A survey of 6,100 millennials in Portugal suggested that 49% want to have children within the next 3 years. I have the feeling that instead they will opt for a dog as we observe on our streets today where baby carriages have been substituted by dog leashes. The United Nations is suggesting that people are dying younger, we have less education, and our incomes are falling for the first time in 30 years. Perhaps this will be the great equalizer where older people die faster, and less educated people will make more babies and medically assisted deaths could save millions in healthcare spending as new research suggests by the Canadian Medical Association.

Let’s populate the world for the right reason or survival will not be certain.

“Rules are for the guidance of men and the obedience of fools” – Douglas Bader.

Manuel DaCosta/MS

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