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Galeria dos Pioneiros Portugueses celebra 19 anos

DR-Primeiro grupo de portugueses que desembarcaram em Halifax a 13 de maio de 1953 - milenio stadium - 2022-04-29

 

Fundada a 13 de maio de 2003 pelos luso-canadianos José Mário Coelho (autor, compositor, produtor, diretor e apresentador de programas de rádio e televisão falecido em 2014), Bernardette Gouveia (fotojornalista) e Manuel DaCosta (empresário), a Galeria dos Pioneiros Portugueses fica localizada no 960 da St. Clair Ave West, a oeste de Oakwood Ave, em Toronto, perto do local onde muitos dos primeiros imigrantes portugueses se fixaram depois de desembarcarem no navio Saturnia na doca “Pier 21” em Halifax, Nova Scotia, a 13 de maio de 1953.

A Manuela Marujo, sublinha a importância destes arquivos para as futuras gerações de descendentes portugueses no Canadá tomarem conhecimento da sua história. “É muito importante ter um museu que tem a função de arquivar, registar, proporcionar estudo com uma biblioteca, com objetos que mostram o percurso de várias profissões, documentos, como passaportes, que ficarão para sempre disponíveis para se poder estudar a vida de quem veio para aqui”, explica.

A professora emérita diz ainda apesar de muitos destes pioneiros serem solteiros, pouco depois de emigrarem trouxeram as suas namoradas e acabaram por casar. Algumas das fotografias e livros retratam a vida familiar destes casais.

Muito do espólio do museu foi doado, inclusive alguns instrumentos musicais. “A música foi sempre um bálsamo e um motivo de grande alegria para matar saudades (….) Mariano Rego, António Amaro e Januário Araújo deixaram os seus instrumentos para que essa história não seja esquecida. Aqui encontramos registos de tudo o que eles fizeram e acharam que era importante doar ao museu para que os seus descendentes venham aqui um dia e saibam como é que foi a sua vida difícil. Nem todos tiveram sucesso, alguns voltaram ao seu país, mas a maioria das histórias que temos aqui são histórias das lutas que tiveram um final feliz”, contou.

Manuela Marujo destaca que no fundo a galeria é uma homenagem a estes homens que protagonizaram o início da história da emigração portuguesa para o Canadá porque “é a eles que nós queremos dizer que o trabalho que eles fizeram, todo o seu esforço em vir para um país desconhecido valeu a pena”.

A galeria pretende preservar o legado da primeira vaga de emigrantes portugueses para o Canadá – os chamados pioneiros- homens e mulheres destemidos que vieram à procura de oportunidades num país cuja língua a grande maioria não dominava. Os primeiros portugueses chegaram no início dos anos 50 vindos sobretudo do arquipélago dos Açores. Em termos de percentagem, os açorianos correspondiam na época a 70% da imigração portuguesa para o Canadá, os restantes vinham do arquipélago da Madeira e de Portugal Continental. O Observatório da Emigração e Centro de Investigação e Estudos Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa refere que “aproximadamente entre 350.000 a 400.000 açorianos ou descendentes vivem no Canadá e uma boa percentagem (65 a 75%) é oriunda das ilhas de São Miguel e Terceira”.

A Galeria está localizada em Toronto, a cidade mais multicultural do mundo onde residem cerca de 200 grupos étnicos e se falam mais de 140 línguas. Os luso-canadianos de hoje são diferentes dos que chegaram nos inícios dos anos 50, mas foram estes pioneiros que criaram os alicerces da comunidade de hoje por isso vale a pena fazer uma visita a este acervo museológico. Aqui encontra artefactos peculiares que pertenceram aos pioneiros como por exemplo, fotografias, cartas, malas de viagem, relógios e rádios.

A Galeria dos Pioneiros Portugueses está no riding de Davenport, onde, segundo os Censos de 2016, residiam mais de 100.000 habitantes. Este é o bairro que concentra a maior percentagem de população portuguesa em todo o país. A presença portuguesa é de tal forma significativa em nesse bairro de Toronto que aqui a língua portuguesa é a mais falada logo depois do inglês.

Apesar de os relatos históricos indicarem que os portugueses chegaram a solo canadiano no início do século XVI, a emigração portuguesa para o Canadá só começou a ter expressão a partir de 1953, o que significa que no próximo ano se celebra os 70 anos do início da vaga de imigração portuguesa para o Canadá. Apesar do Canadá e de Portugal terem uma longa história de interações, só no ano de 1952 é que foram estabelecidas relações diplomáticas formais entre os dois.

As razões que trouxeram os portugueses para cá confundem-se com as de tantos outros grupos étnicos oriundos da Europa e de outros continentes. Na altura os pioneiros que vinham à procura de emprego ou que fugiam da ditadura fixaram-se sobretudo em áreas urbanas nas províncias de Ontário, Quebec e Colúmbia Britânica e trabalhavam sobretudo na agricultura, construção civil e caminhos de ferro.

Nos finais dos anos 60, com a erupção do Vulcão dos Capelinhos, na ilha do Faial, dá-se mais uma grande vaga de emigração açoriana para o Canadá e EUA, cujo fluxo começa a cair nos anos 80 com a melhoria das condições de vida nos Açores devido à entrada de Portugal para aquela que é hoje a União Europeia. A emigração portuguesa, em geral, também começa a ser redirecionada da América do Norte para diversos países europeus.
Nos Censos de 2016, cerca de 482,610 canadianos revelaram que tinham origem portuguesa. Naquele ano a maioria dos canadianos portugueses residia em Ontário (324, 930), seguida do Quebec (69, 805) e da Colúmbia Britânica (41, 765).

Para as primeiras gerações de portugueses que dominavam pouco o inglês, a preservação da cultura e das tradições portugueses foi sempre uma prioridade. Os clubes e associações que representavam as mais variadas regiões de Portugal, são um exemplo disso. A comunidade portuguesa foi-se fixando sobretudo em áreas urbanas das grandes cidades canadianas e formaram aquilo que os investigadores identificam como “Little Portugals”.

Em 1971 o governo federal do Canadá anunciou oficialmente a adoção da política multiculturalista, cujo objetivo era preservar o património cultural do país. O multiculturalismo, anunciado na altura pelo primeiro-ministro Pierre Trudeau, pai do atual primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, visava promover a diversidade das culturas que tinham origem nos povos imigrantes e que desde então Otava reconhecia como parte do mosaico sociocultural do Canadá. A comunidade portuguesa é parte deste multiculturalismo tão característico do país.

Joana Leal/MS

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