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Créditos: DR

Onde existiram florestas e lagos hoje existem desertos. Um dos casos mais paradigmáticos e conhecidos é o antigo Mar de Aral, situado na Ásia, nos territórios do Cazaquistão e do Uzbequistão. Em apenas 80 anos, aquele que já foi o 4º maior lago de água salobra do mundo, perdeu 90% da sua área, passando de 68 000Km2 para uns meros 6 800Km2.

Onde antes existiam frotas de barcos pesqueiros e de mercadorias, hoje existe apenas deserto.

Após o fim da Primeira Guerra Mundial, numa política de produção massiva da ex-União Soviética, foram construídos gigantescos canais para irrigação de imensas áreas agrícolas, sendo desviados os caudais dos dois grandes afluentes do Mar de Aral, os rios Amu Daria e Syr Daria. O resultado final foi a aniquilação do Mar de Aral.

Este exemplo, pelos vistos, não serviu de lição para o que atualmente continuamos a fazer um pouco por todo o mundo. Na Europa, por exemplo, continuamos a alargar as áreas de produção de monoculturas intensivas e, para sua irrigação, desviamos e condicionamos cursos de água e rios.  A desertificação, porém, não é só provocada por desvio de cursos de água.

As grandes extensões de produção com monoculturas na Europa provocam o empobrecimento dos solos, levando a maior utilização de fertilizantes artificiais e aumentando também a necessidade de consumo de água, devido à incapacidade dos solos de reterem humidade.

Com as alterações climáticas, e com escassez de chuva, onde não existem rios, que permitam o uso de quantidades astronómicas de água, recorre-se aos lençóis de água subterrânea. Em zonas mais costeiras, como o sul de Espanha e o sul de Portugal, os mananciais freáticos começam a apresentar índices de maior salinidade por infiltração de água do mar. A água, referida aqui, é também a água necessária às populações, e que começa a tornar-se escassa. Os cenários futuros não são nada positivos.

Quando num futuro próximo não se conseguirem irrigar as imensas áreas produtivas, elas próprias se tornarão em desertos. Existem milhões e milhões de hectares na Europa onde devido às necessidades logísticas de produção, não existe qualquer árvore ou sequer outro tipo de vegetação para além do que se está a produzir.

Temos, portanto, um cenário a ser construído por vários elementos, o uso excessivo e inconsciente de água, o empobrecimento dos solos e a sua perda de fertilidade e humidade, imensas extensões sem árvores e sem biodiversidade, baixa pluviosidade e maior frequência de períodos de seca, aumento de temperaturas e de vagas de calor e por consequência fogos mais frequentes e com áreas gigantescas.

Ao longo de milhões de anos houve, com certeza, muitas zonas do globo que foram florestas e se transformaram em desertos, e vice-versa. Essas alterações e dinâmicas tiveram impactos violentos nos seres vivos, sendo que estas mudanças foram, algumas cíclicas outras abruptas, decorrendo, no entanto, do complexo funcionamento da Terra e do Cosmos. Desta feita, porém, as presentes alterações são consequência dos erros e da inabilidade humana.

Com todas as evidências, com todos os alertas, pouco se tem alterado o comportamento humano, levando-me a concluir tristemente que, na realidade, a mente humana é o mais novo e seco deserto na Terra.

Paulo Gil Cardoso/MS

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