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Sonhos a pontapé

Hoje é mais do que assumido que o talento só por si não chega. No futebol, tal como em quase todas as áreas da vida, para além do fator sorte e do talento inato, é fundamental muito trabalho. E ainda é preciso aplicar aqui um velho ditado português – “de pequenino se torce o pepino”. De facto, a técnica futebolística trabalha-se desde cedo. Quando ainda mal podem com as botas, como se costuma dizer, os pequenotes aprendem o que realmente interessa no futebol – o espírito de grupo, o respeito pelo próximo, e ainda ficam a saber à custa de muito treino, que ninguém nasce ensinado.

Portugal é hoje reconhecido no mundo do futebol pelo trabalho que as diversas academias de futebol têm desenvolvido. Com rigor, com exigência, mas transmitindo sempre valores essenciais à construção de grandes seres humanos, que se possível venham a ser também grandes futebolistas. O investimento feito ao longo das últimas décadas está a dar frutos e hoje temos a disputar o Euro 2020 jogadores que foram formados nas escolas de futebol nacionais. Jogadores que conquistaram a Europa e o Mundo do futebol. Que são reconhecidos pelo mérito, mas também pelo seu posicionamento na sociedade enquanto pessoas.

Hoje as academias nacionais têm filiais espalhadas pelo mundo, que trabalham com os jovens que, sendo portugueses, nasceram e vivem longe da terra dos seus pais ou avós. Toronto tem tido uma atividade interessante na área da formação de futebolistas. Alguns já deram o salto e estão a viver o sonho de serem jogadores de outras ligas, incluindo a portuguesa. Nesta edição do Milénio Stadium que estamos a dedicar ao Euro 2020 pareceu-nos importante ouvir quem está próximo e ajuda a realizar sonhos.


Sonhos a pontapé-toronto-mileniostadiumJosé Maria Eustáquio – Sporting FC Academy Toronto e Cambridge

Milénio Stadium: É sabido que é essencial um bom trabalho na área da formação para garantir que Portugal continue a destacar-se no mundo do futebol. Como tem sido desenvolvido esse trabalho na vossa escola?

O Sporting FC Academy Toronto e Cambridge através do nosso Acordo de Protocolo com o Sporting Clube de Portugal, Lisboa, é obrigado a cumprir todos os requisitos técnicos formais – o nosso diretor técnico é escolhido pelo Sporting e todos os nossos treinadores são sancionados, treinados e certificados pelo Sporting Clube de Portugal e, por último, os jogadores de toda a nossa academia são orientados pelos regulamentos, normas, práticas e mesmos princípios da formação da Academia do Sporting em Alcochete, Portugal. O Sporting Clube de Portugal realiza em Toronto, nas nossas instalações de Brockton Stadium, workshops anuais de treino, aulas e clínicas de certificação com nossa equipa técnica e jogadores.

MS: Considera que o desempenho da seleção nacional de futebol, ainda campeã europeia, tem ajudado a cativar mais jovens para a prática desta modalidade?

Sem dúvida que os recentes sucessos da seleção nacional de Portugal, como o campeonato do Euro 2016, têm manifestado um maior interesse dos jovens pelo ‘futebol’, tanto para rapazes como para jovens. No nosso caso particular, também a evolução do Sporting. A FC Academy em Toronto e Cambridge foi fomentada pela formação em Alcochete de sucessos icónicos de jogadores como Cristiano Ronaldo, Quaresma, Luís Figo, apenas para citar alguns. Esta realidade tem sido um grande catalisador do nosso crescimento e a razão pela qual somos diferentes de outras academias locais. Por fim, o exemplo do nosso próprio Lucas Dias, recentemente convocado para a seleção canadiana, mais uma vez transpira o nosso sucesso e muitas conquistas. Razão pela qual o Sporting FC Toronto foi escolhido como a Melhor Academia do Sporting Clube de Portugal, em todo o mundo.

MS: Que tipo de apoios têm recebido por parte dos clubes que vos dão também o nome?

O único compromisso do Sporting clube de Portugal, conforme estabelecido no nosso protocolo, é proporcionar orientação/princípios de coaching estruturado e oportunidades de desenvolvimento de jogadores em Portugal para os jovens jogadores que se encontram no auge da grandeza.

MS: Como têm conseguido trabalhar durante estes tempos de pandemia?

Tem sido muito difícil… Devido ao cancelamento das operações sob as diretrizes provinciais e da Toronto Soccer Association, temos simplesmente mantido uma presença administrativa, suporte técnico aos nossos jogadores através de formatos de Zoom e comunicação constante com jogadores e pais. Também reservamos um tempo para atualizar nossas instalações em Brockton, estender o nosso contrato de aluguer com o Conselho Escolar do Distrito de Toronto e aumentar a nossa presença nos media sociais e digitais.

MS: O que espera do resultado da seleção nacional no Campeonato da Europa deste ano?

Com o coração a marcar-nos a camisola, obviamente queremos que Portugal erga mais uma vez o troféu de campeão. Estar no Grupo da Morte com Hungria, Alemanha e França será muito difícil de seguir para a segunda fase. Crucial é a vitória de Portugal no primeiro jogo contra a Hungria. Conseguir isso é crucial. O eventual vencedor virá deste grupo – ou Portugal ou França.


Sonhos a pontapé-toronto-mileniostadiumJosé Luís Lopes – Benfica Soccer School / Toronto

MS: É sabido que é essencial um bom trabalho na área da formação para garantir que Portugal continue a destacar-se no mundo do futebol. Como tem sido desenvolvido esse trabalho na vossa escola?

A Benfica Soccer School implementou os métodos da Academia do SLB no Seixal. O sucesso deve-se essencialmente ao profissionalismo do diretor técnico João Oliveira, técnico da formação Benfica, e aos treinadores e adjuntos da nossa comunidade. Infelizmente a pandemia obrigou a cancelar a maioria das atividades. Em breve, voltaremos a funcionar em pleno.

MS: Considera que o desempenho da seleção nacional de futebol, ainda campeã europeia, tem ajudado a cativar mais jovens para a prática desta modalidade?

A prática do futebol em Portugal a nível jovem evoluiu imenso desde há 30 anos, quando fomos campeões do mundo sub-20, em Riade, em 1989 e em Portugal, em 1991.

A conquista do campeonato europeu em 2016 e a quantidade de jovens talentos existente neste momento atrai certamente mais jovens para a prática do futebol.

MS: Que tipo de apoios têm recebido por parte dos clubes que vos dão também o nome?

O apoio do SLB tem sido ao nível técnico e logístico. O SLB tem mais de 300 Casas do Benfica, a de Toronto é a número 1 fora de Portugal e a número 6 no mundo Benfica. A relação com a sede em Lisboa sempre foi de estreita colaboração a todos os níveis.

MS: Como têm conseguido trabalhar durante estes tempos de pandemia?

Durante a pandemia tem sido muito difícil.  Foi necessário vender o edifício sede para sobreviver. A recuperação está em marcha e a Casa SLB Toronto, com mais de 50 anos, irá continuar a ser o ponto de encontro para benfiquistas e toda a comunidade.

MS: O que espera do resultado da seleção nacional no Campeonato da Europa deste ano?

A seleção tem atletas com capacidade para ser novamente campeã. O grupo onde estamos inseridos é difícil, mas estou convicto que iremos vencer.


Sonhos a pontapé-toronto-mileniostadiumJoão Freixo – Peniche Os Belenenses Academy / Toronto

MS:  É sabido que é essencial um bom trabalho na área da formação para garantir que Portugal continue a destacar-se no mundo do futebol. Como tem sido desenvolvido esse trabalho na vossa escola?

A nossa Academia tem uma parceria com o Belenenses de Portugal, somos aliás uma filial do Belenenses já há uns anos. O trabalho tem sido desenvolvido debaixo das orientações de uma academia certificada que é a do Belenenses.

MS: Considera que o desempenho da seleção nacional de futebol, ainda campeã europeia, tem ajudado a cativar mais jovens para a prática desta modalidade?

Acredito que sim. Tem ajudado e muito. Por exemplo o atual selecionador dos sub-21, o Rui Jorge, é o patrono da nossa academia, foi ele que a inaugurou. Se não fosse a pandemia íamos trazê-lo cá agora no verão, mas pronto, não pode ser. Mas foi o Rui Jorge que nos orientou, programou… enfim o desempenho destas referências e da nossa seleção incentiva os jovens a trabalharem mais um bocado. E vemos que miúdos que chegam aqui com 12, 13 anos a lutarem por títulos e a aperfeiçoarem-se cada vez mais.

MS: Que tipo de apoios têm recebido por parte dos clubes que vos dão também o nome?

Os apoios que recebemos do Belenenses são mais à base de apoio técnico e se alguns miúdos forem a Portugal, é lá que ficam uns dias. Nós também fazemos tudo para conseguirmos levar todos os anos equipas a Portugal. Portanto, o que o Belenenses de Portugal faz é ajudar-nos a conseguir que os jovens progridam, porque eles têm métodos e têm técnicos profissionais que nós aqui não temos. Apoios materiais ou financeiros, isso não há. Emprestam os direitos de imagem, afinal somos filial de um clube que tem grandes pergaminhos, como é o caso do Belenenses.

MS: Como têm conseguido trabalhar durante estes tempos de pandemia?

Com esta situação da pandemia está tudo parado já vai para dois anos. Estamos numa situação bastante crítica. Agora quando tudo reabrir não sei o que se vai passar. Os miúdos e os pais têm andado desligados uns dos outros, embora vá havendo alguns contactos, mas é uma coisa mínima. De qualquer maneira o nosso trabalho vai continuar, só não sabemos qual vai ser a adesão e a resposta dos miúdos. Nós tínhamos vários escalões, cada um com o seu método de trabalho, mas os miúdos andavam satisfeitos e estavam ocupados, com os pais a apoiar.

MS: O que espera do resultado da seleção nacional no campeonato da europa deste ano?

Eu também fui futebolista, sei as fases por que passamos. Um atleta de alta competição tem altos e baixos, mas penso que a nossa formação tem trazido grandes frutos. E temos que lembrar o Carlos Queirós que fez um trabalho muito importante. Foi ele que começou as academias, insistiu na necessidade de formação. E o trabalho que vem de trás é que se projeta no futuro. E só assim as seleções melhoraram muito e conseguem os resultados que temos tido. Penso que no Euro 2020 nós vamos ter uma boa prestação, aliás como têm tido as seleções todas. Temos tido seleções muito fortes em todos os escalões. Eu sou um grande aficionado da nossa seleção, talvez a gente volte a repetir o que fizemos há dois anos. Temos matéria-prima para isso.

Catarina Balça/MS

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