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China Sempre a surpreender

China Sempre a surpreender - mileniostadium
(Christian Lue/ Unsplash)

 

Para os consumidores mais distraídos a China pode ser um país lá longe que pouco ou nada interfere no nosso dia-a-dia e que não nos diz respeito, mas os factos mostram uma realidade bem diferente. Em economia diz-se que quando a América espirra, o resto do mundo já está constipado. A frase alude ao domínio da economia americana na cena mundial e um dia pode vir a ser substituída pela China. O crescimento da economia chinesa em 2020 surpreendeu os especialistas e o mundo que acreditavam que tal como as outras economias do globo, a chinesa também ia sentir os efeitos da pandemia de COVID-19. Acontece que a China resistiu melhor do que qualquer outro país e o crescimento foi de tal forma positivo que os especialistas acreditam agora que a China vai passar a ser a principal economia do mundo não em 2030, como inicialmente julgavam, mas em 2026. Quer isto dizer que a América e o resto do mundo têm apenas cerca de cinco anos para acompanhar o comboio e contrariar esta tendência.

Os olhos do mundo e a esperança reside agora no Democrata Joe Biden que foi recentemente eleito presidente dos EUA. Biden anunciou políticas fortemente protecionistas para apoiar tudo o que é produzido nos EUA e prometeu lutar contra a China.

Para tornar a realidade mais fácil de perceber, a China está presente no nosso dia-a-dia das mais diversas formas: desde o nosso prato até ao que vestimos ou ao meio de transporte que utilizamos para nos deslocamos. Devido aos baixos salários o país consegue produzir a um preço que ninguém ou quase ninguém consegue igualar. Basta uma simples ida a um Dollar Store para perceber que a maioria dos artigos que lá compramos foi produzida na China. No campo dos eletrónicos a realidade é a mesma. Já deve ter ouvido que existe uma escassez de chips no mundo porque as fábricas chinesas fecharam durante a pandemia e não continuaram a produzir os semicondutores para acompanhar a procura mundial. O resultado está à vista: desde montadores de automóveis até fabricantes de smartphones, todos se queixam do mesmo – não conseguem produzir mais porque não têm chips. É preciso regressar a 1999 para recordar a última crise de chips que o mundo enfrentou, mas nessa altura o consumo mundial era bem menor do que é hoje e o mundo não lutava contra um novo vírus.

O mundo dos negócios pós-pandemia é dramaticamente diferente do que se poderia esperar há duas décadas. As empresas de tecnologia constituem agora um quarto do mercado global de ações e a mistura geográfica tornou-se muito desequilibrada. A América e a China em conjunto são responsáveis por 76 das 100 empresas mais valiosas do mundo. A Europa costumava fazer parte do grupo, mas agora em vez das 41 que tinha em 2000 tem apenas 15. No ano de 2000 a fatia da riqueza empresarial da Europa era proporcional ao seu cerca de um terço da economia mundial. Mas a realidade de hoje é diferente e isso traz consequências. A perda do poder da Europa pode significar mais margem para a China crescer.

Um estudo da Bloomberg mostra que entre 2000 e 2020 o valor líquido da economia mundial aumentou de $156 triliões de dólares para $514 triliões de dólares.  A China foi responsável por quase um terço do aumento e a sua riqueza disparou de $7 triliões de dólares em 2000 para $120 triliões em 2020.

A supremacia da China é visível ainda em áreas como ciência, tecnologia e inovação e em 2020 o país gastou 10.3% em investigação e desenvolvimento, o que representa $378 biliões de dólares. A China construiu a maior rede de alta velocidade 5G do mundo com cerca de 260 milhões de ligações móveis. A nível de redes sociais temos o TikTok, a app criada por uma empresa chinesa de Beijing, tornou-se em 2021 na aplicação mais descarregada em todo o mundo. Para terem uma ideia, a app foi descarregada mais de 2 biliões de vezes no planeta. O WeChat, a maior app de mensagens da China, tem mais de 1,2 biliões de utilizadores ativos por mês e é usada por cerca de 78% da população chinesa. Os dados da app são partilhados com o governo chinês e a app permite partilhar mensagens, fotografias, vídeos e conferências.

Dos cerca de 3.000 satélites operacionais que existem actualmente em órbita, pouco mais de 400 pertencem à China ou a empresas chinesas, mas o país deve lançar no futuro entre 30.000 a 40.000 novos satélites. Os EUA lançam entre 40.000 e 60.000 durante o mesmo período de tempo.

Mas quando falamos do poder do China, não podemos focar-nos apenas nas importações. A China devido à sua enorme população representa um mercado com enorme potencial para as empresas norte-americanas venderem. Veja-se o caso da gigante Apple que graças ao seu novo modelo de smartphone anunciou esta semana que conseguiu tornar-se na maior vendedora de telemóveis neste mercado em outubro de 2021.

Em junho deste ano a China anunciou que autorizava que cada casal tivesse no máximo três filhos. A política do filho único tinha sido implementada em 1970 para controlar a elevada taxa de natalidade e desde 2016 que a China permitia que cada casal tivesse no máximo dois filhos. Boas notícias para quem está interessado em vender para a China.

 

Joana Leal/M

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