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Reproduzir sem macho

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Credito: Dainis-Graveris-Unsplash

Somos ensinados, desde bem cedo, nas aulas de biologia, que apenas seres vivos mais simples, como bactérias e protozoários, se reproduzem de forma assexuada, criando pequenas cópias de si mesmos. Por outro lado, os animais e plantas precisam de esperma e óvulos, masculino e feminino, para que a reprodução sexuada aconteça. No entanto, nem sempre é assim…

Há alguns anos, cientistas descobriram que algumas espécies de animais se reproduzem com um processo chamado partenogénese — ou nascimento virgem, em grego. Porém, ao contrário de outras histórias de nascimentos virginais, estes não têm nada de milagrosos: é simplesmente uma questão de sobrevivência.

Arranjo-me sozinha!

As fêmeas humanas, racionais, podem fazer tudo sem os machos da espécie — embora ainda precisem de um banco de esperma caso queiram ter filhos. Isto porque os óvulos só têm uma metade dos 46 cromossomos necessários, precisando dos outros 23 vindos do esperma.

Já algumas espécies conseguem por ovos e gerar descendentes sem esperma: as fêmeas, por conta própria, multiplicam os seus pares de cromossomos e “fertilizam-se” sozinhas. Através desse processo, alguns animais acabam por ser autênticos clones da própria mãe – há ainda outras que até conseguem misturar os seus próprios genes para criar filhotes diferentes de si.

Esse facto é mais comum nos lagartos, mas depois foi observado nas cobras e, mais recentemente, em peixes e tubarões. São espécies que se reproduzem sexualmente, com machos e fêmeas acasalando, mas, mesmo assim, as fêmeas desenvolveram a capacidade de se reproduzirem sozinhas. Assim, elas não dependem de nenhum macho para gerar descendentes. Além disso, algumas cobras já foram observadas a gerar machos por partenogénese, para depois cruzar com eles, já que não havia outros disponíveis.

Amiga, ajuda-me…

Em algumas espécies de animais que se reproduzem por partenogénese, não é nem uma questão de “se arranjarem” sem machos, porque, na verdade, só existem fêmeas. Esse é o caso de várias espécies de bicho-pau, abelhas, moscas e grilos: as fêmeas reproduzem-se sozinhas, geram outras fêmeas que fazem o mesmo e por aí adiante; ou seja, simplesmente não existem machos.

Já os lagartos do gênero Cmenidophorus são um dos poucos casos em que isso acontece em animais vertebrados. Em algumas espécies, há apenas lagartos-fêmea, que produzem filhotes sozinhas. O curioso é que elas simulam os atos sexuais: quando uma lagarta está para produzir ovos, outra fêmea vem e acasala com ela. Em duas semanas, quando uma estiver fértil, os papéis invertem-se.

Dentro desse mesmo género, há outras espécies que têm machos, mas as fêmeas reproduzem sozinhas — e se, por acaso, elas encontrarem machos, os eventuais filhotes terão três conjuntos de cromossomas.

O mais curioso ainda é o que acontece em algumas espécies de salamandra: têm conjuntos de cromossomas “de sobra” para se reproduzirem sozinhas, porém precisam ainda do material genético masculino para estimular a produção dos ovos – elas “roubam” o esperma dos machos de outras espécies para isso, embora o material genético do bicho seja descartado na produção do filhote.

Kika/FYI/MS

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