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Almeirim, terra de touros, campinos e da famosa Sopa da Pedra

Turismo

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A cerca de 100kms, de Lisboa, encontramos Almeirim, aos pés da altaneira cidade de Santarém, em plena lezíria ribatejana.

Ainda hoje podemos ver alguns campinos montados nos seus cavalos, com as suas roupas coloridas a percorrerem a lezíria guardando touros nas margens do rio Tejo.

É um colorido diverso o das lezírias. Onde o verde floresce na planície e sobretudo onde o cultivo de arroz, tomate e melão, o famoso melão de Almeirim cresce, no inverno, na época da chuva, por vezes, o Rio Tejo galga as suas margens alagando toda a lezíria, e permitindo que a circulação se faça unicamente de barco. O verde dos campos transforma-se então em azul profundo. A água inunda os campos. Ainda que não aconteça com frequência, pontualmente vemos as imagens do Tejo com o seu grande caudal, navegável por cima das estradas, dos campos, que afinal também vai fertilizar. É um espetáculo que quando ocorre, muitas pessoas o vão ver do alto do miradouro das Portas do Sol, em Santarém.

Para além desta particularidade, Almeirim é famosa também pelo seu melão. No entanto, quando falamos de Almeirim, é na famosa Sopa da Pedra que todos pensamos!

A sua história provém de uma lenda muito antiga que se conta de boca em boca e que chegou até hoje, dando-lhe fama e levando centenas de pessoas a prová-la acorrendo a vários restaurantes que junto da Praça de Touros, desfilam numa rua única e por todos conhecida como a rua dos restaurantes! Chega a Almeirim gente de todo o país. Todos querem uma Sopa da Pedra!

Almeirim, terra de touros, campinos-portugal-mileniostadiumEu própria, adoro e recomendo!!

Aqui vai a sua lenda, já que não vos posso levar uma malga de Sopa da Pedra!

Certo dia um frade chega a uma localidade, cansado e com a barriga a dar horas! Bate à porta de um de um lavrador abastado a quem mostra uma pedra que trazia consigo e dizendo que gostaria de fazer uma sopa com ela. Sem nunca terem ouvido tal, pareceu ao lavrador que o frade não sabia o que dizia! Desconfiado perguntou-lhe:

– Com essa pedra?

Ao que o frade respondeu, que sim.

O lavrador pede então para que o frade lhe mostre como fazer.

Ora isso era o que o Frade queria ouvir! Lavou a pedra muito bem e pediu uma panela com um pouco de água.

– Só com esta pedra e mais nada? – Pergunta o lavrador

– Não, para ficar melhor, deve levar um fiozinho de azeite e deixarem-me pô-la ali naquele brasido, para que a pedra coza com a água, e o azeite e o sal, que também fará o favor de me dar!

O frade foi pedindo mais alimentos que coziam numa panela preta de ferro sobre as brasas. O lavrador e a mulher já sentiam um cheirinho bom a sair da panela. No entanto, o frade não ficou por ali.  Foi pedindo um pouco de carne, chouriço, farinheira, toucinho, entrecosto, feijão, batata, coentros, e tudo o que o lavrador tivesse por casa que ali pudesse juntar a ferver. Em pouco tempo saía um aroma delicioso da panela. O frade convidou então o lavrador e a mulher a comerem com ele a tão deliciosa sopa que ali tinha sido feita mesmo debaixo dos seus olhos.

Comeram, comeram, lambuzaram-se e esfregaram a barriga de satisfação!

– Que sopa deliciosa!

Mas subitamente o lavrador pergunta ao frade pela pedra!

Ao que o frade, esperto e ardiloso, responde:

Almeirim, terra de touros, campinos-portugal-mileniostadium– A pedra, está aqui no fundo da panela! Se me dão permissão, preciso de um pouco de água para a lavar e depois levo-a comigo para outra vez.!

Ora lá foi o frade feliz e de barriga cheia com a pedra lavada e embrulhada num pano, dentro do seu alforge, para na noite seguinte bater a outra porta e fazer mais uma Sopa da Pedra. 

Hoje vários são os restaurantes que fazem esta maravilhosa sopa.

Eu vou várias vezes ao restaurante O Forno, que simpaticamente me serve uma sopa tão boa como a que o frade cozinhou naquela primeira noite! Sempre que lá vou, passeio pelo restaurante, a cozinha é visível por todos os clientes. Vejo enormes panelas, com enormes colheres que mexem a pedra e os restantes alimentos. Fico sempre deslumbrada pelo espetáculo que é fazer esta sopa, mas sobretudo quando na mesa, depois de comer tudo até ao fim, vejo a pedra, branquinha, que voltará para a cozinha para encantar outras pessoas.

Ah!! Mais uma curiosidade desta terra!! Para além da sopa vem sempre para a mesa, tirar um saboroso pão regional, a que dão o nome de caralhotas!!

E esta hein?!!!! Vai uma sopa da pedra?

Luísa Silva Geraldes/MS

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