Temas de CapaBlog

O peso dos contentores

Aumento do custo de vida

O peso dos contentores-mundo-mileniostadium
Créditos: DR

Ter à mesa um peixe fresco, acompanhado de legumes regados com um bom azeite de oliveiras e uma taça de vinho, tudo português, é claro, é uma maneira que muitos luso-canadianos encontram para matar a saudades do país de origem e sentir um gosto de Portugal em pleno hemisfério Norte. Entretanto, atualmente, manter esse hábito de consumir produtos portugueses em terras canadianas está custando cada vez mais caro.

Se nas prateleiras dos supermercados os canadianos se depararam com o aumento dos preços durante a pandemia, quando se trata de produtos importados a diferença também disparou. 

Samuel Sousa, gerente da empresa Newport Fish, uma importadora de produtos de Portugal sediada em Toronto, e que distribui produtos para estabelecimentos comerciais na GTA, afirma que o aumento percentual girou em torno de 20 a 30%, e que por causa disso, alguns produtos inclusive deixaram de ser trazidos, já que chegariam ao consumidor a um preço muito alto: “As pessoas comentam que o custo de vida está muito caro. Ou não levam os produtos, ou levam muito menos”, diz ele.

Esses reajustes foram alavancados durante a pandemia, que desordenou o comércio internacional de mercadorias, afetando em cheio o transporte marítimo e resultando numa crise mundial de contentores. O confinamento, aliado ao fechamento de diversos estabelecimentos comerciais e a alta demanda por produtos vendidos online, foram alguns dos fatores que provocaram um acumular de contentores em portos mundo afora. Sem conseguir escoar as cargas, essas mercadorias ficaram paradas. Isso gerou a falta de contentores de transporte e, segundo apontam especialistas no setor de logística, o reajuste no preço pago por eles aumentou cerca de 600% no primeiro trimestre deste ano na rota entre Shangai e Portugal, por exemplo. Na altura, em entrevista a uma revista online portuguesa especializada, o presidente da Associação dos Portos de Portugal (APP), José Luís Cacho, explicou que entre os fatores que provocaram tamanho reajuste estavam também um aumento geral na procura por transporte de carga marítima, já que a pandemia provocou diminuição de voos comerciais de passageiros, que costumeiramente também transportam determinados produtos. Segundo ele “estes constrangimentos na atividade logística, aliados à menor oferta disponível por parte dos armadores, cria dificuldades ao nível da disponibilidade de contentores vazios, necessários para acompanhar a recuperação económica já sentida em grande parte dos países”.

Mesmo agora, quando as principais economias mundiais começam a dar sinais de recuperação, muito em função do alto índice de vacinação em alguns países e a gradual reabertura dos estabelecimentos comerciais e retorno às atividades, o transporte marítimo ainda não está estabilizado, o que influencia no preço dos produtos que chegam ao consumidor. A escassez dos contentores ainda atinge o mercado mundial e a crescente demanda de grandes exportadores como Ásia, Estados Unidos e Europa acirrou a disputa mundial, elevando o preço dos fretes e fazendo com que o prazo para entregas seja estendido. De acordo com especialistas se soma a isso o fato de, devido à diminuição do ritmo comercial, o próprio setor de contentores não produziu novos recipientes e o fornecimento atual não consegue suprir a demanda crescente.

Faltando pouco mais de dois meses para a chegada do Natal essa desestabilização do comércio marítimo também pode afetar a oferta de bens de consumo para a data. Os produtos eletrônicos e brinquedos estão entre os itens que mais podem ser atingidos. 

De fato, o que se observa é que desde a comida que temos à mesa, a roupa que vestimos e os aparelhos eletrônicos que usamos, esses produtos dependem em grande parte do transporte marítimo para chegarem até nós. De acordo com dados da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico de Portugal, 90% das mercadorias do mundo são transportadas por mar, dos quais 60% são alimentos, eletrodomésticos e outros bens, os restantes 40% são matérias-primas, direcionadas a diferentes setores da indústria.

Por isso enquanto o equilíbrio nessa área de transporte de mercadorias não for reestabelecido, de uma maneira ou de outra, o principal afetado será sempre o consumidor final, ou seja, nós vamos pagar mais caro para saborearmos desde um vinho ou peixe português, até comprarmos roupas ou produtos vindos de outros países através dos mares.

Lizandra Ongaratto/MS

Redes Sociais - Comentários

Artigos relacionados

Back to top button

 

Quer receber a edição semanal e as newsletters editoriais no seu e-mail?

 

Mais próximo. Mais dinâmico. Mais atual.
www.mileniostadium.com
O mesmo de sempre, mas melhor!

 

SUBSCREVER