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“Movimento Perpétuo: A Diáspora Portuguesa no Canadá”

A mostra de 70 anos de Portugal no Canadá

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A história e o retrato da diáspora portuguesa no Canadá têm um site próprio, uma plataforma na internet e uma exposição que está aberta ao público em Toronto (no Metro Hall), desde o passado dia 11 de setembro.

“Movimento Perpétuo: A Diáspora Portuguesa no Canadá” é o nome deste projeto desenvolvido pelo historiador Gilberto Fernandes, a pedido da Embaixada de Portugal no Canadá, que aborda “toda a história da imigração portuguesa no Canadá desde 1953”, mas também o desenvolvimento da comunidade e dos lusodescendentes, que vai muito para além do momento da imigração. Tudo isto acontece, não por acaso, como é óbvio, no ano em que se celebram os 70 anos da chegada dos primeiros imigrantes portugueses a este país da América do Norte.

Com o patrocínio do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua Portuguesa e da LiUNA Local 183, a comunidade portuguesa mostra-se com orgulho nesta história dos últimos 70 anos, que marca também, de forma indelével, a história do próprio país de acolhimento. Nesta exposição a história mostra-se através de testemunhos na primeira pessoa, objeto carregados de simbolismo e muito mais. O desafio é que quem a visite se deixe envolver pela memória destes 70 anos. Em recente entrevista ao Milénio, o Professor Gilberto Fernandes afirmou “70 anos já é muita história para contar, mas continua a ser relativamente recente. Estamos a falar de duas ou três gerações. Na altura em que comecei a estudar a emigração e a fazer investigação sobre portugueses no Canadá, havia muito poucos estudos sobre o tema e o que havia grande parte eram estudos de ciências sociais, especialmente sociologia, mas também antropologia. E grande parte desses escritos, ou pelo menos a investigação feita nos anos 70, início dos anos 80, em que a comunidade estava numa fase muito específica. Mas esses estudos importantes e informativos, mas tendiam, do meu ponto de vista, a especializar as características dos portugueses no Canadá.

Uma comunidade numa fase muito específica da sua história, com as características dessa primeira geração de imigrantes que vinham da ditadura, que vinham com muito pouca formação de educação formal, com pouco conhecimento da vida política, democrática, etc. E alguns desses estudos tendiam a cristalizar, em vez de contextualizar a realidade dos portugueses no Canadá. Em vez de se dizer “os portugueses estão assim” era “os portugueses são assim”. Então é preciso perceber a perceção histórica, encaixar no tempo essa realidade social. E foi essa a primeira temática, foi por aí que eu entrei nesses estudos. Até porque quando eu cheguei cá em 2004, Portugal era muito diferente, obviamente, do Portugal dos anos 50, 60, 70 por aí fora.

Eu, como historiador social, olho a história de baixo para cima, a história do povo, a história das pessoas ditas comuns, portanto, neste caso, a história dos imigrantes, dos trabalhadores, das mulheres, etc. Não existiam fontes, portanto, documentos em arquivos canadianos que me permitissem fazer esse tipo de análise e escrever o tipo de história que queria escrever. Eu tive de ir à procura então de documentação que não estava presente nos arquivos públicos daqui. Então, através da chamada história oral e entrevistas que fiz a várias pessoas, fui recolhendo essa informação. Nessa altura, quando comecei a minha investigação, conversei não com os pioneiros, atenção, porque quem entrevistei eram pessoas que chegaram cá já nos anos 70. Era mais a segunda geração, não cheguei a entrevistar pioneiros, até porque o meu interesse, pelo menos ao início, foi realmente não tanto investigar a história da imigração, o meu maior enfoque sempre foi a história da comunidade em si, ou seja, a formação da comunidade, as dinâmicas da comunidade”.

Relativamente à exposição, o historiador desvenda um pouco o que pode ser visto até ao dia 22 de setembro no Toronto Metro Hall: “temos 12 painéis pedagógicos que têm texto e fotografias sobre vários temas. Por exemplo, o momento de imigração, a integração, os bairros portugueses em Toronto e Montreal, as raízes agrícolas rurais da maioria dos portugueses imigrantes portugueses. Portanto, vários temas. Eu aproveitei os contactos e as relações que estabeleci quando trabalhei no programa de Hora dos Portugueses da RTP, em que fiz mais ou menos 100 peças na altura. Portanto, escolhi 70 dessas entrevistas com indivíduos e organizações e entrei em contacto com essas entidades e convidei-os a participar tanto no site como na exposição, escolhendo até cinco artefactos que contenham uma história, memória ou que lhes permitam falar sobre o tema da exposição que é a História da Diáspora portuguesa. Portanto, tirei fotografias a todos esses objetos, alguns deles tornei-os em objetos tridimensionais. E é desse espólio que fiz uma seleção, porque, como devem calcular, são imensos artefactos e não podia, infelizmente, mostrá-los todos. Todos esses artefactos estão também associados a entrevistas de rádio que fiz às pessoas que participam na exposição a que o visitante poderá aceder com os seus dispositivos, telemóveis, etc, fazer um scan num QR Code e então ouvir. Para além disso, tem também uma secção dedicada à arte. Convidei como curador assistente o Rui Pimenta, que é um curador de arte muito bem estabelecido e reconhecido aqui em Toronto e, portanto, convidei-o para fazer curadoria do espaço dedicado a artistas luso-canadianos.

A exposição tem então: os tais painéis temáticos, os artefactos, a componente artística e também algumas imagens de vídeo dos arquivos da Bell Media, dos documentários, peças de noticiário sobre os portugueses. E pronto, é a tal realidade aumentada, a tal componente interativa que irá permitir às pessoas interagirem com o site na própria exposição”.

A exposição será oficialmente inaugurada hoje (15 de setembro) pelo Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa o que será um dos momentos mais altos da visita oficial do Chefe de Estado português ao Canadá.

Madalena Balça/MS

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