Augusto Bandeira

Ou se tem Portugal, ou uma vida digna

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Afinal, o que queremos? Ou se tem Portugal, ou uma vida digna. Saíram mais 60,000 do país que mais exporta mão de obra, Portugal.

É uma realidade e nada surpreendente, como todos sabemos Portugal é campeão na exportação de mão de obra qualificada. Somos o país da Europa de onde mais se emigra. Acontece em períodos de maior sufoco, grande número emigra, em períodos de otimismo a emigração cai. No ano de 2021 o país perdeu mais 15,000 pessoas que em 2020, saíram do país mais de 60,000 – afinal para onde foram? E porquê? São perguntas difíceis de obter uma resposta. E estes são portugueses qualificados. Ouvia um programa na rádio e fiquei surpreendido com os números, o Estado investiu na formação, mas não consegue aguentar quem se formou. São os ordenados muito baixos e o custo de vida muito alto.

É muito preocupante o tipo de emigração, houve mais homens do que mulheres e uma população sobretudo em idade ativa, muito jovem.

O Reino Unido continua a ser o destino mais procurado, mas houve uma procura por toda a Europa, Espanha teve um crescimento muito grande. Neste caso é de ficar mais preocupado, se os filhos da nação procuram o país vizinho para viver algo está mal, a forma de governação não está a funcionar, Portugal investe e outros tiram proveito das capacidades. Podemos parar e pensar porque, regra geral, os portugueses que emigram conseguem acumular riqueza, afinal o que é que se pode fazer para isso se tornar regra também em Portugal? Reparem que ainda ninguém conseguiu uma resposta, porque não fazer uma réplica no nosso país sobre aquilo que tem sucesso noutros países, ou para políticos não convém mudanças? Não será fácil, mas na verdade alguém vai ter que reinventar algo para não se continuar a perder talentos. Na verdade, parece que custa a muitos perceber, se há exemplos que funcionam, basta copiá-los e aperfeiçoar. Não deve custar muito fazer uma experiência, mas a vontade não se vê em ninguém.

Perante situações destas é urgente todos fazerem uma reflexão, especialmente aqueles que vivem fora, no estrangeiro, e dizer a nós próprios que Portugal tem de deixar de ser visto apenas como um destino de férias.
Temos que olhar para Portugal como um país com muito potencial, se outros imigram para lá porque é que muitos continuam a sair? Eu contra mim falo, porque saí, regressei, e mais tarde voltei a este país, agora o tempo de passagem por terras do coração é para passar tempo com familiares e amigos e para matar saudades que, na realidade, devia ser para exigir mais aos governos e classe política no geral. Eles ficam muito contentes com os números que saem, são menos a exigir, a população portuguesa que emigra continua a ser na maioria composta por pessoas menos qualificadas, mas a classe com mais qualificações tem vindo a aumentar de ano para ano. Isto deixa o país cada vez mais pobre, porque os bons e honestos saem e os que menos querem ficam. A falta de transparência ajuda a que cada vez mais os jovens não acreditem nos políticos, nem no sistema instalado e procuram melhor qualidade de vida e a prova é que conseguem muito mais no mesmo tempo.

Nem tudo é um mar de rosas, sabemos disso e é muito evidente que não é, mas quem emigra consegue melhor vida face à que tinha em Portugal. Continuem a amar o vosso país que vos viu nascer e nunca se esqueçam de onde vieram, mas não desrespeitem o país que vos deu a qualidade de vida que hoje todos temos. O mal de todos nós foi fazer a mala uma vez para tentar melhor vida, depois disso tudo se tornou difícil de compreender e de estar em sossego.

Bom fim de semana.

Augusto Bandeira/MS

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