Saúde & Bem-estar

Mais do que parece

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Créditos: DR

Não são raras as vezes em que tendemos a desvalorizar certos sintomas que sentimos: ou porque andamos mais cansados, sobre stress ou porque até estamos numa altura em que a alimentação não tem sido das melhores – as “desculpas” são muitas e lá nos deixamos andar. “Há-de passar”, pensamos. Por outro lado, também existem aqueles momentos em que até nos preocupamos com alguma dor ou mal-estar, mas depressa somos demovidos de pensamentos mais negativos com um “deixa-te de ser queixinhas”. Pois bem, muitas vezes até pode realmente nem ser nada… mas existem “queixinhas” que podem parecer inofensivas mas que, na realidade, podem ser indicativo de uma doença e que por isso mesmo não devemos ignorar.

Hoje falo-vos de um caso em específico: a doença venosa crónica (DVC), em que os primeiros e principais sintomas associados são as pernas cansadas, inchadas, pesadas e com alguma dor. O calor e passar longos períodos em pé tendem a agravar estes sintomas, limitando as tarefas quotidianas – ainda assim, muitas pessoas desvalorizam o que sentem, por sentirem que é normal tendo em conta, por exemplo, a temperatura ou até a idade.

Também podem surgir cãibras noturnas, comichão e derrames – ou aranhas vasculares – e os especialistas alertam que assim que surgirem os primeiros sintomas os doentes devem procurar um médico, já que as manifestações cutâneas podem evoluir e inclusivamente resultar numa úlcera venosa (ferida) numa ou ambas as pernas. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico e quanto mais rapidamente se começar o tratamento, melhor será a evolução e recuperação.

A DVC é uma doença que atinge cerca de 10 a 20% da população mundial, mas são principalmente as mulheres que são diagnosticadas com a mesma, sobretudo a partir dos 30 anos. Segundo os dados da SPACV (Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular) em Portugal um terço da população sofrem desta patologia, entre elas 2 milhões de mulheres com mais de 30 anos.No país, esta doença é responsável por um milhão de dias de faltas ao trabalho, 21% de mudanças nos postos de trabalho e 8% das reformas antecipadas.

Esta doença resulta de uma disfunção ou insuficiência das válvulas nas veias, que perdem a capacidade de encerrar completamente, o que dificulta o retorno venoso. O tratamento da mesma passa por tratar os diferentes sintomas que os doentes apresentam (por exemplo, em caso de derrames é feita uma escleroterapia – que consiste na injeção de medicamentos nas veias, de forma a destruí-las -, já no caso das varizes recorre-se à cirurgia) e por prevenir a sua evolução: perder peso, elevar os pés sempre que estiver sentado/a, evitar estar muito tempo de pé, prática de exercício físico,compressão elástica dos membros inferiores e elevação dos pés da cama são algumas das sugestões.Para além disso, podem ser receitados determinados fármacos que se destinam ao alívio dos sintomas e à diminuição do processo inflamatório das válvulas.

Principais fatores de risco

  • Antecedentes familiares de DVC aumentam a probabilidade de vir a desenvolver a doença
  • As mulheres são o sexo onde a doença tem uma maior prevalência devido (também) às alterações hormonais, à contraceção hormonal e à gravidez
  • Com o avançar da idade, as nossas veias perdem resistência, o que pode contribuir para o aparecimento da patologia
  • Pessoas com excesso de peso, já que os membros inferiores – e consequentemente as veias – acabam por suportar uma grande carga
  • Sedentarismo ou pouco exercício físico
  • Tabagismo
  • Obstipação
  • Permanecer, por longos períodos de tempo, de pé ou sentado.

Outras curiosidades

  • Cerca de 20% dos doentes diagnosticados com DVC desenvolvem úlceras venosas
  • Entre 60 a 80% das úlceras dos membros inferiores têm origem exclusivamente nas veias
  • Estima-se que uma em cada 1000 pessoas sofre de trombose venosa profunda por ano
  • Em 35% dos casos de trombose venosa profunda o doente desenvolve uma embolia pulmonar, o que se pode revelar fatal.

Inês Barbosa/MS

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