Portugal

Ditadura – 47 X Democracia – 48

 

DITADURA DEMOCRACIA - milenio stadium - 2022-04-29

 

Um amigo enviou-me uma mensagem no dia 25 de abril dizendo: Natal é quando um Homem quiser, o 25 de Abril é sempre.

Nesta semana comemorámos 48 anos de democracia. Muitos vieram anunciar com pompa e circunstância que agora tínhamos ganho à ditadura, como se fosse um jogo de futebol – Ditadura 47 X Democracia 48. Uma vitória pela margem mínima, portanto.

Esteve bem o senhor Presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, dizendo haver um elo essencial entre a democracia e as comunidades, sabe bem perceber que o carinho pelas comunidades no estrangeiro continua, da parte do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros. Mas esteve, sobretudo, brilhante quando agradeceu aos Capitães de Abril.

Capitães de Abril a quem devemos a democracia, embora incompleta, que temos. Caro leitor, o 25 de Abril não trouxe ainda, nestes 48 anos, a democracia que precisamos e com isso a liberdade, a qualidade e os direitos que todos aspiramos e merecemos.

Explico com as perguntas a seguir porque está incompleto.

Onde está o 25 Abril de 1974 quando, no último ano em Portugal, morreram 23 mulheres vítimas de violência doméstica?

Onde está Abril de 1974 quando, no último ano em Portugal, a taxa de pobreza se cifrou nos 15% na média nacional e de 17.5 % nos idosos?

Onde está o 25 Abril de 1974 quando nos últimos Censos, em Portugal, a taxa de analfabetismo ainda era de 5.23% o que equivale a quase meio milhão de pessoas?

Onde está o 25 de Abril de 1974 quando o salário mínimo em Portugal é de 705 euros e a renda média de uma casa para alugar em Lisboa é de 1.264 euros e no Porto 935, na Madeira 875 e Faro 833 euros?

Onde está Abril quando se traça uma meta, em pleno 2022, com o objetivo de acabar com a fome em 2030 e garantir o acesso de todas as pessoas em situações vulneráveis, incluindo crianças, a uma alimentação de qualidade nutritiva e suficiente todo o ano?

Onde está Abril quando, no último ano em Portugal, 40% das pessoas alvo de um inquérito se diziam discriminadas pelo menos num dos seus contextos do quotidiano, 20% no local de trabalho?

Onde está Abril quando, no último ano em Portugal, 36% das pessoas LGBT afirmaram ter ouvido com muita frequência rumores relativos à sua identidade de género ou orientação sexual?

Onde está Abril quando, no último ano em Portugal, o Partido CHEGA consegue 399.510 votos?

Onde está Abril quando em Portugal o racismo está enraizado e ninguém tem coragem para fazer um debate sério através da educação escolar tirando o país desta negação?

Onde está Abril quando, no último ano, a diferença salarial entre homens e mulheres aumentou de 10.9% para 11.4%?

Portugal continua a ser um país de elites, de engenheiros e doutores, de duques e viscondes. O mesmo país que no 25 de abril de 1974 entregou a conquista dos Capitães a um General.

O grande Capitão de Abril, Salgueiro Maia, deixou esta mensagem concludente: “Não se preocupem com o local onde sepultarão o meu corpo. Preocupem-se com aqueles que querem sepultar o que ajudei a construir.”
25 de Abril Sempre!

Vítor M. Silva/MS

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