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Nem mais, nem menos

milenio stadium - dormir

 

Pode parecer bastante simples mas na realidade o sono tem muito que se lhe diga. Há quem chegue à cama e adormeça mal encoste a cabeça à almofada, há quem dê voltas e mais voltas até conseguir descansar e há até quem, mesmo estando exausto, não consiga dormir – nem depois de contar 400 mil carneirinhos. As razões para os problemas relacionados com o sono são várias e dormir mal pode mesmo ter sérias implicações na nossa saúde – quer física, quer mental.

Mas para além das razões por trás de um melhor ou pior descanso existe ainda uma outra grande dúvida que provavelmente já passou pela cabeça de todos nós: afinal, quantas horas devemos dormir para retirarmos o maior benefício possível para a nossa saúde? Ora parece que um novo estudo, realizado por investigadores da Universidade de Cambridge e da Universidade de Fudan, pode ter a resposta… pelo menos para algumas pessoas!

É que esta investigação concluiu que sete horas é a quantidade ideal de sono para pessoas de meia-idade e mais velhas. Por outro lado, uma menor ou maior quantidade de tempo a dormir está associado a um pior desempenho cognitivo e saúde mental, dizem os investigadores.“Ter uma boa noite de sono é importante em todas as fases da vida, mas especialmente à medida que envelhecemos”, assume a professora Barbara Sahakian, do departamento de psiquiatria da Universidade de Cambridge.

A POPULAÇÃO EM ESTUDO

Nesta pesquisa conduzida por cientistas do Reino Unido e da China foram examinados dados de quase 500 mil adultos, com idades compreendidas entre os 38 e os 73 anos. Para além de terem respondido a algumas questões relacionadas com os seus padrões de sono, saúde mental e bem-estar, estas pessoas participaram em diversos testes cognitivos. Para além disso, foram ainda disponibilizadas e analisadas ressonâncias magnéticas e dados genéticos de quase 40 mil dos participantes no estudo.

OS RESULTADOS

Depois de estudar todas estas variáveis, a equipa de investigadores chegou à conclusão que tanto nos casos em que os indivíduos dormiam demais ou em que dormiam horas a menos se verifica um efeito negativo direto no desempenho cognitivo – incluindo na velocidade de processamento, atenção visual, memória e capacidade de resolução de problemas.

Mas há mais: dormir mais ou menos do que as sete horas pode aumentar os riscos de ansiedade e até depressão. “Em cada hora que se afasta das sete horas, você piora”, afirma Barbara, acrescentando ainda que, à medida que envelhecemos, ter um sono de qualidade torna-se cada vez mais importante para a nossa saúde – tanto quanto praticar exercício físico.

AS LIMITAÇÕES

Apesar destas conclusões, a investigação publicada na Nature Aging deixa algumas questões por responder: entre elas, porque é que, de facto, dormir demais pode ser um problema. Ainda assim, uma das explicações apontadas pelos cientistas refere que as pessoas que têm um sono agitado podem efetivamente passar mais tempo a dormir… ou a tentar.

Já em relação ao sono insuficiente os investigadores acreditam que a associação a um declínio cognitivo pode dever-se à perturbação do sono de ondas lentas – ou sono profundo -, já que parece existir uma estreita ligação entre uma “quebra” neste sono e a consolidação da memória, bem como com a acumulação de amilóide – fibrilas proteicas que se podem depositar em diversos tecidos, entre eles o cérebro – associada a várias doenças incuráveis, tais como Alzheimer e Parkinson.

A juntar a isto temos ainda o facto de que a falta de sono pode dificultar a capacidade do cérebro de eliminar toxinas.

Inês Barbosa/MS

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