Vão-se os anéis… ficam os dedos
Que tenhamos sempre a capacidade de pensar e olhar para o futuro com uma atitude otimista. E olhem que isto nem parece vir de quem vem…
Nasci a 17 de outubro, o que quer dizer que sou do signo Balança. Segundo “aquele que tudo sabe” – também conhecido como Google -, as pessoas deste signo tendem a ser serenas e otimistas. Mas, como em tudo, há sempre exceções à regra.
Se há coisa que não sou é serena. Otimista… bem, isso tem dias. Convenhamos que o cenário atual não nos deixa com muita vontade de ver florzinhas e corações por todo o lado, certo?
Para mim este Natal poderia definir-se numa palavra: injustiça. E aqui tenho que concordar com a astrologia: para mim, não há nada pior!
Não é justo não poder ter toda a minha família comigo nesta época. Não é justo não podermos fazer tudo aquilo que sempre fizemos. Não é justo andarmos com uma nuvem de medo a pairar por cima da nossa cabeça a todo o instante!
A minha prima é médica e por estar no covidário durante estes dias não pode juntar-se a nós para celebrar o Natal – por consequência, os meus tios também não estarão presentes.
E com isto parece que a bolha de espírito natalício que nos envolve nesta época simplesmente rebenta. Faz sentido um Natal sem (todos) os nossos?
Bem, e é quando me começo a perder nestes pensamentos – movida sobretudo pela emoção – que tenho que “puxar” pelo lado racional. Os dois lados da balança…
Se por um lado de facto (e à primeira vista) possa realmente parecer não fazer sentido nenhum, por outro temos que pensar num dos grandes ensinamentos que 2020 nos trouxe: a nossa fantástica capacidade de adaptação.
Não pode estar connosco fisicamente? Fazemos uma videochamada e matamos saudades, tentando encurtar a distância. E depois temos os sonhos, as rabanadas e o arroz doce que também nos acalmam a alma. Uma desgraça, é o que é!
Fora de brincadeiras, o meu ponto é este: vamos ter um Natal igual aos outros? Não. Mas o mundo acaba por causa disso? Também não. Pelo menos o senhor das previsões ainda não se manifestou…
Posto isto, e até ver, vamos aproveitar da forma que pudermos, com quem pudermos, e mais tarde ou mais cedo teremos a nossa desforra. Até lá, não temos outro remédio a não ser fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para “matar o bicho”. Ele é teimoso, mas nós somos mais. Somos movidos pela enorme vontade que temos de nos podermos voltar a abraçar, beijar… e a poder respirar em condições, sem estas malditas máscaras!
Tenham um – tanto quanto possível – feliz Natal e lembrem-se que podem tirar-nos os anéis, mas os dedos ficam… para mandar o vírus bugiar!
Inês Barbosa/MS
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