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Trabalhadores presos há 13 dias na central de Chernobyl

MILENIO STADIUM - CHERNOBYL

 

Mais de 100 trabalhadores e 200 guardas ucranianos estão retidos na central nuclear de Chernobyl há quase duas semanas. As tropas invasoras russas conseguiram controlar as instalações logo no primeiro dia do conflito e têm mantido todo o pessoal sequestrado.

O familiar de um trabalhador contou à BBC que os russos disseram que os deixavam trocar de turnos mas que não poderiam assegurar a sua segurança na viagem nem a dos trabalhadores que os viriam substituir.

Após o acidente nuclear de 1986 em Chernobyl, foi criada uma zona de exclusão de 32 quilómetros em torno da central. As tropas russas dizem que estão a controlar a área em articulação com a Guarda Nacional Ucraniana. Porém, responsáveis ucranianos negam e dizem que os russos têm controlo total.

Apesar de a central estar desativada, ainda exige muito trabalho de manutenção. Entre cientistas, técnicos, médicos, guardas e pessoal de apoio, haverá cerca de 2400 trabalhadores. Residem na cidade de Slavutych, construída de propósito para acolher o pessoal da central após o desastre. Diariamente, a ligação entre a cidade e a central é feita por um comboio que tem de atravessar parte da Bielorrússia, um aliado da Rússia.

Apenas uma refeição diária

Segundo a BBC, os trabalhadores já começaram a racionar a comida e apenas fazem uma refeição diária e muito básica: maioritariamente pão e papas. No domingo, o exército russo voluntariou-se para lhes dar alimentos, mas os trabalhadores recusaram, alegando que era uma manobra publicitária.

Os funcionários improvisaram umas camaratas e já se organizaram em dois turnos para permitir algum descanso.

Os familiares dos 300 homens retidos estão desesperados, afirma o presidente da Câmara de Slavutych. “Alguns dos funcionários necessitam de medicação e isso acrescenta uma preocupação extra aos parentes”, disse Yuri Fomichev. “Temos de lhes dizer que, de momento, não há nenhuma maneira segura de os retirar de lá”.

A BBC questionou o autarca sobre se o stresse e as duas semanas de cativeiro poderiam afetar as suas capacidades e a segurança da central. “Nestas condições, a concentração dos trabalhadores piora e isso é uma ameaça à segurança. Pode não estar em funcionamento, mas mesmo assim a central requer muita atenção para assegurar que todos os sistemas estão a funcionar corretamente”, disse Fomichev.

“O pessoal está super exausto e desesperado. Duvidam que alguém se preocupe com eles pois não veem ninguém a fazer algo para os resgatar”, relatou um familiar, apelando a uma intervenção da Agência Internacional para a Energia Atómica. Um responsável da agência adiantou que estão em contacto com os dois lados do conflito para assegurar a segurança de Chernobyl e das restantes centrais nucleares ucranianas, mas que ainda não tinham chegado a qualquer um consenso.

JN/MS

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