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Manifestação à porta de conserveira junta cerca de 60 trabalhadoras em Rabo de Peixe

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Créditos: Eduardo Resendes

Cerca de 60 trabalhadoras da conserveira Cofaco, em Rabo de Peixe, manifestaram-se esta quarta-feira à porta da empresa, em São Miguel, exigindo “a progressão na carreira profissional de manipuladora”, um Acordo de Empresa e “salários justos”.

As trabalhadoras exibiam cartazes com as inscrições “Temos família e compromissos para cumprir, não brinquem mais connosco” e “Cofaco escuta, não nos vamos calar”, que replicavam com frases de ordem como “sentimo-nos traídas e abandonadas” e “queremos um Acordo de Empresa”. “Não acho justo estar há 20 anos sem categoria. Temos de lutar pelos nossos direitos. Não somos valorizadas”, afirmou aos jornalistas Tânia Cabral, há duas décadas funcionária da Cofaco da vila de Rabo de Peixe.

Há 28 anos na Cofaco, Engrácia Moniz, desabafou: “Não aguento viver com o salário mínimo estes anos todos”, explicando que está inserida numa “categoria profissional única”, correspondente ao salário mínimo. Também a colega Lucília Aguiar apontou ser “frustrante” trabalhar “tantos anos e sempre a receber o mesmo”. “Queremos um Acordo de Empresa. Temos colegas que foram para a reforma com uma miséria e queremos dar um futuro para os nossos filhos”, assinalou, aos jornalistas, exibindo um cartaz a reivindicar “Mais salário e melhores pensões”.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços, Hotelaria e Turismo dos Açores (SITACEHT), Vítor Silva, disse estar em causa “uma situação extremamente injusta” relacionada “com a progressão na categoria profissional”. “Aquilo que estão a fazer a estas trabalhadoras não reconhecendo a sua categoria profissional é inconstitucional”, vincou o dirigente sindical, aos jornalistas, em frente às instalações da Cofaco de Rabo de Peixe.

Segundo o dirigente do sindicato que convocou a manifestação, “cerca de 85% dos trabalhadores da Cofaco, e de toda a indústria conserveira, estão impossibilitados de progredir na sua categoria profissional”. “Uma pessoa pode trabalhar, 10, 20, 30, 40 ou mais anos e durante este período ganha sempre o salário mínimo praticado na região”, denunciou Vítor Silva. O dirigente sindical sustentou que os trabalhadores da conserveira, na sua maioria mulheres, “não têm o seu trabalho valorizado” pela Cofaco, que produz “marcas conceituadas no mercado nacional e internacional”, como a Bom Petisco, a Tenório ou a Pitéu.

“Estas senhoras são os ‘Cristianos Ronaldos’ da indústria conserveira: São das melhores que existem no nosso país”, assinalou, recordando que, “mesmo durante o período da pandemia de covid-19”, o setor “não parou, trabalhou sempre, produziu sempre e fez sempre lucro”. Para Vítor Silva, a empresa “tem todas as condições para poder aumentar estas trabalhadoras”, indicando que a situação “afeta cerca de 200 funcionárias”.

“A administração diz que vai tentar ver, que é muito difícil, mas da última vez que começaram a estudar já foi há sete anos”, sustentou, justificando que a proposta apresentada pelo sindicato era “muito fácil” de ser implementada.

“São três níveis de categoria de manipuladora. O nível terceiro para quem tem mais de três anos de serviço e ganharia mais 15 euros do que o salário mínimo. A manipuladora de segunda para quem tem mais de seis anos de serviço e iria auferir mais 30 euros e a manipuladora de primeira para quem tem mais de nove anos de serviço, que ganharia mais 45 euros do que o salário mínimo”, acrescentou.

Antes da manifestação, o sindicato realizou um plenário, tendo Vítor Silva admitido “outras formas de luta mais duras”, caso a situação dos trabalhadores não seja resolvida. Os trabalhadores da Cofaco cumprem, desde setembro, uma greve às segundas e sextas-feiras, no período normal trabalho, e outra paralisação às horas extraordinárias. Essa paralisação, que decorre até dezembro, “está a ter uma adesão bastante significativa”, segundo Vítor Silva.

AO/MS

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