Daniel Bastos

Mudar

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Ana Ventura e algumas das suas ilustrações. Créditos: DR.

No ocaso do passado mês de julho, o júri da 26.ª edição do Prémio Nacional de Ilustração, atribuído pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), que tem como objetivo reconhecer e incentivar o trabalho de artistas portugueses ou residentes em Portugal no domínio da ilustração de livros, anunciou que a artista plástica Ana Ventura venceu, por unanimidade, este relevante galardão com o livro Mudar.

Ilustradora e artista plástica multifacetada, Ana Ventura, que nasceu em Lisboa, em 1972, e é licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL), tem ao longo dos últimos anos deixado a sua marca nos mais diversos suportes, desde livros, serigrafias, postais, roupa e acessórios.

Artista da galeria do Centro Português de Serigrafia, com o qual trabalha regularmente desde 2006, técnica que usou nas ilustrações do livro Nove storie sull’amore, de Giovanna Zoboli, assim como no livro Os Pensamentos não fazem barulho, de Magikon Forlag, e O rapaz que não se tinha quieto, de Rita Taborda Duarte. A vencedora da recente edição do Prémio Nacional de Ilustração, constituído por um prémio de 10.000 euros, acrescido de 1500 euros destinados a apoiar uma deslocação à Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, em Itália, assina e ilustra o livro Mudar, publicado no ano transato pela editora Pato Lógico. Uma das singularidades do livro, composto sobretudo em duas cores – amarelo e azul – que dialogam em contrastes, entre luz e sombra, é que o mesmo assume-se como uma metáfora da emigração portuguesa do séc. XXI, tanto que foi inspirado na própria história de vida da artista plástica, que emigrou em 2015 para a Bélgica, onde vive e trabalha.

Segundo Ana Ventura, «Mudar coincide com a minha experiência pessoal de sair de Portugal e ir para a Bélgica. A ideia para a história surgiu quando, numa tarde de Outono ao atravessar o parque da cidade em Antuérpia, apanhei uma folha do chão. Pensei: “Está a mudar de cor, está a adaptar-se a uma nova realidade”. Para representar esta mudança, recorri à utilização de duas cores, o amarelo e o azul. Mudar fala de alguém que, por qualquer razão, decide partir, ir para um território desconhecido à procura de uma vida melhor. Sair da zona de conforto, escolher o que levar, o que deixar, as incertezas, o entusiasmo da aventura, a reacção dos que ficam e dos que nos recebem são coisas que fazem parte dum processo complexo de adaptação. Este livro é uma metáfora sobre os dias de hoje em que todos nós, seja pela aventura, pelo trabalho, pela religião, pela guerra, por amor, pela família, pela curiosidade, viajamos, circulamos, mudamos e nos misturamos pelo mundo fora.  As ilustrações foram inspiradas em locais, casas, lojas, plantas, amigos e familiares que vou conhecendo».

Neste sentido, o recente trabalho da artista plástica portuguesa expresso no livro Mudar, renova a linha de força defendida pelo seu congénere mexicano Felipe Baeza, que vive e trabalha em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América: “Acredito que a arte tem um papel crucial em transformar, redefinir e repensar o fenómeno global da imigração”.

Daniel Bastos/MS

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