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Rui Mateus Amaral: Um luso-canadiano que dá cartas no mundo da arte

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Rui Mateus Amaral é curador adjunto no Museu de Arte Contemporânea de Toronto (MOCA). Apaixonado por arte desde muito cedo, o jovem trabalhou também como consultor em projetos culturais de outras instituições de arte canadianas, nomeadamente a Royal Ontario Museum, Canadian Art Foundation e Art Toronto. No ano passado o luso-canadiano foi um dos curadores da Greater Toronto Art, uma exposição multidimensional que esteve patente ao público no MOCA.

Rui é ainda diretor e curador da Scrap Metal, um espaço de exposição privado, sem fins lucrativos na cidade. A Toronto o jovem luso-canadiano trouxe exposições de vários artistas de diferentes países– Carlos Bunga (Portugal); Hudinilson Jr. (Brasil); Abraham Cruzvillegas (México); Eduardo Basualdo (Argentina); Eric N. Mack (Nova Iorque); Vajiko Chachkhiani (Geórgia); Ryan Gander (Inglaterra) e Eva Kot’átková (República Checa).
Recentemente Rui Mateus Amaral foi um dos nomes apontados na lista do Milénio Stadium como um dos influencers da comunidade luso-canadiana. Abaixo publicamos a entrevista com este jovem que apesar de viver em Toronto está bastante conectado com a cultura portuguesa.

Milénio Stadium: Como é que descobriu a sua paixão pela arte?
Rui Mateus Amaral: Não me lembro de não ser apaixonado pela arte. Sempre estive em sintonia com a estética: a forma como nos vestimos, como nos movemos, como a arquitetura e os interiores parecem e sentem, a forma como a música soa, como os materiais se combinam, etc. Foi no início dos meus 20 anos, quando vivia em Londres, que me apercebi de como a arte contemporânea poderia ser complexa. Não só podia ser uma experiência estética, como também algo emocional e intelectualmente estimulante. A dada altura, interessei-me pela forma como os objetos comunicavam e segui essa curiosidade.

MS: Na cena artística como é que compara Toronto com outras cidades do mundo?
RMA: Como muitas cidades, Toronto tem diferentes cenas de arte no seu interior, por vezes há sobreposições e outras vezes não. Há momentos em que a cena artística aqui se sente muito vibrante, harmoniosa e dinâmica, mas não é consistente como em outras cidades que oferecem uma abundância e diversidade de experiências artísticas. Toronto continua a encontrar-se a si própria. É um lugar sem centro, que é o que o torna ao mesmo tempo um lugar único e um lugar difícil de se trabalhar.

MS: Porque é que é tão apaixonado pela arte contemporânea?
RMA: A arte contemporânea é um espaço de ideias onde os artistas convidam o público a olhar o mundo de forma diferente, a refletir e a questionar as suas próprias experiências, relações e valores. Seja a observação de graffitis nas ruas, uma performance, ou um objeto num museu, a oportunidade de entrar na mente de outra pessoa, de abrandar, ligar e fazer sentido do mundo, tudo me atrai. E a beleza nesse processo também.

MS: Como é que começou a sua relação com o Museu de Arte Contemporânea de Toronto (MOCA)?
RMA: Foi através da abertura e generosidade de November Paynter, o diretor artístico de Toronto, que assumiu a minha proposta de trabalhar numa exposição específica no MOCA com o artista português Carlos Bunga. Essa experiência em 2019/2020 evoluiu para o meu papel de curador adjunto, onde desde então co-fundei a exposição trienal inaugural do museu, GTA21, co-desenvolvi um programa de filme e vídeo online intitulado Shift Key e fiz a curadoria da primeira exposição individual do influente artista Felix Gonzalez-Torres no Canadá.

MS: Para além do MOCA, que outras colaborações tem?
RMA: Acabo de curar uma exposição coletiva em Lisboa na Galeria 3+1, intitulada 18 Maio 2022, o meu primeiro projeto em Portugal. Também aconselhei em vários projetos artísticos para marcas como Hermès e Chanel, Art Toronto (feira de arte do Canadá), assim como coleções de arte pessoais.

MS: Quais são os seus planos para o futuro?
RMA: O próximo é um livro que assinei e publiquei com o artista Paul P. intitulado, “Garden Court: Scott Burton e Peter Day”, como parte da “ArtworxTO: Ano da Arte Pública de Toronto 2021-2022”. Estou a trabalhar em três exposições que irão abrir ao longo de 2023 e 2024 (aqui e no estrangeiro) cujos pormenores ainda são confidenciais.

MS: Como é que se liga à cultura portuguesa?
RMA: Brinco frequentemente que eu e o meu companheiro mantemos uma casa portuguesa – os nossos talheres Cutipol, linho português, vasos da Casa Cubista, azeite Oliveira da Serra e vinho Vulcanico rosé, Portugal faz parte dos nossos rituais diários. Além disso, viajamos frequentemente para os Açores e o Continente, descobrindo coisas novas enquanto revisitamos os nossos lugares favoritos. Adoramos a cena artística portuguesa e fazemos um esforço para estar em diálogo com os nossos colegas de lá frequentemente. De facto, em 2019 eu co-organizei a Focus: Portugal, uma secção da Feira de Arte de Toronto dedicada a artistas, galerias e organizações sem fins lucrativos do país.

MS: O Rui foi um dos influenciadores recentemente escolhidos pelo nosso jornal Milénio Stadium. O que significa para si esta nomeação? Qual é a sua mensagem para a comunidade portuguesa?
RMA: É significativo ser reconhecido pela minha diáspora e estou grato por isso. Foi através da minha exposição precoce à música e à dança do folclore, todos eles voluntários e entusiastas locais, que fui introduzido à tradição, expressão e à realização de que poderia pertencer às artes. Ser nomeado é também valioso para mim, pois ligo todas as minhas realizações aos meus pais, cujos sacrifícios e crenças sustentaram a minha visão e o meu trabalho. Espero que, de alguma forma através das minhas exposições ou da escrita, se abram possibilidades para outra pessoa e que o meu trabalho contribua para a sociedade e a imagem dos luso-canadianos de hoje.

Joana Leal/MS

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