Sim, o cancro da mama também afeta os homens. Saiba como é o rastreio que tem de fazer

Apesar de não ser tão comum nos homens, é preciso estar atento aos sinais de alerta e, tal como as mulheres, fazer o devido rastreio.
Se é homem e pensa que nunca poderá ter cancro de mama, desengane-se. O mês de outubro é conhecido como “outubro rosa”, de modo a consciencializar a população para o cancro da mama. Apesar de esta ser uma doença associada sobretudo a mulheres, Cristiana Marques, oncologista da AIM Cancer Center , refere que os homens também têm de estar atentos aos sinais de alerta.
Cristiana Marques afirma que 1 em cada 8 mulheres desenvolverá cancro da mama ao longo da vida. Já nos homens, a probabilidade é de 1 em cada 1.000, sendo consideravelmente menos provável. “De todos os cancros da mama diagnosticados, apenas cerca de 1% ocorrem no género masculino”, acrescenta. As causas para o desenvolvimento do cancro da mama nos homens são várias, mas o principal fator de risco é “a presença de mutações genéticas, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2, que aumentam significativamente a probabilidade de desenvolver a doença”.
Causas do cancro da mama nos homens
O estilo de vida também é algo a considerar quando falamos de causas. O consumo excessivo de álcool afeta os níveis hormonais, podendo aumentar o risco do cancro da mama. Pode contribuir também para isso o excesso de gordura corporal associado à obesidade e doenças hepáticas, como cirrose, uma vez que aumentam a quantidade de estrogénio no corpo. Outras das causas apontadas pela especialista são a exposição à radiação no tórax (por exemplo, através de radioterapia) especialmente em idades mais jovens e a síndrome de Klinefelter, uma alteração genética rara causada pela presença de um cromossoma X extra no sexo masculino.
Homens com histórico de cancro de mama na família, especialmente de parentes próximos como mães ou irmãs, têm um maior risco de vir a ter cancro de mama. Por fim, o risco de cancro de mama aumenta com a idade, sendo mais comum em homens com mais de 60 anos.
Dados do IPO referem que o cancro com maior incidência em Portugal é o de mama, seguido do cancro da próstata, do pulmão, do estômago e da bexiga. Um dos grandes problemas relacionados com esta doença é o facto de os tumores terem a capacidade de se propagar para outros órgãos. Na verdade, “o cancro da mama avançado pode atingir os pulmões, fígado, ossos, cérebro”, sendo precisa redobrada atenção, qualquer que seja o sexo. Cristiana Marques afirma que “todos temos de estar atentos a qualquer alteração no nosso corpo, incluindo alterações da mama em homens”.
Autoexame – quando fazer e como
O autoexame da mama continua a ser uma das principais formas de obter um diagnóstico precoce. Apesar de não existir uma recomendação formal sobre a idade, é geralmente recomendado que os homens comecem a fazer o autoexame a partir dos 35-40 anos, especialmente se tiverem alguma mutação genética ou histórico da doença na família.
De acordo com a especialista, o autoexame não difere de homens para mulheres, devendo ser feito de forma regular, uma vez por mês. Siga os seguintes passos:
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Observação diante do espelho com os braços ao longo do corpo e com os braços acima da cabeça, verificando se há alterações visíveis nas mamas, como assimetrias, ondulações e retrações da pele ou do mamilo.
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Palpação deitado com uma mão atrás da cabeça e usando os dedos da mão oposta para examinar a mama e axila, fazendo movimentos circulares e pressionando suavemente para detetar nódulos ou áreas endurecidas.
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Palpação em pé, por exemplo durante o banho, repetindo os mesmos movimentos de palpação descritos no ponto 2.
Quais os sinais de alarme?
Se, durante o autoexame, encontrar nódulos ou inchaço na mama ou na axila, alterações na pele, seja por vermelhidão, retrações ou ondulações, secreção mamilar inexplicada ou retração mamilar, esteja atento. “Esses sintomas devem ser avaliados por um médico o mais rápido possível para um diagnóstico adequado”, refere Cristiana Marques.
Como é feito o diagnóstico?
Geralmente, o primeiro passo após procurar um médico é a ecografia mamária, de modo a avaliar a natureza da lesão. Se, depois disso, for identificado algum tumor, a biopsia é o passo seguinte. É aí que o diagnóstico é confirmado e que se fica a saber se o tumor é benigno ou maligno. De acordo com a oncologista, “este processo é essencial para definir a abordagem terapêutica mais adequada”.
O diagnóstico precoce é de extrema importância, sendo capaz de salvar vidas. O IPO declara que este “contribui, sem dúvida, para o maior número de curas e de remissões prolongadas da doença”. A especialista refere ainda que, nos homens, pode ser mais fácil a identificação de nódulos ou de outros sinais de alerta e de mudança na mama, mas que o diagnóstico costuma ocorrer de forma tardia. A verdade é que muitos homens não dão a devida atenção aos sintomas, chegando mesmo a desvalorizá-los. “Ignorar os mesmos, pode resultar em crescimento excessivo do tumor e metastização, o que, por sua vez, leva a taxas de sobrevivência mais baixas e a intervenções cirúrgicas mais invasivas”, adverte a oncologista. Assim, o diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as hipóteses de um tratamento bem-sucedido.
Cristiana Marques alerta para que “os homens estejam atentos a qualquer alteração e procurem orientação médica rapidamente”. A Liga Portuguesa Contra o Cancro explica ainda que continua a haver muita investigação relacionada ao cancro de mama, estando sempre a ser descobertos novos dados acerca das causas, modos de prevenir, detetar e tratar a doença. É de esperar que pessoas com cancro da mama venham a ter uma cada vez maior qualidade de vida e uma maior hipótese de sobreviver. Para todos os efeitos, todos devemos estar atentos, fazer o autoexame regularmente e procurar ajuda se necessário.
HM/MS







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