Saúde & Bem-estar

A vida frágil pede intensidade

De maneira geral, a maioria de nós vive como se fôssemos eternos. Cultivamos esperanças e muitas delas são fortalecidas por ilusões. Esperamos fazer a viagem tão sonhada, esperamos  encontrar a nossa alma gêmea e a realização profissional.  Entre tantas esperanças, esperamos encerrar nosso ciclo vital  apenas quando completarmos 100 anos, com muita saúde física e mental. Afinal, tem que haver tempo suficiente para realizarmos todas as nossas esperanças, não é mesmo?

Mas a dura realidade é que não temos controle sobre nada disso. São tantas variáveis que interferem em cada realização que, apesar de muito esforço e trabalho, muitas aspirações nunca se concretizam. E, para completar, a nossa constituição orgânica, apesar de ser uma máquina perfeita, é frágil e suscetível a eventos internos e externos. Resumindo: a qualquer momento, sem aviso prévio, poderemos não estar mais aqui para cumprir nossos planos e desejos.

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Créditos: DR.

A finitude da vida parece distante e evitamos pensar a respeito. No entanto, a Covid-19 veio para esfregar na nossa cara que não controlamos absolutamente nada. Que algo microscópico como um vírus pode abalar nossa sociedade de forma avassaladora. Todos os nossos sistemas sociais, econômicos e políticos foram afetados. Nossa liberdade de ir e vir está comprometida. Milhares de vidas perdidas no mundo todo.

Semana passada, uma morte em especial mexeu muito comigo. E foi a do ator e comediante brasileiro Paulo Gustavo, que  lutou por 51 dias pela vida e nos deixou em meio a torcida e orações por seu restabelecimento. Particularmente, guardo uma frase sua que expressa muito bem sua capacidade de fazer humor e reflexão: “rir é um ato de resistência”. Sua partida nos deixou órfãos de alegria, de arte e criticidade. O Brasil está triste.

A morte dessa figura tão conhecida e carismática, me fez chacoalhar por dentro e me lembrar da fragilidade do ser humano e o quanto precisamos parar de perder tempo com futilidades  e  mergulhar de cabeça nessa coisa chamada vida. Temos que fazer aquilo no qual acreditamos, temos que lutar com todas as nossas forças para fazer valer a nossa vontade, principalmente quando ela é baseada na justiça, temos que preservar a nossa essência. Porque quando chegar o momento da nossa partida, acredito que haverá uma certa satisfação por termos tentado dar o nosso máximo para fazer valer a oportunidade de estar aqui e viver.

Coisas pequenas, fúteis, intrigas bobas, desgastes por quase nada, são apenas atrasos de trajetória. Precisamos nos dar conta e ter um olhar diferente diante do momento presente. Precisamos enxergar a grande oportunidade de poder estar aqui degustando tantas experiências que nos possibilitam aprender, crescer e autodesenvolver. Precisamos valorizar e curtir as pessoas amadas que estão ao nosso lado. E não estou falando sobre  degustar apenas quando se trata de grandes viagens, de restaurantes caros, de roupas de marca ou uma mansão pra chamar de sua. Estou falando de momentos simples, do cotidiano. Momentos esses que podem se transformar em vivências profundas, com  significado de verdade,  que mexem com as entranhas da alma.

Considerando a fragilidade da vida e a possibilidade de fazermos nossa jornada com paciência e sem falsas esperanças, com aceitação e serenidade, que tal seguirmos algumas diretrizes que podem nos ajudar?

Começando por voltar nossa atenção para a realidade do aqui e agora. Mais uma vez: não temos o controle do amanhã, aproveitemos o dia de hoje como se fosse o último. Digamos o quanto amamos as pessoas que são importantes pra nós. Perdoemos. Vamos nos deixar fluir pela vida, sem amarras. Vamos focar nossa atenção no que somos e no que almejamos. Essa montanha-russa, uma hora, acaba. E, quando acabar, sentiremos que foi uma bela aventura!

Adriana Marques/MS

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