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Cerveja de há 9 mil anos

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Créditos: DR

Um grupo de arqueólogos do Dartmouth College, em New Hampshire (Estados Unidos), identificaram artefactos antigos (dezenas de recipientes de cerâmica de tamanhos e formas variáveis) associados à cerveja e datados de 9 mil anos atrás, durante expedições à cidade chinesa de Qiaotou. Depois das devidas análises, concluiu-se que os potes de cerâmica eram utilizados para armazenar uma bebida “ligeiramente fermentada e doce” que era consumida em rituais de homenagem aos mortos – mas já lá vamos!

Existiam suspeitas de que esses recipientes eram usados para bebidas alcoólicas e por isso a equipa resolveu examinar muito bem os resíduos que se encontravam dentro desses vasos, de forma a perceber se continham microfósseis de amido, fungos ou uma matéria vegetal chamada phytoliths – componentes utilizados em bebidas fermentadas. Além disso, para terem a certeza de que tudo o que encontraram não era apenas contaminação de milénios de sujidade, compararam-nos também com amostras de solo colhidas à volta do local.

Depois da análise feita, além de não terem sido encontrados componentes do solo, concluiu-se que estes recipientes já tinham contido uma bebida fermentada idêntica à cerveja no seu interior, uma vez que foram encontrados resíduos microbotânicos como fitólitos e grãos de amido, e resíduos microbianos como bolor e levedura.

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Créditos: DR

Esta descoberta de há 9 mil anos, que é a prova mais antiga da utilização de bolor como agente de fermentação, é o segundo exemplo conhecido de fabrico de cerveja alguma vez encontrado. O primeiro foi em 2018, quando um grupo de arqueólogos também descobriu um líquido fermentado, idêntico ao da cerveja, em Israel, numa sepultura com 13 mil anos, pertencente a um grupo designado Natufian.

Outra das conclusões do estudo é que esta “cerveja”, provavelmente, não terá sido utilizada como uma bebida do dia a dia, em contexto de convívio entre amigos como hoje constatamos tantas vezes – neste caso em concreto, os investigadores acreditam que, tendo em conta os indícios recolhidos nos esqueletos, esta bebida fazia parte de um ritual associado aos mortos.

No topo de um monte de três metros de altura e cercados por uma vala de 1,5 metro a 2 metros de profundidade, foram encontrados dois esqueletos humanos, além dos tais 50 vasos intactos e algumas cerâmicas fragmentadas. A região, que aparentemente era um local funerário, abrigava potes de todos os tamanhos e formatos, com alguns deles contendo pinturas em tinta branca e inscrições com desenhos abstratos.

Todas estas conclusões apontam então que o consumo de álcool era uma atividade presente em rituais de homenagem aos mortos e ocasiões especiais, uma vez que o processamento do arroz consistia num trabalho árduo na época, exigindo processos complexos e ferramentas especializadas. Além disso, a área onde os esqueletos e as cerâmicas foram encontrados tinha a configuração de um antigo cemitério, portanto tudo indica, de facto, que as celebrações fúnebres eram regadas com cerveja.

“Os achados sugerem que o consumo de cerveja foi um elemento essencial nos rituais funerários pré-históricos no sul da China, contribuindo para o surgimento de sociedades agrícolas complexas quatro milénios depois”, concluíram os investigadores.

FYI/Kika/MS

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