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Achas para a Fogueira “Trudeau compara imigrantes portugueses, italianos e gregos, a terroristas do Estado Islâmico”

Humberta Araujo
Curadora

Um artigo de Arthur Weinreb, publicado pela agência de notícias, Canada Free Press, está – ou pelo menos deveria estar – a causar polémica. Arthur Weinreb, é escritor, cronista e editor da Canada Free Press. O artigo intitulado “Trudeau compara imigrantes portugueses, italianos e gregos a terroristas do Estado Islâmico”, embora por si só se possa considerar de “extremista” e como tal, necessitando de uma interpretação fria e distanciada, não deixa de trazer à baila algumas questões, que importa ter em conta, quando analisamos a história da imigração europeia para este país.
“Em finais do ano passado”, escreve Weinreb, “Trudeau deixou claro que o Canadá saúda o regresso de canadianos, que deixaram o país, para combaterem ao lado dos terroristas do Estado Islâmico (ISIS). Desaparecida a lei, que retira o direito à dupla nacionalidade a pessoas que tomaram parte em ações terroristas, as mesmas deixaram de ser referidas como terroristas pelo governo Liberal”, escreve Weinreb, para serem tratados, cortesmente, “como returning foreign fighters,” – combatentes estrangeiros retornados – uma denominação, por si própria, já de difícil tradução e suscetível de interpretações variadas. Para Weinreb, estes ‘terroristas’ mais parecem ser “veteranos canadianos que regressam ao país,” merecendo “por parte do governo, mais direito ao respeito e melhor tratamento, do que aqueles que são membros das forças armadas Canadianas.”
Para este analista, Trudeau acredita que estes “foreign fighters”, podem ser reabilitados “com abraços e chocolate, e terem uma vida normal, na sociedade canadiana. O primeiro-ministro, escreve Arthur Weinreb, “é incapaz de perceber, que estes homens regressaram ao Canadá, não porque estão arrependidos pelos atos que perpetraram, mas porque ISIS está a perder território. ”
Num dos recentes encontros, que o primeiro-ministro teve em Edmonton com os seus residentes, um dos presentes teria questionado Justin Trudeau, sobre como ele pretende defender a população canadiana no futuro, nomeadamente as suas 3 filhas, se o governo deixa entrar, “pessoas com uma ideologia que não se conforma com a sociedade canadiana.”
Trudeau, terá repetido a sua mensagem política, de que o Canadá é um país acolhedor, que recebe bem as pessoas que procuram uma vida melhor, tal como foi feito no passado com outros grupos de pessoas, entre eles os portugueses, gregos e italianos. Já agora, um achega histórico para o primeiro-ministro: nós, os/as portuguesas não fugimos da devastação da II Guerra Mundial. https://youtu.be/JDAYH0GSDWs
Para este analista canadiano, não há, aos olhos de Justin Trudeau, diferença entre os imigrantes que vieram no passado de países da Europa, e os combatentes do estado islâmico, agora recebidos no país.
De um modo ou de outro, como referimos no início deste artigo, é claro que Weinreb não morre de amores pelos Liberais, nem por Justin Trudeau. Mas justiça lhe seja feita, por trazer ao de cima o fato dos imigrantes europeus, nomeadamente os portugueses, que aqui chegaram sem apoios de qualquer ordem, não devem nem merecem ser objeto de comparação. Imigraram sem apoios, e nunca pretenderam mudar as leis ou a sociedade canadiana. No que diz respeito a alguns setores da comunidade islâmica, o mesmo já não se poderá afirmar, e basta fazer uma análise honesta, sobre a questão de exigirem implementação no país da lei sharia, o não consumo de carne de porco em escolas frequentadas por crianças muçulmanas, a necessidade de termos piscinas públicas próprias, ou dias especiais reservados para as mulheres islâmicas, assim como o fato de muitos olharem os direitos das mulheres canadianas e europeias, as suas liberdades e conquistas com desdém, e como sendo impróprias.
Trudeau não respondeu ou foge responder a um debate em profundidade sobre o futuro dos canadianos, muito particularmente o das futuras mães, das nossas filhas e netas, o qual pode vir a ser afetado por uma ideologia, que nada tem a ver com a liberdade, a democracia e os direitos, muitos deles adquiridos com muita dor e sofrimento, de uma sociedade moderna. O primeiro-ministro parece não querer assumir a responsabilidade de uma análise e debate honestos, sobre o que pode acontecer à nossa sociedade, se os ditames religiosos e políticos de um islão conservador, extremista e repressivo, venham impor-se a uma sociedade tolerante como a nossa. Quando mesmo, o Ministro da Segurança Pública canadiano, Ralph Goodale, diz ser remota a possibilidade destas terroristas serem reabilitados, temos o direito a fazer perguntas e a termos respostas concretas.
Para esta reabilitação dos terroristas agora chegados ou a chegar a solo canadiano, vão também pagar os contribuintes canadianos. Os serviços públicos de desradicalização vão custar caro. O fato de os recebermos, com esperança de que de um momento para o outro, estes terroristas se vão arrepender e tornar bonzinhos, demonstra uma grande naïveté, que acaba também por ser uma afronta aos trabalhadores portugueses, italianos, gregos e sul-americanos, que aqui trabalham há anos, que são honestos, que pagam os seus impostos, que têm já filhos nascidos aqui e nas escolas, e cujo único crime foi pretenderem dar uma vida melhor as suas famílias e estarem ilegais. Muitos homens e mulheres, trabalhando na construção, nas padarias, nas limpezas, a tratarem de idosos e crianças e na restauração, vivem diariamente com o medo de serem descobertos e repatriados, embora sejam necessários ao país. Estes não têm direito ao perdão, nem à cidadania, que tanto merecem?

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