Emma Chamberlain veste arte portuguesa na Met Gala com criação de Miguel Castro Freitas

Entre pinceladas de Van Gogh e Munch, o designer português Miguel Castro Freitas assinou para a Mugler um vestido pintado à mão que transforma o corpo da influencer norte-americana Emma Chamberlain numa tela viva, numa das interpretações mais conceptuais da noite dedicada ao tema “A moda é arte”. A criação envolveu cerca de 958 horas de trabalho, 150 metros de tecido, 40 horas de pintura manual e quatro dias de secagem, num processo de alta-costura que elevou a peça a obra de arte vestível.
A influencer Emma Chamberlain marcou presença na Met Gala 2026 com uma criação da Mugler assinada pelo designer português Miguel Castro Freitas, num vestido que se afirmou como uma construção artística de elevada complexidade técnica e simbólica.
A peça exigiu 958 horas de trabalho, integrando uma estrutura em organza e georgette com 150 metros de tecido, além de uma cauda de grande dimensão com cerca de nove metros de circunferência. O desenho é marcado por 880 linhas de folhos em espiral, que conferem movimento contínuo à silhueta.
A dimensão pictórica ficou a cargo da artista Anna Deller-Yee, responsável por transformar o tecido numa superfície de pintura. O processo decorreu ao longo de 40 horas, com aplicação de 30 cores base, seguido de quatro dias de secagem ao ar livre, garantindo a estabilidade das camadas cromáticas.
A inspiração partiu do tema da noite, “A moda é arte”, e cruzou referências ao universo de Vincent van Gogh, em particular as paisagens de Arles, bem como influências expressionistas associadas a Edvard Munch.

Emma Chamberlain, presença habitual na Met Gala, descreveu a peça como uma das mais pessoais que já usou, construída a partir de referências artísticas ligadas ao seu percurso familiar e criativo.
A colaboração nasceu de um encontro na Semana da Moda de Paris e evoluiu para um projeto concebido especificamente para a noite de Nova Iorque. Miguel Castro Freitas, com percurso em casas como Dior, Givenchy e Yves Saint Laurent, reforça assim a sua afirmação internacional com uma criação que cruza moda, pintura e performance, aproximando ainda mais o vestuário da linguagem das artes visuais.
“Estou incrivelmente orgulhoso do nosso primeiro MET! Sentimos que foi a ocasião perfeita para mostrar a nossa visão, o tema e a história da casa. Quero agradecer à Emma e ao Jared pela colaboração e pelo apoio desde o primeiro esboço”, partilhou o criador. Para Miguel Castro Freitas, “este foi um projeto absolutamente de sonho para imaginar”.
Mais do que um vestido, a peça afirmou-se como uma instalação portátil de moda, cruzando alta-costura, pintura e performance.
JN/MS







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