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Pedro Chagas Freitas:  “Hospital de Alfaces”

Photo: @copyright

Pedro Chagas Freitas é um dos nomes grandes da literatura contemporânea portuguesa. Autor favorito dos portugueses, tem a rara capacidade de transformar sentimentos em frases, de fazer da emoção uma linguagem e de, com a palavra tocar corações e sentimentos.

Natural de Guimarães, Pedro começou por se destacar através de uma escrita ousada e intensa. As suas frases, muitas vezes curtas e fulminantes, são partilhadas milhares de vezes nas redes sociais e sublinhadas por leitores que veem nelas não apenas estilo, mas muita verdade. Não escreve apenas para ser lido — escreve para que o leitor sinta, viva e, muitas vezes, pense sobre si próprio. Com mais de um milhão de exemplares vendidos, traduções em várias línguas e uma base de leitores absolutamente fiel, Pedro Chagas Freitas tornou-se um fenómeno literário num país onde o mercado editorial nem sempre favorece aqueles mais fora da caixa. 

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Obras como Prometo Falhar e A Raridade das Coisas Banais conquistaram o público pela abordagem direta ao amor, à perda, à saudade, à fragilidade da vida. Pedro também é cronista, orador, criador de jogos de escrita criativa e um transformador da palavra. A sua carreira não se constrói apenas de livros — constrói-se de momentos, de encontros, de partilhas. Apaixonado pela comunicação, é daqueles autores que não temem o contacto com o público, ele até procura as pessoas para fazerem parte do seu processo criativo. E é precisamente da vida — da sua vida — que nasce o novo livro Hospital de Alfaces. Trata-se de uma obra profundamente íntima, mas também universal. Um testemunho, um grito, uma oração, uma homenagem à fragilidade da existência e à força inexplicável do amor de um pai. A inspiração para este novo romance é muito angustiante e dolorosamente real: a luta do seu filho Benjamim, de apenas seis anos, contra uma doença rara que o obrigou a um transplante de fígado urgente. Foi durante este processo angustiante que Pedro Chagas Freitas fez algo improvável, mas profundamente humano — expôs, através das redes sociais, a dor, o medo, a espera e a fé de um pai que podia perder o que mais amava. O País comoveu-se. A história do pequeno Benjamim mobilizou milhares de pessoas. Foram partilhadas informações, angariadas ajudas, multiplicadas mensagens de apoio. 

Pedro, escritor de emoções, tornou-se o protagonista de um enredo que, infelizmente, nunca foi  ficção. E o seu testemunho diário nas redes sociais — os “posts” onde relatava cada avanço, cada recuo, cada raio de esperança — serviu não apenas para manter viva a história do filho, mas também para relembrar a todos nós do que verdadeiramente importa. É de um hospital onde o tempo é suspenso, que nasceHospital de Alfaces. O título pode parecer estranho, mas é absolutamente revelador da escrita do autor. Este novo romance não é só mais um livro. É um testemunho literário da dor, da reflexão sobre a vida, sobre o tempo que perdemos com o simples, sobre como o amor, em todos os momentos, pode ser salvação. E, acima de tudo, é um alerta silencioso para que vivamos  antes que seja tarde demais. É um livro que fala de como adiamos a felicidade. De como precisamos de quase perder tudo para perceber o valor das pequenas coisas. ComHospital de Alfaces, Pedro Chagas Freitas faz o que sabe fazer melhor: escrever com o coração. É um livro que exige entrega do leitor, mas que devolve algo ainda maior: a consciência de que cada momento pode ser uma dádiva. 

As palavras continuam belas e impactantes, mas agora são também cicatrizes e cura. Pedro Chagas Freitas comHospital de Alfaces, desafia-nos a viver com mais consciência, mais gratidão e mais amor. É um livro que não se lê apenas com os olhos — lê-se com a alma, com a memória de tudo o que somos e do que temos medo de perder.

Paulo Perdiz/MS

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