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A grandiosidade do azulejo português

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Estação São Bento, Porto – Créditos: DR

Somos a capital mundial do azulejo! E porquê? Não é também comum em países como Espanha, Itália, Holanda, Turquia, Irão ou Marrocos? Sim, é, mas ninguém, nenhum outro país, nenhum outro artesão, o entendeu ao longo dos séculos como nós, não se resumindo apenas à arte decorativa, mas saindo dela.

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Capela das Almas, Porto – Créditos: DR

Em termos práticos, o azulejo português não é mais que uma placa de cerâmica, quadrada, de pouca espessura, com uma das faces decorada e vidrada. É após a cozedura de um revestimento denominado como esmalte, que o azulejo se torna impermeável e brilhante. As diferentes técnicas de pintura, desde a de aresta, a de Cuenca e a Majólica, esta a única técnica que permite pintar a superfície lisa com várias cores sem que se fundam entre elas, veio trazer a liberdade à azulejaria como hoje a entendemos. É a sua longevidade e comunicabilidade que lhe assegura a sua permanência até hoje. É impossível visitar Portugal e ficar indiferente à expressão, dimensão e carácter do azulejo português. Ninguém pode ficar alheio às fachadas dos inúmeros prédios, cobertas de azulejos, com representações habitualmente geométricas, de influência árabe, às paredes que revestem os exteriores de inúmeros palácios, contando-nos histórias de bailes, caçadas, até à forte inspiração na porcelana chinesa, que originaram os belos azulejos brancos e azul cobalto. São centenas as igrejas por todo Portugal onde as paredes e tetos totalmente cobertos mostram que o azulejo profano ou religioso protegia todas as suas áreas descobertas, forrando-as quer de temas bíblicos ou de outras quaisquer narrativas. O azul significando o céu, o branco, a candura, a pureza.

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Convento de São Francisco – Salvador da Baía, Brasil – Créditos: DR

São as formas cheias de dinamismo e movimento e a liberdade de contar uma história, que no século XVIII atinge o seu esplendor, quando se funde com o ouro da Talha Dourada, dando assim justificação à tão peculiar expressão “ouro sobre azul”! Foi o período áureo da azulejaria portuguesa.

Até nas belas e antigas estações de comboios, de linhas férreas hoje desativadas, o azulejo pretendia contar uma história a quem o olhava enquanto aguardava o som da partida do comboio. As escadas dos edifícios, as fachadas com figuras de convite, onde uma figura masculina normalmente de chapéu na mão faz uma vénia, convidando a visita a entrar, constituem um sem número de locais religiosos ou civis, mas onde todos eles se enriqueceram com a chegada do azulejo. Acredita-se que a palavra azulejo, de origem persa, remete para a pedra semipreciosa lápis lazúli, por esta ser polida e brilhante. Este termo fixou-se na Península Ibérica no século XIV para designar a cerâmica esmaltada hispano-árabe.

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Figura de Convite Cavalheiro – Créditos: DR

Chegou a Portugal no ano de 1498, pelo rei D. Manuel I, numa das suas visitas aos Reis Católicos, Fernando e Isabel, então em Andaluzia, que bebia todo o esplendor do gosto e arquitetura árabe. Portugal aprendeu então o método de fabrico e de pintura, e o azulejo português tornou-se numa das marcas de expressão mais fortes da sua cultura. Conta hoje com 500 anos de produção nacional. A sua história bem como a sua evolução estão patentes no Museu Nacional do Azulejo, criado em 1980, em Lisboa, junto do Convento da Madre de Deus. Aqui podemos admirar a sua glória enquanto expressão escultórica dentro de cerâmica.

Muito são os exemplos da azulejaria portuguesa, desde a Igreja do Convento de São Francisco em Salvador da Baía no Brasil, onde está o segundo maior conjunto de azulejaria sob o mesmo teto no mundo, até à inigualável Capela das Almas no Porto, à exuberante e bela Capela do Senhor Santo Cristo dos Milagres no Convento da Esperança em Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel nos Açores, sem esquecer a magnífica e única no mundo estação de comboios de São Bento, no Porto.

Mais do que as palavras, falam as imagens. Fiquem com elas e deleitem-se!

Luísa Silva Geraldes/MS

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