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Salvar a Floresta Portuguesa

Terra Viva

Entre 2001 e 2020, Portugal perdeu 1,09 milhões de hectares de floresta, um decréscimo de cerca de 47% relativamente ao ano 2000. (fonte: Global Forest Watch).

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Créditos: DR.

Portugal, comparando com países europeus, tem percentualmente das maiores ocupações florestais, 3,329 milhões de hectares (fonte: INE, dados de 2015), sendo cerca de um terço do seu território, porém a floresta primária natural é quase inexistente, correspondendo atualmente a apenas 24,1 mil hectares, cerca de 0,7% da área total de floresta (em 2000 era cerca de 9,6%).

Apesar do enorme impacto de grandes incêndios, outras razões existem para a morte lenta da floresta, a introdução de espécies não nativas como o Eucalipto (que é atualmente mais de um quarto da floresta portuguesa), proliferação descontrolada de espécies invasoras como as Acácias ou a Erva das Pampas, desflorestação para produção agrícola e pecuária, desflorestação para construção de vias, edifícios e outras estruturas urbanas, etc., etc…

Os cerca de 2% do PIB português, que o Eucalipto representa, ilude o prejuízo de centenas de milhões de euros de prejuízos anuais. O consumo de água, a extinção de outras espécies arborícolas, o esgotamento da qualidade dos solos, a propensão que existe para o incêndio em áreas de eucaliptal, a sua proteção e socorro aquando de incêndio, destruição de habitats naturais, etc. (em 1Km2, numa floresta nativa existem em média 700 ninhos de aves, num eucaliptal existem apenas 100).

A destruição da floresta natural tem um imenso impacto ambiental e económico. A diminuição da biodiversidade, a extinção de espécies, o aumento de áreas áridas, o impacto e desregulação climática, erosão dos solos, diminuição de sustentabilidade económica, aumento das probabilidades de cheias e derrocadas, a não retenção de CO2, redução da qualidade do ar, etc., etc., dificultarão a vida às gerações vindouras.

Em Portugal apenas cerca de 3% da floresta é propriedade do Estado, 85%
é propriedade privada e os restantes 12% de comunidades locais ou baldios.

 

A gestão é com certeza difícil, sendo os privados que detêm o grosso da propriedade florestal, os anseios e pretensões dos privados e o interesse comunitário e civilizacional são quase sempre opostos, a colisão de ideias e de interesses é permanente. Sentar todos à mesa parece-me tarefa impossível. No entanto, a urgência sobre a proteção da vida na Terra e a sobrevivência da espécie humana é um argumento de enorme peso e que deve nortear a aplicação de medidas que travem e invertam a morte da nossa floresta.

Cabe a todos os intervenientes introduzirem medidas e projetos positivos, estimular a reflorestação com espécies nativas, limitar a introdução e exploração de espécies exóticas, criativamente alterar as formas como a floresta pode contribuir para a economia e ser rentável, quer para os privados, quer para a comunidade.

Necessitamos com urgência de um desenvolvimento equilibrado, de harmonia com a natureza e com o Homem. Estamos sempre a tempo de mudar comportamentos, se não o fizermos, aí sim, perderemos a possibilidade de respirar mais algumas vezes…

Paulo Gil Cardoso/MS

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