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O poluente invisível

Terra Viva

Ficamos chocados com o lixo que encontramos na natureza, mas aquele que não se vê é muito mais preocupante. São introduzidas diariamente no ambiente milhares de toneladas de poluentes de que raramente se ouve falar, seja na água, no ar ou nos solos, a variedade e quantidade de substâncias que atualmente se detetam nos alimentos é enorme.

Relativamente ao ar, os alertas são mais do que conhecidos e constantes, especialmente no que diz respeito aos gases de efeito estufa como o dióxido de carbono ou o metano, porém existem muitos mais, como por exemplo o dióxido de enxofre, o nitrogénio, monóxido de carbono, partículas em suspensão de chumbo, cádmio, mercúrio, uma infindável diversidade de componentes de pesticidas, etc.

O poluente  invisível/ambiente-mileniostadium
Crédito: DR.

Na água dos rios e oceanos são evidentes cada vez maiores quantidades de antibióticos, anti-inflamatórios, hormonas, ansiolíticos, medicamentos de uso veterinário, e uma muito extensa lista de químicos e substâncias resultantes das atividades industriais, da agricultura, da agropecuária e da aquacultura.

Nos solos, por todo o planeta, acumulam-se e infiltram-se também toda a panóplia de substâncias, referidas anteriormente e muitas outras, a lista é tão extensa que provavelmente todas as páginas desta edição do Milénio Stadium não chegariam para as elencar na totalidade.

Toda esta poluição invisível custa já milhões por ano, doenças provocadas pela poluição são cada vez mais frequentes, e não são só aquelas resultantes da respiração de ar poluído, os alimentos começam a ter presença constante de poluentes, tenham eles origem nos oceanos, como os peixes, ou nos animais criados para produção de carne, ou nos vegetais e frutas.

A ânsia da produção massiva e lucrativa é uma pressão descontrolada sobre o planeta, não sendo apenas o ambiente afetado, a qualidade de vida e a saúde humanas estão postas em causa. Alguma coisa terá de mudar por uma questão de sobrevivência da nossa própria espécie.

Por todo o mundo, muitas investigações, medições e desenvolvimento de soluções são apresentadas quase diariamente, desde algas que acumulam metais pesados purificando água, até ao desenvolvimento de técnicas de produção biológica e sustentável, porém as grandes empresas de todas as áreas continuam focadas mais nos lucros imediatos do que no ensaio e aplicação de novas técnicas e soluções. Enquanto não refrearmos a ganância do lucro será impossível inverter o sentido que levamos.

Temos de substituir a ganância pela necessidade de sobrevivência, infelizmente muitas mentes confundem e misturam ambas, havendo argumentos tão torpes quanto o termos de produzir para alimentar e dar emprego ao maior número de pessoas (claro que temos de o fazer), teremos é de fazê-lo com sapiência e dando atenção a novas soluções, investindo na inovação no sentido de uma produção que respeite o planeta, perseguindo a sustentabilidade, continuando no caminho que trilhamos, cada vez mais haverá mais doenças, cada vez será mais difícil e caro produzir, por consequência haverá crises de produção que por sua vez levarão a mais fome e desemprego, a ganância revela-se decididamente autofágica e este não é com certeza o futuro que a humanidade necessita. A ganância é o poluente mais nocivo à sobrevivência da Terra.

Paulo Gil Cardoso/MS

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