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O Declínio das Aves

Terra Viva

 

milenio stadium - borrelho coleira interrompida

 

As aves estão a desaparecer. As evidências da grande extinção em curso avolumam-se.
A recente publicação “State of the World´s Birds –2022” da Birdlife International, desperta-nos para uma triste realidade, 49% das aves no nosso planeta estão em declínio.

América do Norte:

• aves insetívoras redução de 40% entre 1966 e 2013
• aves de pradaria redução de 42% entre 1968 e 2018
• aves de terras áridas redução de 37% entre 1968 e 2018
• aves de floresta redução de 14% entre 1968 e 2018

Europa:

• aves comuns de floresta redução de 3% entre 1980 e 2020
• espécies de terras agrícolas redução de 57% entre 1980 e 2020
• aves de montanha redução de 10% entre 2002 e 2014
• aves insetívoras redução de 13% entre 1990 e 2015

Índia:

• aves comuns de floresta redução de 62% entre 2000 e 2018
• aves de pradaria redução de 59% entre 2000 e 2018
• aves de zonas húmidas redução de 47% entre 2002 e 2014

Estes são apenas alguns exemplos, o relatório é extenso em informação. Olhando apenas ao apresentado podemos verificar que o cenário global é assustador.

As aves são um elemento fundamental no equilíbrio ambiental, uma vez que agem como dispersoras de sementes, são reguladoras de populações de uma série de espécies que podem configurar pragas, são polinizadoras, etc. A variedade de espécies e em inúmeros habitats tornam-nas numa peça essencial do equilíbrio ecológico, sendo por tal também um indicador desse mesmo equilíbrio. Olhando à regressão do número de espécies e de populações, verificamos que a saúde do planeta não vai mesmo nada bem.

Enquanto membro de uma associação ambiental, tenho participado há vários anos em monitorizações, estudos e censos de diversas espécies, sou um leigo, mas vou ajudando no que estiver ao meu alcance. Com o passar dos anos fui despertando para a beleza destes animais alados e a cada atividade o fascínio vai aumentando assim como o conhecimento. Deixo aqui um exemplo de uma ave que desconhecia por completo e que é uma espécie ameaçada -o Borrelho de coleira interrompida. Esta ave, que vive nas orlas costeiras, é de dimensão pequena e além de ter um voo rápido é também uma exímia corredora nas praias portuguesas, não constrói ninho, aproveita qualquer buraco do tamanho de uma pegada na areia, põe apenas 3 pequenos ovos, sarapintados, camuflados. O grande problema é que coloca os ovos exatamente na zona onde gostamos de colocar a toalha de praia, ou seja, entre a linha de maré mais alta e as dunas, para agravar a situação, é a zona onde fazemos deslocar tratores para limpeza de praia, está-se mesmo a ver o resultado… Quando vir uma pequena ave na praia, aparentemente ferida, a arrastar uma asa na areia, e se tentar chegar-se a ela e esta levantar em voo por 2 ou 3 metros e repetir a simulação de ferida, isso é um Borrelho que está a atraí-lo para longe do local onde tem os ovos, um comportamento realmente admirável. Deverá, portanto, verificar onde caminha e onde coloca a toalha de praia para não destruir nenhum ovo inadvertidamente.

Observar, ler a natureza, integrar-se tentando não interferir, tentar perceber o comportamento dos animais, aumentará com certeza as possibilidades de sobrevivência deles e também a nossa.

Tentar sentir o mundo à nossa volta despoletará a admiração e o respeito pelo fantástico milagre da vida.

Paulo Cardoso/MS

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