Ambiente

Morte das Florestas Europeias

Terra Viva

 

abetos mortos

 

Pragas, aumento da temperatura, baixa humidade dos solos, tempestades, secas e fogos, estão a destruir os bosques europeus.

De viagem, mais uma vez pela Renânia do Norte e Vestefália, aperta-se-me o coração, para qualquer lado que olhe, vejo imensas extensões de abetos mortos, o cenário é triste.

As manchas cinzentas na paisagem relativas a áreas de bosques são, porém, a face visível da definhante floresta alemã, se nos embrenharmos na natureza, percebemos que também outras espécies sofrem de maleitas e seca. Os bosques germânicos, destas árvores da família dos pinheiros, sofrem essencialmente com uma praga do Besouro de Casca (Scolytinae), a sua propagação está absolutamente descontrolada, foram raríssimas, em pequenos grupos e muito isoladas as árvores que vi bem de saúde. As secas consecutivas e temperaturas altas deixam as árvores fragilizadas e menos resistentes a pragas como esta do Escolitínio. Em 2020 eram já cerca de 250 mil hectares de floresta alemã devorados pelo besouro.

Noutros países europeus repetem-se cenários de destruição de dimensões absurdas, existindo várias razões para tal. Outras pragas destroem os bosques do velho continente, como o Nemátodo ou a Processionária, essencialmente nos países do Sul (Portugal, Espanha, Grécia e Itália), mas também em larga escala em França, por exemplo.

As secas além da sede que provocam diretamente nas árvores, levam também à morte de fungos que têm relação simbiótica com as árvores e que são necessários para que estas consigam nutrientes vitais a partir dos solos, ficando fragilizadas, abrindo porta a doenças e pragas.

Para rematar, a já fragilizada floresta europeia, tem sido consumida pelo fogo, ano após ano. Entre 2000 e 2018 arderam nos países europeus mediterrânicos 7 milhões e 382 mil hectares de floresta (não existem ainda números validados e certificados com precisão publicados para os últimos anos).

Os custos da destruição de florestas na Europa são astronómicos anualmente.

Começando pelos milhares de milhões de Euros de prejuízo direto para a indústria madeireira, somando milhares de milhões despendidos em reflorestação e adicionando ainda os milhares de milhões de despesa de combate a incêndios. Esta situação é financeiramente insustentável. Mas mais do que a questão económica é a aniquilação massiva da biodiversidade que tem o maior impacto na vida de todo o continente e do planeta.

Todas as civilizações dependeram sempre das florestas, elas foram alimento, abrigo, fonte de energia e recursos de construção, a matéria-prima das naus dos Descobrimentos, as peças para os moinhos e azenhas, as farmácias para todas as maleitas, o berço de fábulas, de histórias de encantar, de mitologias, de magias, de refúgio, de contemplação, foram e são a alma da Terra.

As florestas morrendo, morreremos também.

Paulo Cardoso/MS

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