Ambiente

Luto pela terra e pela humanidade

Europa Central com centenas de mortes e o assassinato da ambientalista Joannah Stutchbury, na semana passada, só me permitem usar a palavra luto.

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Créditos: DR.

Joannah, de 67 anos, que tinha já sido ameaçada de morte várias vezes, foi baleada por volta das 22h de dia 14, quando regressava a casa nos arredores de Nairobi, Quénia. E que fez esta ambientalista para ser assassinada selvaticamente? Apenas defendeu a floresta de Kiambu contra as construções irresponsáveis de poderosos empresários. O Presidente queniano, Uhuru Kenyatta, condenou o homicídio, afirmando: “Por muito tempo, Joannah tem sido uma defensora constante da conservação de nosso meio ambiente e será lembrada pelos seus esforços incansáveis para proteger a floresta de Kiambu da invasão”. Este assassinato não foi o único, já em 2018 Esmond Bradley Martin, ativista ambientalista americano radicado no Quénia, foi esfaqueado até à morte na sua casa também em Nairobi. Bradley investigava e denunciava o tráfico ilegal de marfim de elefantes e chifres de rinocerontes, tendo tido um enorme contributo na proteção de espécies ameaçadas. O seu homicídio continua sem culpados. Choremos por estes heróis, e também pela inconsciência e ganância humanas.

Depois do artigo que escrevi na edição de 1 de julho do Milénio Stadium, com o título “Que Terra Queremos?”, abateu-se uma tempestade violenta sobre as zonas que visitei na Renânia do Norte – Vestefália, Alemanha.

O caos e a destruição provocada pelas chuvas torrenciais é de proporções absurdas. Cerca de 200 mortos e ainda mais de um milhar de desaparecidos, destruição de casas, estradas, represas e outras infraestruturas – o cenário é de calamidade. Mas a destruição não foi só de vidas e estruturas humanas, com certeza que dezenas de milhares de animais e plantas foram arrastados e destruídos com as enxurradas.

Parece que estes dois assuntos que aqui apresento nada terão a haver um com o outro, porém têm tudo a haver. Destruindo florestas e poluindo, haverá cada vez mais fenómenos climáticos extremos. Alguns tentam salvar e proteger o frágil equilíbrio deste nosso planeta, outros destroem-no inconscientemente, guiados apenas pela ganância e pela sede de poder.

Repito o que escrevi há três semanas: Afinal que planeta queremos para os nossos descendentes?

Proteger recursos utilizando-os sustentavelmente ou permitir que a pressão produtiva para ganhos financeiros efémeros atropele e destrua cegamente a vida na Terra?

Paulo Gil Cardoso/MS

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