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Calor Mortífero

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Créditos: DR.

As vagas de calor que atingiram o Canadá nas últimas semanas tiveram um impacto violento em vidas humanas e na natureza. Mortes súbitas por calor, que se calcula rondem as 500 vítimas humanas, mais de 200 grandes incêndios florestais, e a estimativa da morte de mais de mil milhões de animais marinhos. O cenário é dantesco.

Ao longo de cinco dias as temperaturas rondaram os 40º Celsius na costa oeste do Canadá, muitos animais foram cozidos pelas águas e ar quentes, mexilhões e outros bivalves, peixes, caracóis e estrelas-do-mar, algas e anémonas, deram à costa, criando um tapete de conchas vazias, algas e animais mortos nas praias. Relatos indicam que na zona de Vancouver era impossível caminhar na praia sem esmagar os restos de muitos seres marinhos. O impacto visível é assustador, porém, as consequências que não são imediatamente detetadas poderão ser ainda maiores. Os milhões de bivalves mortos têm um impacto enorme na qualidade da água, a filtragem que estes seres fazem foi comprometida. Também toda a cadeia alimentar sofreu um enorme desaire, muitas espécies terão a sua alimentação reduzida e a sua sobrevivência enormemente dificultada. A recuperação demorará vários anos.

Todas as consequências destas duas ondas de calor terão um impacto de milhares de milhões de dólares na economia canadiana durante vários anos. Foram já avançadas duas hipóteses, por alguns cientistas, para estas vagas de calor mortíferas.

A primeira é que a combinação de seca preexistente e condições atmosféricas fora do normal e desvio de fluxos (correntes) de ar contribuíram para a formação de uma bolsa de ar quente, levando a um aumento inédito das temperaturas, sendo estas causas imediatas relacionadas com uma causa maior – as alterações climáticas.

A segunda hipótese, mais preocupante que a primeira, é que o sistema climático da Terra possa já ter ultrapassado alguns limites de estabilidade, havendo pontos e alturas em que bolsas localizadas atingem picos de temperaturas elevadas ou de temperaturas baixas. Se assim for estas ondas de calor, e também as de frio, passarão a ter uma maior frequência, e poderão estar já para além dos modelos climáticos atualmente considerados.

Várias são as entidades científicas debruçadas sobre estes eventos, como por exemplo o Instituto de Mudança Ambiental de Oxford, que avança com estas hipóteses, ou o Instituto para Pesquisa de Impacto Climático de Postdam, Alemanha, que as corrobora.

A queima de combustíveis fósseis é apontada como a principal causa das alterações climáticas, libertando quantidades enormes de gases de efeito estufa que retêm o calor do Sol na atmosfera terrestre. A civilização humana provocou o aquecimento da atmosfera em 1,1ºCelsius desde a revolução industrial do séc. XIX, desregulando o clima da Terra e aumentando as probabilidades de temperaturas extremas. É urgente inverter o sentido que levamos se queremos sobreviver.

Paulo Gil Cardoso/MS

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